A festa da Taça é o apogeu de todas as combinações perfeitas para aquilo que devia ser, de facto, o futebol português. A animação que se vive horas antes do apito inicial mesmo antes dos adeptos entrarem no estádio tem qualquer coisa de fantástico. Verdade seja dita: com muita cerveja à mistura, o ambiente da Taça reflete o prazer pelo desporto, nomeadamente o futebol, e não por um clube.

As cores da camisola são esquecidas por momentos e as rivalidades trespassem para um outro qualquer mundo paralelo ao nosso. Que elas existem, existem. Apenas ficam guardadas num cantinho onde ninguém as lembra. Porque, no final de contas, festa é festa e a Taça de Portugal é isso mesmo: não é nada mais nada menos do que uma festa anual onde dois clubes portugueses têm o privilégio e, claro está, também o mérito de pertencer. Festa essa onde se comemora tudo o que o futebol tem de bom para nos dar. Bancadas cheias de adeptos, muita animação, fair-play, tudo isso… Por que é que não é sempre assim?

Mas a Taça de Portugal não adquire o caráter peculiar somente por isso. Toda a festa dentro de campo e, inclusive, no momento da entrega da bola, é também de ressalvar. Este ano a bola foi entregue por motociclistas que, em pleno estádio do Jamor, fizeram acrobacias de alto risco. Lembro-me bem de um ano em que o esférico foi entregue por um paraquedista ou, por exemplo, um outro em que apareceu por intermédio de um truque de magia. São estas pequenas grandes coisas que tornam a final da Prova Rainha ainda mais especial.

Vários são os churrascos feitos pelos adeptos no convívio antes do apito inicial
Fonte: FPF

Para além disso, A Portuguesa que ecoa em pleno Estádio Nacional minutos antes do apito inicial também é uma especificidade de ressalvar. Recorda-nos que, no fundo, por detrás das cores de clubes que possamos apoiar, ou até mesmo envergar, estão as cores de uma pátria. Uma pátria que por vezes passa para segundo plano quando são postos em cima da mesa amores clubísticos que suscitam os sentimentos mais primários do ser humano.

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A Taça de Portugal dá também espaço para os clubes ditos mais pequenos, onde, num formato muito mais propício a surgirem os ditos “outsiders”, muitas vezes se vê emblemas não tão conhecidos em contextos de grandes palcos. Bem sei que este ano nem foi tão propício a isso, pois tivemos uma final entre dois grandes, mas recordo que ainda na temporada passada o CD Aves venceu a prova. Clubes como o CF Estrela da Amadora, SC Beira-Mar, Vitória FC, Académica OAF, Vitória SC e SC Braga também já foram felizes neste contexto e puderam fazer história.

A Taça de Portugal é especial por estas e tantas outras razões e, por isso mesmo, deveria ser exemplo para mais espetáculos no panorama do futebol português, onde por vezes o clima é tão tóxico que torna-se quase “irrespirável”.

Foto de Capa: FPF