Embalados por uma excelente exibição no Estoril, o Gil Vicente FC ia para a 30.ª jornada da Segunda Liga (a última) com a pressão de vencer para voltar ao principal escalão do Futebol português. Para além desta, havia a pressão que vinha do CD Trofense, 3.º classificado com menos um ponto, e também a matemática hipótese de sonhar com o título caso o líder, CD Feirense, tropeçasse. Em suma, tudo podia acontecer nesta última batalha: a glória do título; apenas a subida ou a permanência na Segunda Liga.

Viajamos até 29 de maio de 2011. Este foi o dia em que Barcelos parou por completo para ver o clube da cidade. Num dia que podia ser histórico, 12 mil pessoas encheram por completo o Estádio Cidade de Barcelos numa moldura humana fora do normal. Digamos que eram olhos postos no que acontecia no relvado e, com a ajuda do rádio, de ouvido em Santa Maria da Feira à espera de um tropeção do CD Feirense. Os gilistas dependiam de si para a vitória e consequente subida, mas para ser campeões? Era preciso algo mais.

Se os adeptos gilistas já estavam em festa mais ficaram quando logo aos três minutos as redes do CD Fátima balançaram. Com um lance individual excelente, Rodrigo Galo ficou em posição perfeita para cruzar e foi o que fez. O desvio do defesa do CD Fátima acabou por ser certeiro para a cabeça de Luis Carlos, que só teve de direcionar a bola para a baliza e marcar o primeiro. Era o 1-0 e melhor começo de jogo era impossível.

Apesar das oportunidades, novo golo gilista só se viu, e ouviu, aos 28 minutos. Tudo começou num passe longo de André Cunha para Luis Carlos, que trabalhou bem a bola e deu para Júnior Caiçara. O brasileiro ainda rematou, mas a bola embateu nos defesas do CD Fátima. Disparado de trás apareceu João Vilela para, de primeira, marcar o 2-0 para os barcelenses. Ainda nem à meia hora de jogo se tinha chegado e já estava tudo bem encaminhado para os lados de Barcelos.

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Ao intervalo, mantinha-se o resultado em Barcelos de duas bolas a zero e em Santa Maria da Feira… um surpreendente empate entre CD Feirense e Leixões SC. Nos Açores, o CD Trofense ia vencendo o CD Santa Clara, mas pouco havia a fazer para os homens da Trofa, que estavam “condenados” à permanência. Com esta combinação de resultados, os gilistas eram os novos campeões da Segunda Liga.

A combinação de resultados do intervalo manteve-se até ao final dos jogos e o Gil Vicente FC foi campeão da Segunda Liga (Recortes do Jornal A Bola de 30 de maio de 2011)
Fonte: João Barbosa/Bola na Rede

Na segunda parte, um calafrio apareceu aos 72 minutos para todos os presentes no estádio. Cláudio fez um atraso perigoso para Jorge Baptista, que, com os pés, tentou aliviar a bola o mais longe possível. Infelizmente, o esférico foi parar redondinha a Moreira e o 25 do CD Fátima marcou um “golaço”, reduzindo para 2-1 o resultado.

Mas é usual ouvir: “o melhor guarda-se para o fim” e neste caso não foi diferente. O último suspiro do CD Fátima para chegar ao empate deu a vitória aos gilistas pois, de um livre surgiu um contra-ataque mortífero de Hugo Vieira, que com a baliza totalmente aberta só teve de ter pontaria afinada. O jogador barcelense entrou aos 68 minutos e meteu a cereja no topo do bolo para o Gil Vicente FC ao fazer o 3-1.

Em Barcelos, tinha tudo terminado e de Santa Maria da Feira chegavam boas notícias pois o CD Feirense tinha empatado a zeros. Foi a explosão de alegria para os presentes no Estádio Cidade de Barcelos, visto que o Gil Vicente FC, com a combinação de resultados, sagrava-se campeão da Segunda Liga com os mesmos 55 pontos que os fogaceiros – havia a vantagem no confronto direto para os gilistas com duas vitórias.

Porque é que se deve rever, ou pelo menos lembrar, este jogo? Pois, foi a subida dos gilistas à Primeira Liga dentro das quatro linhas depois da descida por causa do Caso Mateus, cinco anos antes. Cantava-se de galo novamente na Primeira Liga e diga-se que se ouvia bem alto. A impossibilidade de estar em Barcelos levou a que um pequeno rebento (eu), em Lisboa, ouvisse o relato deste jogo e vibrasse como se lá estivesse.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Gil Vicente FC – Jorge Baptista (GR), Rodrigo Galo, Sandro, Cláudio, Júnior Caiçara, Filipe Fernandes, Carlitos (Hugo Vieira, 68’), André Cunha, João Vilela, Zé Luís (Daniel Faria, 93’) e Luis Carlos (Bruno Filipe, 90’)

CD Fátima – Ricardo Andrade (GR), Bruno Mestre, João Pedro (Jorge Abreu, 82’), Veríssimo, Kata, Ângelo Varela, Jorge Neves (André Carvalhas, 75’), Pedro Moita, Nuno Sousa (Mauro Bastos, 66’), Moreira e Zequinha

Foto de Capa: Gil Vicente FC

Artigo revisto por Diogo Teixeira