A CRÓNICA: ISTO NÃO É FUTEBOL DE SEGUNDA

O GD Estoril Praia recebeu o FC Arouca no Estádio António Coimbra da Mota, num jogo a contar para a primeira jornada da Segunda Liga Portuguesa. O jogo não começou sem antes homenagear Vanessa Gomes, a primeira mulher a constituir a equipa de arbitragem num jogo profissional em Portugal.

A equipa da linha entrou muito forte e pressionante no jogo. Logo ao segundo minuto surgiu o primeiro golo da partida. Um bom cruzamento de João Diogo encontrou Vidigal dentro da área. O avançado angolano não deu hipóteses a Victor Braga e estava feito o 1-0 para os canarinhos.

O FC Arouca respondeu muito bem ao golo sofrido e foi equilibrando paulatinamente o jogo e os primeiros minutos foram completamente frenéticos.

O taco a taco entre os dois emblemas manteve-se durante grande parte da primeira parte e as oportunidades parte a parte foram surgindo. Destaque para a intervenção de Dani Figueira, a impedir o golo do empate depois de um bom lance de Heliardo, ao minuto 35.

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Do outro lado, Victor Braga negou o bis a Vidigal. O avançado do Estoril Praia ultrapassou dois adversários, mas não conseguiu bater o guardião brasileiro. Foi uma primeira parte muito bem jogada no António Coimbra da Mota.

Muito bom foi também o recomeço do FC Arouca, que entrou a todo o gás para trazer o jogo de volta à estaca zero. O médio Leandro, acabado de entrar, voltou a testar o guarda-redes caseiro Dani Figueira, que faz a terceira defesa da noite e mantém o Estoril na liderança.

Num jogo bem mais frio do que o visto na primeira parte, o próximo momento chave aparece por intermédio do extremo esquerdo estorilista, Bruno Lourenço, que testou a atenção de Victor Braga. O guardião arouquense fez uma defesa digna de fotografia ao minuto 71. Daí em diante, o jogo torna a aquecer.

A última boa oportunidade que o FC Arouca teve para chegar ao empate, nasce ao minuto 76 depois dum livre cobrado por Leandro, mas o ressalto que sobra para o extremo direito dos arouquenses, Adílio, é inconsequente.

Até ao apito final de João Malheiro Pinto, os arouquenses bem tentaram inverter a desvantagem. Mas os três pontos inaugurais da Liga Pro ficam mesmo no Estádio António Coimbra da Mota, a casa do Estoril-Praia que acaba por ser um justo vencedor da partida.

A FIGURA

Dani Figueira – O guarda-redes estorilista fez questão de demonstrar a grande forma em que se encontra. Fez seis defesas, três das quais foram verdadeiramente heroicas naquele que acaba por ser um jogo difícil para o Estoril Praia. A última barreira nunca tremeu e garantiu que os três pontos ficavam na linha.

O FORA DE JOGO

O minuto 1 do FC Arouca – A entrada do Estoril foi tão boa que no segundo minuto se antecipava uma goleada “à antiga” no António Coimbra da Mota. Mas, na verdade, bastou o primeiro minuto para ficar conhecido o resultado final do jogo. Um passo em falso custou aos arouquenses algo mais que uma derrota na jornada inaugural da Liga Pro.

ANÁLISE TÁTICA – GD ESTORIL-PRAIA

De regresso aos bancos portugueses, o técnico de 43 anos, Bruno Pinheiro, orquestrou um 4-4-2 de origem, que se transformava num 4-3-3 no primeiro momento de construção ofensiva. Com a nítida intenção de tirar proveito da velocidade do avançado cedido pelo Vitória SC, o ganês Yakubu Aziz, os canarinhos nunca se coibiram de lançar uma bola longa para as costas da última linha do FC Arouca e de tentar combinar com o talentoso ganês. O francês Rosier garantiu a consistência no equilíbrio do meio campo estorilista e ficou a evidente a importância do médio para a turma de Bruno Pinheiro. O Estoril acaba por ficar muito agradecido à fulminante entrada que teve na partida e conquista os três pontos num jogo atípico, mas bem disputado.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES  

Dani Figueira (8)

João Diogo (7)

Hugo Gomes (6)

Hugo Basto (5)

Joãozinho (6)

Bruno Lourenço (6)

Gamboa (6)

Rosier (7)

Zé Valente (7)

Yakubu Aziz (7)

Vidigal (7)

SUBS UTILIZADOS

Paulinho (6)

Cícero (-)

Crespo (-)

ANÁLISE TÁTICA – FC AROUCA

No seu primeiro jogo oficial como treinador do FC Arouca, o treinador Armando Evangelista apresentou um 4-4-2 tradicional. Consigo, os arouquenses gostam de pressionar alto no momento defensivo, com sentido de urgência na recuperação da posse da bola. Na transição ofensiva, o FC Arouca servia-se da qualidade técnica que tem nas alas, quer da experiência do brasileiro Adílio, quer da irreverência do congolês ex-Boavista Bukia. A equipa mostrou uma grande dependência da prestação do avançado Heliardo, que deu uma boa réplica daquilo que poderá vir a ser um dos grandes destaques da Segunda Liga. O jogo foi, claro, atípico, porque o Arouca teve de remar sempre contra a pesada maré que é começar a perder no primeiro minuto de jogo. Ou no segundo, neste caso.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES 

Victor Braga (6)

Thales Oleques (6)

Basso (6)

Brunão (6)

Joel (6)

Adilio (7)

Pedro Moreira (6)

Marco Soares (5)

Bukia (7)

Nuno Rodrigues (6)

Heliardo (7)

SUBS UTILIZADOS

Leandro (7)

Anthony Blondell (5) 

CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Bola na Rede: De que forma é que sofrer um golo tão cedo afetou o plano para este jogo?

Armando Evangelista: Condicionou muito. Obrigou-nos a pressionar alto 90 minutos. Isto leva a um desgaste elevado. Não pudemos explorar a profundidade e as transições da forma que queríamos. Havia períodos em que estava previsto baixarmos as linhas e dar a iniciativa ao Estoril. Isso não foi possível. Ainda assim, para primeiro jogo do campeonato, pelo que jogámos, pelo que corremos, estou satisfeito com a minha equipa.

Bola na Rede: Achei-o muito interventivo durante todo o jogo. Sempre muito comunicativo com os seus jogadores.  Depois Vimos aquela roda no final. De que forma é que tudo isto é importante para construir o espírito de equipa. E até onde é que acha que pode chegar este Estoril?

Bruno Pinheiro: Sim, este jogo foi muito importante para a construção do espírito de equipa. Tivemos algumas dificuldades com alguns jogadores de fora, mas conseguimos responder da melhor forma. A moral constrói-se melhor sobre vitórias do que sobre derrotas. O Estoril em termos de humildade e garra será sempre este, esteja quem estiver. Ainda vamos crescer muito!

Rescaldo da autoria de Diogo Dá Mesquita e Gonçalo Batista

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão