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Minuto 90+4 do Rio Ave – Benfica. João Pinheiro leva o apito à boca, lacrando o placard no 0-1 favorável aos encarnados. O Rio Ave volta a perder depois de dar mais ao jogo do que o jogo a ele num jogo contra os grandes (como aconteceu, também, na Luz, no Dragão e em Alvalade), pagando o preço de ser romântico. De acreditar que o futebol contra os grandes pode ser disputado sem se esgotar no “fechado cá atrás, com charutos lá para frente”, como diria o seu treinador, Luís Castro, responsável pela corrente futebolística actualmente praticada pelos vilacondenses, e que dá seguimento à que fora instruída antes, por Pedro Martins e Nuno Espírito Santo.

Este Rio Ave, de facto, é muito mais que uma equipa de meio da tabela. É, também, mais do que um mero candidato à Europa. É, sobretudo, uma equipa à parte. Porque tem personalidade no futebol que pratica. Sabe adaptar-se às circunstâncias do jogo, mas não muda em função do adversário que apanha pela frente, mantendo o futebol apoiado, praticado ao longo dos 64-75 metros de largura do campo, com o critério de quem sabe o que está a fazer com a bola nos pés e com a confiança de que o companheiro terá o mesmo discernimento e uma semelhante… qualidade técnica.

Luís Castro, homem do futebol, tem colocado em prática uma ideologia positiva  Fonte: Rio Ave FC
Luís Castro, homem do futebol, tem colocado em prática uma ideologia positiva
Fonte: Rio Ave FC

Qualidade técnica. Um ponto chave para que o Rio Ave seja uma equipa distinta das outras da Liga NOS e que é transversal a todos os jogadores que integram o processo ofensivo no meio-campo contrário (isto é, excluindo Cássio e a dupla de centrais Marcelo-Roderick Miranda e eventualmente Petrovic, homem normalmente mais recuado no duplo-pivô defendsivo). Começa no homem-do-leme Tarantini que, com plena noção da identidade (e da mística) do seu Rio Ave, decide por onde vai traçar a rota do golo.

Pode seguir pelas alas, onde Lionn ou Pedrinho esticam o jogo na direita e Rafa Soares (em época de afirmação) na esquerda, permitindo que Gil Dias e Héldon “encolham” para zonas próximas da àrea. Mas também pode ir pelo meio, onde está, a bater no peito, pedindo a bola, o maestro Krovinovic, que tanto acelera o jogo, queimando linhas, como carrega no botão de slow motion, de forma a que o público possa apreciar toda a qualidade técnica (que pezinhos!) do croata no momento em que parte para o drible.

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Krovinovic, tem encantado Fonte: Rio Ave FC
Krovinovic, tem encantado
Fonte: Rio Ave FC

Depois, o jogador que tem sido associado ao Benfica decide, consoante movimenteações que já conhece bem, em quem colocar a bola numa frente de ataque móvel que contempla Héldon, Guedes e Gil Dias e a quem se pode juntar, eventualmente Rúben Ribeiro… ou Gonçalo Paciência, que acaba, no entanto, por desvirutar esta noção de permutabilidade (trocas posicionais) na frente de ataque.

Todo o processo com um, dois toques (quando Krovi não dá ‘freeze’ ao jogo), só possível com a tal capacidade técnica (e tática, claro) dos intervenientes do mesmo.

La atrás, Petrovic tem crescido a olhos vistos, tal como Roderick (embora mais estabilizado); Marcelo é cada vez mais parte da alma desta equipa, e um elemento fundamental de uma espinha dorsal (juntamente com Cássio, Tarantini e Krovinovic) que define este Rio Ave como a equipa sólida, personalizada que tem sido ao longo desta época.

Uma equipa que, acima de tudo, faz bem ao futebol português.

Foto de Capa: OnSoccerInternacional