A CRÓNICA: SUBSTITUIÇÕES NO GIL VICENTE FC E GRANDE PENALIDADE NOS MINUTOS FINAIS MUDARAM TUDO

O Estádio Cidade de Barcelos recebeu o terceiro encontro da 20ª jornada da Primeira Liga. O Gil Vicente FC recebeu os açorianos do CD Santa Clara, num encontro que se previa equilibrado. De um lado, a equipa de Ricardo Soares mantinha-se na procura desesperada de sair da zona de descida, e por outro, a turma de Daniel Ramos procurava arrecadar pontos para continuar nos lugares cimeiros da luta pela manutenção.

O CD Santa Clara entrou de forma fogaz no encontro, criando total desequilíbrio à defesa do Gil Vicente. Em apenas quatro minutos no encontro, os açorianos criaram três oportunidades de perigo iminente à baliza de Denis.

Com meia hora no Cidade de Barcelos, o único briefing que se pode fazer é relativo à pressão ofensiva do CD Santa Clara, que esteve em muito maior escala do que a do Gil Vicente. A construção de jogo dos gilistas era demasiado temporizada e acabava por facilitar a tarefa defensiva da turma de Daniel Ramos. Já, no que concerne ao CD Santa Clara, viu-se uma rapidez e um critério que faltava à equipa de Ricardo Soares. O perigo que os açorianos apresentavam de cada vez que se aproximavam da área defendida por Denis dava a entender que o golo dos forasteiros podia aparecer a qualquer momento.

Puxando a matemática para as letras, e claramente exagerando (mas mostrando uma breve visão daquilo que estava a ser o jogo até então), em cada 50 lances, o Gil Vicente tinha sucesso em meio. Aos 38 minutos, esta “teoria” até poderia ter sido revertida. Ruben Fernandes fez um passe exímio para Samuel Lino que, com todo o tempo e espaço, apenas desperdiçou a oportunidade mais visível dos gilistas na primeira parte.

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Se tivéssemos de escolher uma figura da primeira parte, para além da entrada fulminante dos açorianos em jogo, escolhíamos o relvado. Choveu com mais intensidade no estádio do que a própria intensidade colocada no jogo durante a totalidade dos primeiros 45 minutos.

A segunda metade transpareceu o mesmo tipo de jogo da primeira, à exceção de ser notório um Gil Vicente com mais vontade em aparecer na zona de finalização, apesar de sem sucesso. Não só pelo critério de decisão, mas também pelo bom trabalho defensivo do CD Santa Clara.

A partir dos 65 minutos, a rapidez do CD Santa Clara começou a esvair-se o Gil Vicente começou mesmo a sobrepor-se no jogo. Ricardo Soares alterou por completo a frente de ataque gilista, com a ambição de dar frescura e outro ar à ofensiva de Barcelos, também na esperança de fazer mossa no resultado.

E a verdade é mesmo essa. Notou-se a diferença entre o talento e o “(es)tá lento”. As substituições feitas por Ricardo Soares alteraram por completo o rumo que o Gil Vicente estava a levar no jogo. Lourency, Leautey e Marques estavam a fazer total diferença na pressão atacante dos gilistas. Desde os 65 minutos que pouco ou nada se viu do CD Santa Clara na partida.

O sufoco permanecia, os golos não apareciam e o Gil Vicente continuava pressionante. Já para lá dos 90 minutos do tempo regulamentar, o árbitro Gustavo Correia apontou para a marca dos onze metros a favor dos gilistas. Pedro não desapontou a turma de Barcelos e marcou o único golo da partida e o golo da vitória.

 

A FIGURA

 

Substituições feitas por Ricardo Soares – O Gil Vicente pareceu desaparecido por completo da partida até o técnico Ricardo Soares fazer alterações no plano da equipa. A mudança completa do trio atacante dos gilistas fez com que o ritmo de jogo da equipa e o rumo do jogo se alterassem na totalidade, mantendo a equipa de Barcelos mais aguerrida na luta pelo resultado.

 

O FORA DE JOGO

Gil Vicente FC x CD Santa Clara
Fonte: CD Santa Clara

Adormecimento do CD Santa Clara – Os açorianos entraram com toda a força e vontade em ambas as partes do encontro e, mesmo tendo sido mais pressionante a nível ofensivo, não foi o suficiente para conseguirem levar outro resultado para a ilha. Não quiseram marcar.

 

ANÁLISE TÁTICA – GIL VICENTE FC

Ricardo Soares construiu a base do onze inicial dentro de um 4-3-3. Denis ocupou o seu lugar na baliza e Ruben Fernandes ocupou a zona central da defesa a par de Rodrigo. Paulinho e Henrique Gomes foram os laterais de serviço.

Pedro, Lucas Mineiro e Claude Gonçalves continuaram a comandar o meio-campo, com a missão de ajudar os homens da frente, Baraye e Fujimoto a servir Samuel Lino.

A nível de jogo, o Gil Vicente pouco agressivo foi. Existem momentos de jogo que notam lacunas nos momentos ofensivos. Nas bolas paradas, principalmente lançamentos, a equipa mantém-se praticamente imóvel, deixando os defesas da equipa adversária totalmente confortáveis a fazer o seu dever, e, consequentemente, dificultam a tarefa do colega que quer lançar a bola para jogo.

Já nas tarefas defensivas, o jogo rápido e fluído do CD Santa Clara dificultou bastante a tarefa. Valeu pelo bom posicionamento da linha defensiva em alguns momentos.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Denis (6)

Ruben Fernandes (7)

Rodrigo (6)

Pedro (7)

Fujimoto (7)

Claude Gonçalves (6)

Baraye (4)

Lucas Mineiro (6)

Samuel Lino (5)

Paulinho (5)

Henrique Gomes (6)

SUBS UTILIZADOS

Lourency (7)

Leautey (6)

Pedro Marques (6)

Diogo Silva (-)

Vítor Carvalho (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD SANTA CLARA

Daniel Ramos utilizou o seu esquema tático tradicional 4-3-3. Utilizou uma linha de quatro defesas bastante tradicional, composta por João Afonso e Fábio Cardoso na zona central.

O meio-campo a três foi ocupado por Anderson Carvalho no centro e Hide compôs, com Lincoln, as alas. Na frente, Ukra e Allano apoiaram as transições ofensivas e Cryzan, o homem mais avançado no terreno.

O CD Santa Clara mostrou-se bastante bem organizado no jogo, tanto a nível ofensivo como defensivo. As transições ofensivas mostravam-se bem trabalhas, bastante fluídas entre setores e rápidas o suficiente para conseguir descoordenar o setor defensivo do Gil Vicente.

A nível defensivo, os açorianos aparentavam ter a tarefa mais facilitada. O ataque demasiado temporizado dos gilistas tornava-se previsível e passível de cortes pela defesa açoriana. O bom posicionamento e coordenação entre jogadores e setores dificultou a tarefa ofensiva do Gil Vicente, mas facilitou a do CD Santa Clara.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marco Pereira (6)

Rafael Ramos (6)

João Afonso (6)

Fábio Cardoso (6)

Mansur (6)

Lincoln (5)

Ukra (6)

Hide (5)

Anderson Carvalho (6)

Allano (6)

Cryzan (6) 

SUBS UTILIZADOS

Jean Patrick (6)

Salomão (4)

Rui Costa (6)

Nené (5)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Gil Vicente FC

BnR: As primeiras três substituições que efetuou na partida mudaram totalmente o rumo e o ritmo de jogo do Gil Vicente. O que sente que falta na estratégia ofensiva da sua equipa, de forma a que consiga concretizar as oportunidades criadas, para além, obviamente, dos golos?

Ricardo Soares: Muito boa questão. Nós temos vindo a trabalhar, mas de uma forma pouco sustentada. Nós só recuperávamos porque tínhamos jogos de três em três dias. Houve um conjunto de jogos em que não concretizamos o objetivo de conquistar pontos, principalmente nas partes finais dos jogos. Havia esta falta de frescura fruto da densidade de jogos. Aliado a isso, a capacidade de trabalho que nós tínhamos vindo a fazer era diminuta. Era recuperar, jogar, recuperar, jogar. Com jogos de elevada competitividade, com equipas com pergaminhos no nosso futebol, isto acresceu mais dificuldade para nós. Esta semana já treinamos com a equipa toda e houve uma clara melhoria. Vínhamos de uma espiral negativa, a confiança não abundava. Mas, aos poucos, fomos crescendo e demos um bom sinal daquilo que pretendemos. Foi uma vitória justa. Gostava de a dedicar aos meus jogadores e aos nossos adeptos, que estão presentes de pensamentos. Vai ser um ano difícil para nós, temos consciência disso. Vai ser duro para toda a gente. Temos de estar unidos e cada vez mais unidos. Somos um clube que não faz barulho. Um clube honesto e que respeita o futebol. Penso que isso é de salutar.

CD Santa Clara

Não foi possível colocar questões ao técnico do CD Santa Clara, Daniel Ramos.

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