«À exceção de Rúben Dias, há um défice de centrais com grande qualidade» – Entrevista BnR com Fernando Meira

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– Estugarda: Do Céu ao Inferno –

«O Estugarda, nos últimos dois anos, não foi uma equipa estável
e o plantel devia ser mais sólido e ter mais qualidade
».   

BnR: Seguem-se sete temporadas em Estugarda. Esperavas ficar lá tanto tempo?

FM: Claro que não imaginava ficar tanto tempo na Alemanha. Aquilo que eu desejava era dar um passo em frente e ter uma nova aventura. Claro está que, economicamente, foi muito bom para mim.  A Alemanha é um país que tem pessoas que te reconhecem valor e que te respeitam e onde podes ter um modo de vida com muita qualidade e muita segurança. Aprendes a viver com qualidade e comecei a ficar muito mais seguro de mim, a partir do momento em que lá cheguei. É um povo frio, mas que sabe estar, que sabe negociar e que tem muita disciplina. E tudo isto me fez aprender durante os sete anos em que estive na Alemanha, em Estugarda. Apredi a ser disciplinado, organizado, a cumprir com horários e a ser rigoroso.

BnR: És um dos nomes mais respeitados do Estugarda. Ficaste com boas ligações ao clube e à cidade?

FM: Fiquei com muito boa ligação à cidade e ao clube. Claro que ainda hoje falo com pessoas e jogadores que estão no Estugarda. Muita coisa mudou ao longo deste tempo, mas ainda há muita gente do meu tempo ligada ao clube como o Christian Gentner, o Cacau, o Timo Hildebrand, o Mario Gómez, o Thomas Hitzlsperger que é o diretor-desportivo…  Há sempre jogadores que ainda lá estão e elementos da parte da direção que por lá ficaram. Estive lá recentemente porque é uma cidade que me deixou muito boas recordações, quer a nível pessoal, quer a nível desportivo.

BnR: A conquista da Bundesliga é o momento mais marcante da tua carreira?

FM: Claro que me marcou muito. Não digo que seja o mais alto. O momento mais alto da minha carreira foi o Campeonato do Mundo de 2006. Aí sim, esse foi o ponto mais alto, mas sem dúvida que ter sido campeão e capitão perante tamanhos colossos como o B. Dortmund, o Bayer Leverkusen, o Schalke 04 e mesmo o grande Bayern Munique, foi marcante. No ano anterior a termos sido campeões, eu pedi ao presidente para apostar na formação de onde saíram nomes fortes como o Hleb, o Hinkel, o Mario Gómez, o Sami Khedira, o Tasci… Eram miúdos com muita qualidade e tinham de ser aproveitados. Mereciam uma oportunidade e, a partir desse ano em que tiveram uma oportunidade, começaram a chamar-nos os “jovens rebeldes” porque éramos uma equipa com fome de bola e uma mescla de jogadores experientes, onde eu me incluía com 25 anos, com jogadores jovens e de muita qualidade.

O inesquecível título na Alemanha
Fonte: Bundesliga
BnR: Do céu ao inferno e nesta última temporada, o Estugarda desceu. Acompanhaste o processo? 

FM: Vivi isso com muita pena, de facto. Já é a segunda vez que descem de divisão, desde a altura em que eu saí de lá. Lembro-me que quando cheguei lá com o Felix Magath, a equipa estava a lutar para não descer e nesse ano conseguimos ir à Liga Europa…

BnR: Mas o que achas que provocou este descalabro?

FM: Acho que a equipa relaxou e sabes que, hoje em dia, qualquer equipa na Alemanha tem jogadores internacionais e com muita qualidade e conseguem formar bons plantéis. Há sempre uma base para o jogador alemão que lhe permitir adquirir muita disciplina, entrega e virilidade. E quando há equipas alemãs que são disciplinadas, têm andamento e sabem pressionar e ter a organização defensiva necessária, acabam por conseguir destacar-se. E depois também há jogadores estrangeiros que fazem a diferença. E isto aplica-se também na Segunda Liga, que não é um campeonato fácil porque há grandes equipas que jogam lá como o Hannover, Hamburgo, Nuremberga, Kaiserslautern e agora o próprio Estugarda. Há muita competitividade e mesmo a Segunda Liga também tem um acompanhamento brutal por parte dos media. Sempre com transmissões televisivas e muita gente no estádio. É impressionante o apoio na Segunda Liga. O Estugarda, nos últimos dois anos, não foi uma equipa estável e o plantel devia ser mais sólido e ter mais qualidade. Porque, no fundo, os maus resultados apenas demonstraram que havia falta de qualidade no plantel. Depois há consequências, e as equipas técnicas também não ficam por muito tempo e tem havido muitas alterações também a nível de treinadores e tudo isso deixa-me triste.

BnR: É possível que regressem à Bundesliga já na próxima época?

FM: As pessoas de Estugarda têm uma grande paixão pelo clube. Quando fomos campeões, a cidade teve de ser fechada porque já não cabiam mais pessoas lá dentro porque há, de facto, uma loucura enorme nesta cidade. Mesmo na Segunda Liga, os adeptos vão continuar a ser fanáticos e a apoiar e o Estugarda e acredito que com o historial e a qualidade que tem, vai conseguir subir já neste ano.

Mário Cagica Oliveira
Mário Cagica Oliveirahttp://www.bolanarede.pt
O Mário é o fundador e diretor-geral do Bola na Rede. É também comentador de Desporto na DAZN, SIC e Rádio Observador e professor universitário.

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