Em muitas equipas de Futebol, existem aqueles jogadores jovens, talentosos e cheios de potencial, mas que por um ou por outro motivo, não jogam com a regularidade desejada. Em vários destes casos, muitos acabam por sair da equipa em busca de mais minutos de competição. Mas mesmo assim, existem casos em que, mesmo durante o empréstimo, o jogador não é regularmente utilizado.

Quando isto acontece, o caminho mais fácil é criticar o treinador que não aposta neles, principalmente quando o jogador que o ofusca não está a ter o rendimento desejado pelos adeptos. No entanto, a minha experiência a ver Futebol diz-me que quando um jogador é sucessivamente pouco utilizado em diversas equipas com vários treinadores diferentes, é porque alguma coisa se passa com ele, não pode ser só o treinador que embirra.

Na verdade, muitos destes casos devem-se à própria mentalidade do jogador, seja porque é pouco esforçado e empenhado nos treinos, seja porque tem uma vida pouco profissional fora das quatro linhas, etc. Mas será que isso significa que o treinador não tem responsabilidade na atitude do jogador?

Ultimamente, tenho pensado nessa questão, e a verdade é que apesar de um treinador ter razões para se desinteressar por um jogador pouco comprometido, ele precisa de saber o que o leva a ter essa atitude e encontrar um contexto que o estimule. O jogador também necessita de um estímulo mental que o mantenha focado e comprometido.

Um exemplo que passou por Portugal e que conseguiu encontrar esse contexto é Luka Jovic. O avançado sérvio foi contratado pelo SL Benfica em Janeiro de 2016. Em ano e meio ao serviço dos encarnados, realizou apenas quatro jogos pela equipa principal, passando grande parte desse período a jogar pela equipa B, onde as suas exibições estiveram longe de convencer.

Jovic não conseguiu afirmar-se no Benfica.
Fonte: UEFA

Desacreditado, o jovem avançado acabaria por ser emprestado ao Eintracht Frankfurt, onde tanto Niko Kovac como Adolf Hutter souberam dar-lhe um contexto que o motivasse, fazendo dele, neste momento, um dos jogadores mais cobiçados pelos tubarões europeus. Numa entrevista dada ao Sapo, Luka Jovic confessou que teve muitas dificuldades na adaptação ao Benfica, por se encontrar num país novo e estar longe da sua família. Assumiu também que foi apanhado numa noite e que esse episódio lhe custou a oportunidade de ser titular no clube lisboeta.

Outro exemplo de um jogador que tarda e encontrar o seu contexto no Benfica é o compatriota Zivkovic. O camisola 17 das águias já mostrou provas do seu talento e a sua pouca utilização é bastante contestada pelos adeptos encarnados. Zivkovic tem sido pouco utilizado tanto com Rui Vitória, como com Bruno Lage, e também só jogou cerca de 15 minutos pela selecção no Mundial da Rússia, após ter passado pela sua melhor fase no Benfica em termos individuais, onde foi titular no meio-campo com boas exibições.

Existem também alguns casos ligados ao Sporting CP de jogadores que ainda andam à procura do seu contexto. Um dos casos é o de Matheus Pereira. O extremo brasileiro foi, na temporada passada, emprestado ao GD Chaves, onde realizou uma temporada de grande nível sob as ordens de Luís Castro, um dos melhores treinadores nacionais, quer em termos técnico-tácticos, quer em termos de comunicação.

Matheus Pereira vai dando cartas lá fora, mas em Alvalade o seu futuro é uma incógnita
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Depois de ter estado em bom plano na pré-temporada da equipa leonina, Matheus Pereira amuou por ter ficado na bancada no jogo da primeira jornada em Moreira de Cónegos, situação que lhe custou um lugar no plantel, acabando por ser emprestado ao FC Nuremberga. Ao serviço do clube alemão, Matheus Pereira também teve dificuldades em encontrar o seu espaço, mas após a mudança de treinador conseguiu, finalmente, encontrar um contexto que o favorecesse, estando a ser, ultimamente, o jogador em maior destaque no clube que luta pela manutenção na Bundesliga.

Outro caso de estudo é o de Francisco Geraldes. O médio ofensivo brilhou na temporada passada ao serviço do Rio Ave FC, mas, ainda assim, seria novamente emprestado ao Eintracht Frankfurt. Apesar de não ter jogado, Keizer resgatou o internacional sub-21 português para a equipa leonina, mas a sua utilização tem continuado a ser muito escassa.

Cada caso é um caso e, como tal, cada jogador tem o seu contexto para conseguir evoluir. Independentemente da mentalidade do jogador, cada treinador tem de ter a capacidade de o orientar.

 

Foto de Capa: SL Benfica

 

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