Prometo não me alongar em demasiado nestas linhas, até porque receio que no fim das mesmas o actual treinador do CD Nacional possa já ser o ex-treinador dos madeirenses. Até ver ainda não há notícias da sua saída. Vamos lá então tentar ser rápidos, justos e concisos.

Quis ‘a sorte’ que as duas equipas que mais desiludiram na 3.ª pré-eliminatória da Taça de Portugal – CD Nacional e Portimonense SC, se encontrem, mais daqui a umas horas, na abertura da jornada oito da Primeira Liga. Finalmente e após mais um longo interregno (três intermináveis semanas), dá-se o regresso do Campeonato.

Do lado dos visitantes, António Folha vem de uma derrota na Cova, que não teve Piedade perante um Portimonense macio e ‘de meninos’. Tal como disse o seu treinador, no jogo da Taça não foram homens que defenderam as cores dos algarvios. Tem toda a razão. Andaram ali a ver se não se cansavam muito e se ainda assim passavam à próxima fase.

Percebo as palavras proferidas por Folha, após a eliminação, mas pergunto-me eu: quem é que treina aquela equipa? Quem é o responsável pela motivação da mesma e pela responsabilidade que devem ter em campo? Desconcentrados? Aposto que não o estariam se o treinador tivesse tido um discurso do género: ‘Meus amigos. Este é o 11 inicial. Não quero facilitismos. Fiquem desde já a saber que quem não jogar como sabe e deve, que quem não der o máximo, quem não tiver 100% de concentração e responsabilidade, pode ter a certeza que passará um longo tempo fora da equipa.’

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Mas bom… vamos ao que me traz por aqui: Costinha e o seu Nacional. Acredito, com toda a convicção, que no próximo sábado, o treinador dos alvinegros será o ex-treinador do clube madeirense.

Não sou fã de Costinha. Nunca fui. Refiro-me ao treinador. O jogador esse sem dúvida que era o verdadeiro ‘ministro’ de um FC Porto histórico. Mas enquanto treinador acho-o razoavelmente fraco. Sei que o ano passado fez um grande trabalho na Madeira. Sei que antes falava muito bem, e com excelentes análises, numa rádio nacional e andou também pela televisão. Sei que esteve no Sporting CP numa fase complicada. Mas sei também que lhe falta ‘comer algum sal’ para poder ombrear com alguns da sua idade a quem são, muitas vezes, dadas menos oportunidades que ao actual mister do Nacional.

Quererão ainda os adeptos madeirenses um autógrafo do actual treinador do CD Nacional?
Fonte: CD Nacional

Há coisas que não entendo no nosso futebol. Alguns treinadores, que têm qualidade mais que visível, têm poucas ‘chances’, enquanto outros correm uma data de clubes, mesmo que os resultados não costumem ser os melhores. Talvez sejam como os jogadores: o mundo dos ‘bastidores’ muitas vezes faz a diferença. Mas isso daria outro artigo e o melhor é prosseguir para a Choupana antes que o jogo se inicie.

Talvez tenham sido geradas expectativas demasiado elevadas no regresso do Nacional à Primeira Liga. Talvez por vezes não seja fácil trabalhar com o histórico Presidente do clube madeirense. Mas tenho de admitir que este Nacional é fraquinho. Que joga pouco. Que o plantel não tem, a meu ver, a qualidade suficiente para uma época tranquila. Que a defesa deixa muito a desejar. Que o meio campo tem muito pouco virtuosismo e que o ataque não tem feito a diferença. Falta maturidade à equipa, e isso tem-se visto sobretudo nos jogos em casa e também no jogo da Taça.

O Nacional quando tem de assumir o jogo é ainda pior do que quando joga na retranca e no contragolpe. E mais: o seu treinador não tem tido a capacidade de colocar a sua equipa a jogar um futebol bonito, ou se isso for impossível, pelo menos um futebol minimamente seguro a defender e objectivo na transição e no ataque.

Ao ver-se o Nacional sente-se que a equipa raramente tem o jogo controlado (já nem falo em dominado). A equipa parte com uma estratégia e é fiel à mesma. Não vejo grandes alterações de dinâmica ou de plano de jogo perante os acontecimentos do mesmo. E isso deve-se, e muito, ao (não) dedo do treinador.

Francisco José Rodrigues da Costa tem cada vez as costas menos largas, e uma derrota ou um empate (dependendo da forma como acontecer) poderá consumar a sua saída. A mim surpreende-me que ainda lá esteja (acabei de verificar e ele ainda não abandonou o cargo). Acredito que não passará desta sexta-feira. E se porventura o Nacional vencer o Portimonense, a sua saída será somente adiada por mais algumas semanas.

 

Foto de Capa: CD Nacional