A CRÓNICA: O PESO DE UM AMBIENTE AGITADO

Debaixo de um ambiente frenético em Belgrado, o CD Santa Clara não conseguiu dar seguimento à grande campanha europeia que vinha fazendo e acabou derrotado pelo FK Partizan por 2-0. Dois minutos de tremenda passividade no primeiro tempo foram fatais para um desfecho inglório para a equipa portuguesa.

Empolgados pelos seus adeptos, os sérvios arrancaram melhor e causaram o primeiro susto logo ao minuto 3’, com Jovic a finalizar na recarga uma grande jogada de Soumah. Foram festejos muito curtos devido à bandeirola levantada por fora de jogo. Os açorianos tentaram acalmar o ritmo da partida, mas a tarefa de travar as investidas adversárias complicou-se e eis que surgiu a primeira contrariedade: Villanueva cometeu um penálti desnecessário sobre Soumah e Ricardo Gomes encarregou-se de inaugurar o marcador à passagem dos 25 minutos de jogo.

Com a eliminatória empatada, o Santa Clara nem teve tempo de reajustar a estratégia dado que, dois minutos depois, um novo erro voltou a ser fatal. Marco Pereira calculou mal a distância do canto cobrado por Jojic e Sanicanin apareceu ao segundo poste para virar a eliminatória. Até ao intervalo, a equipa açoriana apenas conseguiu assustar num livre direto de Lincoln.

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Num segundo tempo com muito pouca baliza, a primeira equipa a ameaçar o golo até foi o Partizan, num novo cabeceamento de Sanicanin após bola parada. Daniel Ramos mexeu na equipa e foi com a entrada de Crysan que os Bravos Açorianos passaram a ter mais bola e a circular com ligeiro perigo junto da área contrária. Os remates não surgiram junto da baliza de Popovic e até foi o recém-entrado Holender quem esteve mais perto de fechar o jogo e a eliminatória.

Nem mesmo os oito minutos de compensação (justificados por uma paragem causada por alegados insultos racistas a Allano) foram suficientes para o Santa Clara encostar o Partizan às cordas com oportunidades esclarecedoras. Ao sexto jogo europeu, os açorianos somam a primeira derrota e acabam eliminados pelos sérvios mesmo à beira da fase de grupos da Conference League.

A FIGURA

Sinisa Sanicanin – O golo que marcou ajudou para que fosse esta a escolha como figura do jogo, mas além da importância desse momento, o central bósnio de 26 anos destacou-se ainda na forma imperatória como abordou os duelos aéreos e as desmarcações dos avançados do Santa Clara. Sanicanin esteve ainda perto de bisar e ampliar a vantagem, mas a intransponibilidade defensiva tratou de corrigir essa oportunidade desperdiçada.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Mikel Villanueva – Acaba por estar ligado ao princípio do fim da aventura açoriana. O central venezuelano é um dos grandes ativos do clube português, mas realizou uma exibição globalmente fraca no jogo mais importante da época até ao momento. A juntar ao penálti cometido de forma desnecessária, o defesa de 28 anos somou algumas abordagens infelizes às movimentaçõesdos adversários, o que por vezes permitiu maior perigo junto da baliza de Marco.

 

ANÁLISE TÁTICA – FK PARTIZAN

Aleksandar Stanojevic optou por alterar quatro peças em relação ao jogo da primeira mão em todos os setores: Ivan Obradovic colmatou a ausência de Slobodan Urosevic na linha defensiva, Sasa Zdjela rendeu Aleksandar Scekic no duplo pivot, Seydouba Soumah entrou para o lugar de Bibars Natcho no centro e Nemanja Jovic substituiu Filip Holender na ala esquerda do ataque.

Como tem vindo a ser habitual, os sérvios iniciaram o encontro em 4-2-3-1, com as quatro unidades mais adiantadas a posicionarem-se no terreno em pressão alta e os médios mais recuados a travarem as principais armas do Santa Clara fora do último terço do terreno. O golo que inaugurou o encontro trouxe consigo a resiliência em virar a eliminatória, mas depois disso as linhas do Partizan recuaram ligeiramente, mantendo-se a vantagem até ao intervalo.

Com uma estratégia mais defensiva vinda dos balneários, o Partizan apoiou-se sobretudo nos rasgos de qualidade individual de Markovic e Jovic para levar perigo à baliza contrária. A pressão alta deixou naturalmente de existir, mas mesmo a defender mais baixo, conseguiram gerir a partida sem bola. As substituições foram preciosas para renovar a frescura nos corredores laterais.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Aleksandar Popovic (6)

Aleksandar Miljkovic (6)

Sinisa Sanicanin (8)

Igor Vujacic (7)

Ivan Obradovic (5)

Sasa Zdjelar (5)

Milos Jojic (6)

Seydouba Soumah (6)

Nemanja Jovic (6)

Lazar Markovic (6)

Ricardo Gomes (7)

SUBS UTILIZADOS

Bibars Natcho (6)

Danilo Pantic (5)

Filip Holender (6)

Aleksandar Scezkic (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD SANTA CLARA

Também Daniel Ramos fez quatro modificações em relação ao jogo dos Açores, inclusive na baliza: Marco Pereira rendeu Ricardo Fernandes entre os postes, João Afonso substituiu Kennedy Boateng no eixo da defesa, enquanto que, na frente de ataque, Mohammed Bouldini e Allano preencheram as vagas deixadas por Rui Costa e o já transferido Carlos Júnior.

Alinhados em 4-2-3-1, os açorianos tiveram alguma dificuldade para construir a partir de trás, principalmente face à pressão adversária em querer recuperar a bola rapidamente. Para contrariar essa tendência, a aposta nas iniciativas individuais e nos passes em profundidade foi crescendo com o intuito de desequilibrar as linhas opostas. Morita, sempre muito móvel e estratega, afirmou-se como a peça que abriu mais espaços para fluir o jogo, sobretudo na reação aos golos sofridos.

Numa segunda parte com mais disputas de bola no meio-campo, Daniel Ramos promoveu a entrada de Crysan e Rui Costapara dar mais frescura ao setor ofensivo e, de certa forma, tais opções foram cruciais para desequilibrar numa curta parte do jogo, mas nunca com o devido seguimento na hora de rematar à baliza.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marco Pereira (4)

Mansur (5)

Mikel Villanueva (4)

João Afonso (7)

Rafael Ramos (6)

Anderson Carvalho (6)

Hidemasa Morita (7)

Lincoln (7)

Jean Patric (5)

Allano (6)

Mohammed Bouldini (5)

SUBS UTILIZADOS

Crysan (7)

Rui Costa (6)

Ricardinho (5)

Nené (-)

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