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Cabeçalho Futebol Nacional

Caro Sr. Fernando Gomes

O meu nome é João. Escrevo-lhe porque os últimos tempos cá em casa têm sido um bocadinho aborrecidos. As tardes e noites de futebol com o meu pai deixaram de praticamente existir. Agora o meu pai diz que só quer saber do Mundial de 2018 e das Competições Europeias.

Pedi ajuda à minha irmã, que é uns anitos mais velha que eu, para lhe escrever este e-mail (até porque eu ainda não tenho email e também não percebo muito bem como funciona). A verdade é que ela até ficou toda contente em me ajudar. Acho que ela também está um bocadinho farta de tanta novela na nossa TV. A minha mãe é que anda toda contente: agora passa a vida a comentar as novelas do fim do dia e as da noite com a nossa vizinha do rés-do-chão que é já viúva há alguns anos e que a única companhia que tem é o gatinho Malaquias (que às vezes até vem brincar comigo) e o som das novelas (brasileiras e portuguesas) que dão todo o dia na TV dela.

Mas voltando ao motivo do meu email… O meu pai anda realmente um bocadinho chato sabe? Até o noto mais triste. Acho que para além de ele adorar o futebol e de com ele “sofrer”, o futebol servia também para ele “descarregar” um bocadinho. E agora isso não tem acontecido. Isto tem sido uma fase complicada. Espero que não sobre é para mim. E eu que me lembrei agora que não fiz os trabalhos de Matemática que a professora pediu.

Estarão os senhores do futebol a destruir a beleza do Futebol jogado por milhões de crianças? Fonte: Ludopédio
Estarão os senhores do futebol a destruir a beleza do Futebol jogado por milhões de crianças?
Fonte: Ludopédio
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Primeiro foi o Ciclismo: desde que tenho memória que me lembro de ver com o meu pai os ciclistas em algumas das provas míticas que embelezam as estradas sobretudo da Europa. Nunca o vi correr, mas o meu pai mostrou-me muitas corridas daquele senhor americano que ganhou bastantes Voltas a seguidas. Isto antes de chegar ao pé de mim e dizer: “Olha, parece que ele fazia batota.” Depois gostávamos muito do Contador. Até ao dia em que chegou ao pé de mim e disse “Olha, parece que este também fez batota pelo menos uma vez.” Acostumei-me, nos últimos tempos, a ver aquele inglês a ganhar provas. Parecia mesmo bom ele. Mas o meu pai, muito abatido, no outro dia disse-me: “Esquece filho. Mais um que parece que fazia batota.” Sinceramente não sei se haverá mais provas de bicicletas cá em casa.

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