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O dia é 10 de maio de 2014. O local é Setúbal. Eram perto das 18 horas da tarde quando se confirmou o esperado: o Sporting Clube Olhanense era despromovido da primeira divisão de futebol e descia ao segundo escalão do futebol português, após mais uma derrota, por 3-1 frente ao Vitória de Setúbal. No total dessa época foram 18. O Olhanense ficava em último lugar do campeonato, com os mesmos pontos do Paços de Ferreira e exatamente o mesmo número de vitórias, empates e derrotas. Valeu a diferença de golos.

Após cinco épocas consecutivas na Primeira Liga, tinha chegado ao fim um período de alguma regularidade no máximo escalão do futebol nacional, com resultados até satisfatórios, sem grandes sobressaltos – aliás, os Rubro Negros até fizeram um dos seus melhores resultados da história, com um 8º lugar em 2011/2012. O início do fim foi na época seguinte, 2012/2013, com o clube a fugir à despromoção por apenas um ponto, juntando ao insucesso desportivo um lote imenso de dívidas às finanças.

Fonte: SC Olhanense
Um dos raros momentos de festejo no clube de Olhão
Fonte: SC Olhanense

A estas dívidas juntou-se também outro problema: segundo o Decreto-Lei n.º 10/2013, aplicado pela primeira vez na época 2013/2014, todas as sociedades desportivas que pretendessem participar em competições profissionais teriam de criar uma sociedade jurídica desportiva, as chamadas SAD (Sociedade Anónima Desportiva). O SC Olhanense, não tendo uma SAD até à temporada mencionada, teve de formar uma de modo a poder participar nessa época desportiva.

Em junho de 2013 é então criada – um pouco à pressa e sem reflexão – uma sociedade anónima desportiva para o Olhanense, beneficiando o clube de um investimento de 1,5 milhões de euros por parte de investidores italianos, encabeçados por Igor Campedelli, ficando os mesmos a deter 80% do capital social da SAD. Apesar do elevado peso dado pelo clube aos seus investidores, até aqui tudo parece estar bem, com os algarvios a resolverem dois problemas de uma só vez: a não existência de uma sociedade desportiva e as dívidas às finanças e segurança social. Quase quatro anos volvidos podemos dizer que afinal não, nada está bem.

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Foto de Capa: SC Olhanense