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O futebol de formação em Portugal tem vindo a ganhar muita visibilidade nos últimos anos. Com os grandes resultados nas selecções jovens e o número cada vez maior de atletas juvenis e juniores a irem para o estrangeiro, os nossos escalões de formação têm vindo a ser cada vez mais referenciados na Europa. No entanto, há uma questão que se coloca: o que é mais importante no futebol de formação? Os resultados ou o crescimento dos jovens atletas?

Ultimamente, tem-se vindo a aplicar cada vez mais uma expressão nas camadas jovens: formar a ganhar. Mas a maioria dos adeptos do futebol aborda essa expressão de forma superficial, pensando apenas no presente e nos resultados imediatos.

Conseguir bons resultados e conquistar títulos nas camadas jovens também tem a sua importância. Sempre defendi que implementar uma cultura e uma mentalidade de vitória nos miúdos e a conquista de títulos pode torna-los mais exigentes consigo próprios. Por outro lado, será que é a espetar goleadas todas as semanas que os jovens jogadores ganham “ferramentas” para o futebol profissional? Será que o simples facto de ganharem jogos e conquistarem troféus deixa os miúdos motivados e com o seu crescimento estimulado?

Quando se quer muito vencer jogos e conquistar troféus, será que os miúdos estão a trabalhar atributos essenciais no seu crescimento, como por exemplo, jogar em várias posições, arriscar o drible no um para um, desenvolver o pé não dominante? Vejamos as coisas da seguinte forma: para se vencer um jogo é preciso marcar golos, e se um jogador quer muito vencer e marcar golos tem de rematar com o pé que lhe dá mais garantias de fazer golo, consoante a posição em que se encontra. E por isso, é muito importante que um jogador desenvolva o pé não dominante.

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Porque em cada escalão da sua equipa, existem miúdos com uma qualidade acima da média e que a partir de uma certa altura, não ganham nada em competirem contra miúdos da mesma idade e quando isso acontece, a solução passa por esses miúdos queimarem etapas, sendo promovidos para um escalão superior onde possam ter este estímulo competitivo para crescerem enquanto atletas. Como tal, faz todo o sentido que nestas situações, os jovens jogadores sejam desafiados num escalão superior, em vez de continuarem a ser um peixe grande num lago pequeno.

Outra questão a ter em conta: será que jovens jogadores que estejam mais habituados a perder e que não conquistem títulos serão automaticamente menos ambiciosos. Francamente, não me parece.

Sem ter ganho títulos na sua formação, Ronaldo tornou-se num atleta de topo Fonte: UEFA.com
Sem ter ganho títulos nacionais na sua formação, Ronaldo tornou-se num atleta de topo
Fonte: UEFA

As derrotas como aquela que a equipa de juniores do SL Benfica sofreu na final da Youth League também fazem parte do processo de crescimento dos miúdos. As derrotas na formação podem contribuir para que os jovens atletas desenvolvam a sua força mental e se tornem mais empenhados no seu crescimento para ganhar no futuro. Por exemplo, sabem quantos títulos o Cristiano Ronaldo ganhou na sua formação? Dois, e apenas a nível regional. E não foi por isso que ele deixou de evidenciar uma qualidade técnica acima da média quando chegou à equipa principal do Sporting. E não foi por isso que ainda hoje ele não se cansa de ganhar nem de trabalhar para ser o melhor.

Mas qual é o papel de um treinador das camadas jovens no meio disto tudo? Ora, ser treinador no futebol de formação é uma tarefa mais complexa do que parece, e é um cargo de muita responsabilidade. Porque, os treinadores das camadas jovens têm uma participação activa na vida dos miúdos. E como tal, para além de lançar as bases da aprendizagem, também terá de lhes transmitir os valores sociais durante o seu crescimento, para que, acima de jogadores, também se consigam formar homens.

Foto de Capa: UEFA