Depois de um início de época bastante conturbado, onde as exibições não satisfizeram ninguém e os resultados – apesar de não serem assim tão maus – não corresponderam à expetativas, Tiago Mendes viu a sua passagem pelo Vitória SC acabar cedo e sem grande história.

Não foi por iniciativa dos vimaranenses, mas sim do antigo jogador de SL Benfica, SC Braga ou Club Atlético de Madrid, entre outros. Em Julho, num texto para o BnR onde refleti sobre os nomes já confirmados para os clubes da Primeira Liga Portuguesa, abordei a chegada de Tiago da seguinte forma:

“É uma autêntica incógnita, mas se Tiago quer um projeto ambicioso para começar, esta oportunidade é fantástica”.

Está claro que não a aproveitou. Principalmente depois de ver o primeiro jogo, parecia que este desfecho era inevitável, até pela falta de paciência característica dos dirigentes portugueses. A equipa praticava aquilo que defino como “futebol Simeone”: poucas ideias na frente de ataque, rigidez de processos defensivos que nem sempre eram cumpridos da melhor forma e uma desvirtuação completa do que víamos com Ivo Vieira. Terá, com certeza, muita qualidade para dar ao futebol mundial, mas ainda tem muito para crescer e, sobretudo, para desenvolver a sua ideia de jogo de forma mais clara e concisa.

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Entre notícias que alegavam que o motivo da discórdia seria a não contratação de alguns nomes considerados essenciais pelo jovem treinador português e depois a resposta oficial do Vitória SC em comunicado, deixam-me a ideia que esta saída ficou com “coisas por dizer”. A verdade é que saiu – acho que foi o melhor para ambas as partes – e era urgente encontrar uma solução durante a paragem das ligas domésticas e compromissos de seleção.

Para voltar a fortalecer o “Castelo” e com o mesmo apelido, eis que surge, sem clube, João Henriques, treinador que se notabilizou pelo seu trabalho no FC Paços de Ferreira e, mais recentemente e principalmente, nos açorianos do CD Santa Clara. Aqui, já não creio que haja qualquer tipo de incógnita: o Vitória SC volta a ser um forte candidato ao lugar que dá acesso à Liga Europa.

Estava, certamente, com paciência à espera de uma oportunidade como estas (que merece) e tem agora pela frente o seu maior desafio da carreira. Há que ter em atenção e os vitorianos estão a passar por alguma “renovação”, com alguns jovens de qualidade contratados, mas que precisam de tempo para se adaptar. Ricardo Quaresma, André André, Silvio e Rochinha, entre outros, são essenciais para que esta transição aconteça da melhor forma.

Para já, começou logo no Bessa, com uma rivalidade histórica frente ao Boavista FC que tem estado algo “apagada”, mas que estes dois bons projetos nacionais dão a ideia de que pode reacender. O arranque não podia ser melhor, em 4-3-3, marcando relativamente cedo e conquistando uma vitória por 0-1, num terreno difícil. A equipa mostrou saber sofrer e aguentar uma segunda parte forte das “panteras”. Veremos o que o futuro lhe reserva.

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