Para uns uma das melhores séries de sempre, para outros não é nada de especial e há até quem aponte uma queda na qualidade à medida que mais temporadas são feitas. Com todos a concordar em discordar até aqui, há um ponto onde todos convergem: “the hype is real”.

Num artigo onde os paralelismos serão certamente forçados e martelados, não haverá nenhuma intenção de insultar nenhuma personalidade do futebol português. O que para muitos é uma personagem desprezível, para outros será uma personagem fulcral e que trará rimto à narrativa.

Pegando nas personagens mais influentes nas, até agora, quatro temporadas desta história, tentaremos imaginar os rostos do futebol português que integrariam uma das séries mais faladas da atualidade: La Casa de Papel.

Não dava para começar por outra personagem que não “el profesor”. Apesar de não ser a personagem principal, é inegável o peso do papel interpretado por Álvaro Morte. O seu espelho em Portugal seria, de longe, José Mourinho. No início um estratega e vencedor nato e infalível. À medida que o tempo passa vai revelando escolhas erradas e passos em falso.

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Úrsula Cobreró encarna uma personagem conflituosa, com personalidade vincada, explosiva e conflituosa q.b.. No entanto, na altura de ser chamada à responsabilidade, lidera como ninguém. Tokyo, à moda portuguesa, seria Jorge Jesus. E em vez de Tokyo, “Amadora”.

Pedro Alonso, Berlín para os devoradores de “La Casa de Papel” e irmão do “profesor”, colheu desde o início a confiança para liderar o assalto. Foi os olhos do estratega dentro da Casa da Moeda e, problemas à parte, foi a mão dura que o grupo de assaltantes precisou nos momentos mais complicados. Quem melhor para personificar a liderança dentro de campo do que Cristiano Ronaldo? Exato, ninguém. O camisola sete da Juventus FC seria conhecido por “Funchal”.

Jaime Lorente transpira diversão, espontaneidade e rebeldia. Talvez seja mais conhecido por Denver. Talvez. O riso, com o seu quê de irritante, é a imagem de marca de uma personagem querida à maior parte do público. Ukra, ou “Famalicão” na versão portuguesa, tem uma participação ativa nas redes sociais e os seu conteúdo fala por si.

Enrique Arce consegue o impossível: faz frente aos assaltantes, como herói que poderia ser, mas não colhe o carinho da generalidade da audiência. Arturo Román, o peculiar Arturito, tenta por mais que uma vez liderar uma revolução contra o “poder” instaurado. Será por isso que a versão portuguesa contaria com Bruno de Carvalho no seu papel. Também o antigo presidente leonino tentou liderar uma revolução não só no universo verde e branco, como no futebol português. Seria denominado “Maputo”.

Lisboa foi das últimas personagens a integrar o bando. Com a atenção do público português captada pelo nome de assaltante e pelo fado presente num dos episódios da terceira temporada, a personagem interpretada por Itziar Ituño trocou de lado durante as negociações por amor. À sua semelhança, Ricardo Quaresma trocou Alvalade pelo Dragão, se ignorarmos a passagem pouco exuberante por Barcelona. Eternamente grato aos leões, admitiu por várias vezes que foi no Norte que se sentiu verdadeiramente em casa e a jogar ao seu melhor nível. Também ele seria conhecido por “Lisboa”.

Por fim, Palermo. Também ele trocou de lado, por momentos, mas a repercussão foi enorme. A personagem de Rodrigo de la Serna obrigou a esforços desnecessários e mortes evitáveis, daí que a sua popularidade varie de acordo com a opinião de cada um. Então, André Carrillo, que trocou os leões pelas águias também por pouco tempo, seria o intérprete adequado. O seu nome de guerra seria “Lima”.

Moscovo, Sierra, Río, Nairobi, Estocolmo, Marselha, Bogotá, Helsínquia, Gandía… Ficam ainda de fora algumas personagens que deixamos ao critério e imaginação de cada um. Também ficam de fora outras personalidades do futebol português que trariam outra dimensão à versão portuguesa da série. Casillas, Jonas, Cláudia Neto, Jéssica Silva, Futre… É dar asas à imaginação e reescrever o guião.

Artigo revisto por Joana Mendes