O nosso campeonato está recheado de jogadores estrangeiros e daí vêm muitas críticas, mas não há dúvidas de que grande parte deles contribuem para o futebol nele praticado. Se são muitos os estrangeiros de baixa qualidade e que tiram o lugar a jogadores portugueses, também são muitos aqueles que realmente conferem a “nota artística” que tanto se ambiciona.

Prova disso são as várias ausências que os plantéis verificam quando as provas nacionais param para as jornadas amigáveis ou de competição das seleções nacionais. No entanto, nem todos os estrangeiros de qualidade veem o seu valor recompensado com idas à sua seleção, pelas mais variadas razões. Exemplos disso são os defesas Alex Telles, Álex Grimaldo, Cristiano Piccini e Nikola Maras, os médios Filip Krovinovic e Wakaso e o avançado Shoya Nakajima.

A seleção brasileira parece ter alguma obrigatoriedade de convocar jogadores que atuam no Brasileirão e só assim se explicam as convocatórias de Fagner e Rodrigo Caio no lugar de jogadores de elevada qualidade como Alex Sandro, David Luiz ou Danlio. Posto isto, e esquecendo por momentos a sua recente lesão, as portas da canarinha parecem bem trancadas para o dragão Alex Telles, apesar das suas épocas recentes e de ter sido visto e avaliado várias vezes por adjuntos de Tite.

De um “mal” parecido sofre Álex Grimaldo. Ao lateral espanhol do SL Benfica ninguém lhe nega qualidade nem a capacidade de representar o seu país, o problema está naqueles que com ele “competem” por um lugar na convocatória de Julen Lopetegui. Para se instalar numa das alas de “La Roja” ou apenas no banco, Grimaldo teria de superar nomes como Jordi Alba, Cesar Azpilicueta, Marcos Alonso, Dani Carvajal ou Álvaro Odriozola. Não será impossível e Grimaldo tem ainda uma grande margem de progressão, mas neste setor, a Espanha está muito bem servida.

Debaixo de duras críticas, a Itália não estará presente no Mundial deste verão e defende-se uma reestruturação total do futebol italiano. Apesar dos problemas inerentes à tentativa de remodelação, uma “Squadra Azzurra” de “cara lavada” poderá sempre contar com defensores de qualidade. Muito dependente do estilo de jogo que passar a apresentar e da formação que a seleção adotar, Cristiano Piccini, o defesa lateral leonino, pode desejar uma chamada à seleção e aí fazer de tudo para que possa por lá ficar. Terá de superar, no entanto, nomes como Andrea Conti, Matteo Darmian, Danilo D’Ambrosio ou Alessandro Florenzi.

No lote de defesas estrangeiros a atuar em Portugal e que esperam pela chamada à seleção, encaixa ainda Nikola Maras. Melhor dizendo, Maras já atuou num amigável da seleção principal da Sérvia e numa competição sub-21 realizada no ano passado. Beneficiando de uma excelente adaptação ao futebol português e de um treinador que trata os jovens e o seu lançamento como ninguém, o sérvio augura agora à sua própria evolução de forma a tornar constantes as suas chamadas à seleção dos Balcãs.

Na zona central do terreno, destaque para os médios do SL Benfica e Vitória SC. Filip Krovinovic, croata de 22 anos, chegou dos vilacondenses com grande potencial de evolução que confirmou ao atuar pelas águias. Com sete jogos realizados pela seleção sub-21 numa fase final em 2017, Krovinovic apresenta-se como um futuro maestro do meio campo encarnado e só a grave lesão atrasa essa afirmação. No entanto, à semelhança de Grimaldo, vê a seleção como uma meta difícil para um futuro próximo. O meio campo da Croácia conta com nomes como Luka Modric, Milan Badelj, Ivan Rakitic, Marko Rog, Marcelo Brozovic ou Mateo Kovacic. Afigura-se, portanto, uma tarefa monstruosa para o médio benfiquista e resta-lhe esperar que figuras míticas atuais da seleção croata, como Modric ou Rakitic, na “casa dos 30”, se retirem em breve.

Wakaso destaca-se pela regularidade em todos os clubes por onde passou em Porugal
Fonte: Vitória SC

Por outro lado, o ganês Alhassan Wakaso ainda espera a sua primeira internacionalização. Quase sempre em Portugal, no Portimonense SC, Rio Ave FC e agora Vitória SC, as épocas de Wakaso caracterizam-se pela regularidade e pelo considerável número de jogos realizados em cada época. A sua concorrência resume-se a Mubarak Wakaso, Christian Atsu, Ebenezer Ofori, Edwin Gyasi, Godfred Donsah, Nasiru Mohammed ou Nana Ampomah. Se alguns são dos melhores jogadores da própria seleção, como Atsu, Ofori ou Donsah, Wakaso pode aspirar a substituir Mohammed ou Gyasi.

Nakajima é uma das revelações da presente temporada
Fonte: Portimonense SC

Em terrenos mais adiantados surge o exemplo de Shoya Nakajima. O atacante japonês é uma das revelações do nosso campeonato e desde cedo despertou o interessa de várias equipas portuguesas. A agitação do mercado de inverno levou o jogador nipónico a assumir uma preferência e gosto pessoal em representar os azuis e brancos que comandam o campeonato. Tantas boas exibições, golos bonitos e cobiças levaram o selecionador do Japão a convocá-lo para compromissos amigáveis e o primeiro não podia ter corrido melhor. Entrou aos 60 minutos do encontro frente aos africanos do Mali e fez o golo do empate final (1-1) aos 90’ + 4’. Se aliar as boas exibições ao serviço do Portimonense SC a boas exibições pela “terra do sol nascente”, poderemos ver Shoya Nakajima no Mundial da Rússia deste ano.

 

Foto de Capa: SL Benfica

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