Do outro lado, estava uma equipa que, para além do desinvestimento no plantel e das limitações do treinador, também mostrou não estar física e mentalmente a altura das exigências da última época. Uma das imagens de marca da equipa encarnada na última temporada foram as exibições personalizadas na primeira parte e as grandes quebras de ritmo na segunda.

Apesar das deficiências de Rui Vitória a ler o jogo e as suas substituições também não ajudarem e desmotivarem a equipa, o problema não é só esse. A meu ver, a principal causa desta quebra era a fraca capacidade/disponibilidade física da equipa, principalmente do meio-campo para a frente. Essa causa é bem notória quando, por exemplo, a equipa na segunda parte perdia mais duelos e disputas de bola.

É verdade que nos dias de hoje é muito importante numa equipa de futebol ter jogadores inteligentes que tomem as decisões certas e saibam sempre o que fazer com a bola nos pés e o Benfica tem desses jogadores tais como Jonas, Pizzi e Krovinovic. Mas também não é menos verdade que, para que uma equipa seja regular e tenha uma atitude dominadora ao longo dos 90 minutos, é necessário um suporte físico consistente.

O Benfica de Rui Vitória apresentou deficiências físicas na época passada
Fonte: SL Benfica

Se formos verificar, reparamos que no plantel, os avançados Jonas, Seferovic e Raúl Jiménez são os únicos jogadores do plantel com mais de 1.80m e isto é bem mais importante do que muita gente pensa. Este problema não é de agora. As deficiências físicas do plantel começaram a tornar-se mais visíveis após as saídas de Renato Sanches e Gonçalo Guedes, dois jogadores com uma capacidade física acima da média para as suas idades e que os ajudou muito a sobressair na equipa principal.

Ao observarmos as duas equipas no jogo do título, podemos muito bem ver a diferença: de um lado estava Grimaldo, Zivkovic, Rafa e Cervi (sem colocar em causa a qualidade destes jogadores); do outro estavam Alex Telles, Herrera, Sérgio Oliveira e Marega. De um lado estava uma equipa de ‘meninos’, do outro estava uma equipa de ‘homens’, de ‘animais de competição’.

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No desporto de alta competição é preciso força física e mental. Física para levar a melhor nos duelos e disputas de bola em jogos de maior intensidade, mental para suportar as exigências de uma época inteira em várias frentes. E, no nosso último campeonato, esses factores tiveram um peso decisivo.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro