“Vivemos em Setúbal, uma terra de machos”. Foi esta a frase que o Lito Vidigal disse na conferência de imprensa após o jogo contra o SL Benfica, quando foi questionado pelo seu estilo de jogo abusivamente agressivo. Ao ter ouvido estas palavras, muita coisa me passou pela cabeça. Mas a principal conclusão a que eu cheguei é que é de machos que a malta gosta.

Eu parto do princípio de que tudo aquilo que se vê dentro das quatro linhas parte sempre um pouco da mentalidade das pessoas, mais precisamente, das pessoas que estão nas bancadas. Como tal, acho que qualquer pessoa que acompanhe o futebol português consegue ver que os machos são aquilo de que o povo gosta.

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Mas, afinal, o que são os machos? Os machos são aqueles apologistas do autocarro, do anti-jogo e das equipas “sarrafeiras”, do futebol de contenção medíocre, das equipas que mais se preocupam em não deixar jogar o adversário do que mostrar um futebol positivo que valorize o jogo e o jogador, são os apologistas da dureza e agressividade em detrimento das ideias e do modelo. Os machos são aqueles que mais contribuem para o facto da Primeira Liga ser o campeonato da Europa com menor tempo útil de jogo.

José Mota sempre se tem caracterizado pelo seu futebol de contenção
Fonte: CD Aves

Outro dos “machos” mais conhecidos do nosso futebol, José Mota, até tem tentado deixar outra imagem nos jogos contra os grandes, nomeadamente na Supertaça e no último jogo contra o Sporting, onde mostrou uma equipa a jogar de forma mais aberta e a enfrentar o adversário olhos nos olhos, o que por um lado até é compreensível visto que é nestes jogos que têm mais visibilidade, mas ao receber ‘clubes do seu campeonato’ já regressa às velhas lides.

Com isto, eu quero dizer que são os “machos” que contaminam o futebol português e proporcionam espectáculos paupérrimos para as bancadas. E, por favor, não me venham com a conversa de que cada treinador tem a sua estratégia e as suas armas e que temos de respeitar isso. As pessoas vão ao estádio para ver futebol, pagam bilhete e o dinheiro custa a ganhar. Mas, em vez disso, vão ao estádio para verem equipas a demorar eternidades para repor a bola em jogo e jogadores a simularem lesões, e os adeptos gostam.

É por isso que enquanto formos dominados pela mentalidade dos Litos Vidigais e Josés Motas desta vida, o futebol português dificilmente andará para a frente. Que as ideias de Marcel Keizer, Ivo Vieira e Nuno Manta Santos perdurem no nosso futebol e consigam deixar uma imagem mais positiva e que atraia mais seguidores em Portugal.

 

Foto de Capa: Vitória FC

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro