A história de uma competição faz-se dos seus participantes, de quem a integra, de quem a joga, neste caso. Os clubes são a âncora, são a imagem de quem projeta uma ideia sobre a sua realidade. Alguns estão lá quase sempre, outros são mais recentes e outros vão e voltam, como se de um destino agradável se tratasse. Podia estar a falar de outras, mas refiro-me à Segunda Liga (atualmente conhecida como LigaPro).

Uma prova que é normalmente vista como bastante competitiva e que lança anualmente as suas melhores equipas para o escalão máximo do futebol nacional, assim como revela diversos jogadores e treinadores. Neste sentido, este artigo foca-se nos históricos desta competição, isto é, aqueles que fazem parte da edição atual com dez ou mais participações desde 1990/1991 – altura em que foi criada como Segunda Divisão de Honra.

Antes de mais, convém iniciar pela equipa sensação deste campeonato, que tal como o FC Famalicão na Primeira Liga, ninguém acreditaria que fosse líder isolada à passagem da primeira pausa para os compromissos das seleções. Ocupa a sétima posição dos clubes com mais participações na Segunda Liga – conta com 17 – e está a fazer por voltar ao escalão máximo, onde já não compete desde 1988, uma vez que garantiu o seu melhor arranque de sempre.

O SC Covilhã de Ricardo Soares está a viver um grande início de temporada e a demonstrar qualidade e competência. O ex-técnico de GD Chaves e Académica OAF tem aqui uma boa oportunidade para relançar a carreira, se bem que é ainda bastante cedo para considerar os serranos como principais candidatos à subida.

Passando para o clube que se instalou na sua divisão “predileta”, pois conta com 24 participações em 30 possíveis e ocupa a segunda posição deste ranking (apenas atrás do CD Aves), o FC Penafiel de Miguel Leal espera um dia poder voltar à divisão principal, onde só esteve por três vezes neste século. Os durienses já eliminaram o CD Tondela da Taça da Liga, tendo sido esse o maior feito até agora. O CD Feirense surge logo a seguir ao FC Penafiel na lista dos clubes com mais participações na Segunda Liga – com 21 – e tenciona regressar o mais rapidamente possível ao escalão principal, de onde saiu este ano. Os fogaceiros têm alcançado habitualmente posições cimeiras na Segunda Liga nos últimos tempos, prevendo-se desempenho semelhante.

Quem também ambiciona regressar aos “tempos de primeira” são os dois históricos, Leixões SC e Varzim SC, que têm andado grande parte dos últimos anos a disputar a divisão atual. Ambos contam com 18 participações e não vêm os ‘’palcos de primeira’’ desde a época 2009/2010 para os leixonenses e 2002/2003 para os poveiros. Os dois conjuntos começaram o campeonato atual algo intermitentes, mas a expectativa é que possam realizar um percurso tranquilo, embora andem longe do poderio que já obtiveram no futebol nacional, nomeadamente nos anos 60 e 70.

A Segunda Liga tem 18 participantes, sendo que dois deles ascendem ao escalão principal
Fonte: Liga Portugal
Outra das formações com história nesta prova é o GD Estoril, que conta com 16 presenças. A equipa da Linha viveu os seus melhores anos recentemente, quando participou na Liga Europa. Desceu há duas temporadas e o técnico Tiago Fernandes foi o escolhido, esta época, para elevar de novo o nome do clube. Os canarinhos serão certamente um dos conjuntos que farão parte do carrossel da frente.

Por falar em história, segue-se a Académica OAF com 14 presenças. Esta é uma instituição com larga história no nosso país e que se habituou a andar nos maiores corredores do futebol nacional, mas que participa pela quarta época consecutiva no escalão secundário. A Briosa, tal como ‘’manda’’ o seu historial, compete todos os anos para subir e este não será exceção, com César Peixoto agora ao comando.

Também com 14 presenças nesta Segunda Liga aparece o GD Chaves de José Mota. O experientíssimo treinador vai tentar recolocar o clube na principal competição, que abandonou precisamente este ano. Os transmontanos viveram os últimos três anos no maior palco da categoria e tentam recuperar essa aura positiva.

A seguir, temos o Académico de Viseu FC que conta com 13 participações. Os viriatos regressaram aos campeonatos profissionais em 2013 e esta é já a sétima época consecutiva que disputam este escalão. Se olharmos para o seu historial recente, percebe-se que não é um clube que costuma estar inserido na luta pela promoção, apesar de ter estado muito próximo de a alcançar há dois anos.

Por fim, surge uma das formações que está há mais anos consecutivos a disputar esta competição – são já 11. Curiosamente, a UD Oliveirense tem 12 presenças, o que faz do clube um dos mais assíduos da Segunda Liga neste século. A verdade é que os melhores tempos já lá vão – quando lutavam pela promoção, no início desta década.

A terminar esta lista está o CD Nacional que regressa a esta prova depois a ter vencido há duas temporadas, registando dez presenças. Os madeirenses habituaram-se a ser de ‘’Primeira’’ ao longo deste século, mas têm oscilado um pouco nos últimos anos. Para se ter uma melhor ideia, esta é apenas a quarta época que o clube disputa a Segunda Liga nos últimos 20 anos. O objetivo será sempre o de lutar pela subida, com a aposta a recair num dos técnicos mais jovens da prova e responsável pela ascensão do Mafra em 2017/2018.

Em suma, pode-se concluir que apenas três destas formações sagraram-se campeãs desta competição desde o período analisado, tendo vencido o respetivo troféu: o Leixões SC e o CD Nacional por uma vez e o GD Estoril em duas ocasiões.

Afinal, quem tem melhores condições para subir?

Ao estarmos a falar de históricos, estamos a falar de formações com experiência acumulada nesta prova e que, tendencialmente, ambicionam alcançar o “ouro”, isto é, a desejada subida de divisão. Tradicionalmente, as equipas que descem da Primeira Liga são vistas como fortes candidatas à subida, o que não invalida, obviamente, outras candidaturas de relevo.

No final das contas, apenas duas formações conseguirão a promoção e, pessoalmente, vejo o GD Chaves como um dos mais fortes candidatos. Pelo trajeto que foi construído nos últimos anos na Primeira Liga, apesar do fracasso do último, tendo ficado a ideia de que a equipa era capaz de fazer muito melhor, pois apresentava um grupo suficiente com um conjunto de jogadores interessantes. Por esta mesma razão, a ambição deverá passar por recolocar o clube nos grandes palcos e, para isso, contam novamente com um plantel capaz de dar resposta às suas pretensões.

A acrescentar, está um técnico com um vasto currículo no ‘’futebol de primeira’’, um dos mais experientes e que já mostrou que sabe andar nisto. Todos estes fatores julgo serem suficientes para ‘’colocarem’’ os transmontanos na rota da subida.

 

Foto de Capa: Liga Portugal

Revisto por: Jorge Neves

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