A partida decisiva para as aspirações europeias do SC Braga começou por ser marcada por uma homenagem, na forma de um minuto de silêncio, ao guarda-redes Armando, parte da equipa arsenalista que conquistou a Taça de Portugal na década de 60.

Ora, para tentar dar a volta à eliminatória após a pesada derrota por 3-0 em França, Abel Ferreira apostou numa composição semelhante à que triunfou em Guimarães, apenas com Hassan a substituir o lesionado Dyego Sousa. Já do lado gaulês, também não houve grandes surpresas, destaque para o regresso à titularidade europeia do jovem criativo Morgan Sanson e do lateral Sakai que haviam sido suplentes na primeira mão.

Quando o esférico começou a rolar, foram os visitantes a entrar com maior controlo, mas os da casa rapidamente se recompuseram e os primeiros minutos foram preenchidos por jogadas rápidas e muitas bolas nas áreas de ambas as equipas, mas sem lances claros de perigo para golo.

A primeira situação a merecer atenção redobrada deu-se pelos 17 minutos de jogo, quando Hassan caiu dentro da área marselhesa, mas o árbitro considerou tratar-se de uma simulação e admoestou o egípcio. Poucos minutos mais tarde, novamente Hassan, desta vez a conseguir arranjar espaço para o remate dentro de área, mas o ângulo apertado acabou por ajudar Pelé a ter uma defesa fácil.

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No entanto, o jogo entrava num ritmo mais pachorrento e ao jeito das ambições do Olympique que foi estando tranquilo até à meia hora da partida. Aí Ricardo Horta apareceu no coração da área azul e com um remate à meia-volta atirou a contar e deu asas ao sonho braguista de chegar à improvável reviravolta na eliminatória.

Ricardo Horta marcou o golo solitário da partida
Fonte: SC Braga

Ambas as coletividades acusaram o golo e o jogo voltou a subir de intensidade. A verdade é que, tal como no principiar da partida, toda esta velocidade e intenção não criava grandes lances de perigo e único ponto de interesse seria uma jogada banal a meio-campo em que um dos homens da casa se queixou de agressão, o que levou o árbitro a avisar os jogadores, mas a manter no bolso os cartões. E assim foi o jogo para intervalo, com o Braga a vencer e ainda esperançoso de passar à próxima fase.

Para a segunda metade, Rudi Garcia mexeu na equipa, colocando Anguissa no lugar de Njie, tentando dar novo alento aos movimentos ofensivos dos visitantes, mas foi o Braga quem primeiro criou perigo com Ricardo Esgaio a atirar ligeiramente por cima da baliza à guarda de Pelé. Na resposta, seria o recém-entrado Anguissa a rematar de fora da área, mas ao lado do alvo. Logo de seguida, foi a vez de Germain se isolar face a Matheus, mas o brasileiro segurou o resultado à primeira e à segunda tentativas com duas belas intervenções.

Sinal mais para o Marselha no reatamento e Abel Ferreira a não perder tempo para responder e refrescar a frente de ataque, lançando Paulinho em troca com Hassan aos 55 minutos. Mesmo por baixo no jogo, foi o Braga quem mais se aproximou de balançar as redes, com Wilson Eduardo a chegar perto num rápido contra-ataque. Os arsenalistas apostavam nas saídas rápidas, mas um Marselho muito maduro ia controlando o jogo e aos 63 minutos valeu mais uma bela defesa de Matheus para manter acesa a esperança bracarense, feito que repetiria aos 67, num ataque rápido gaulês.

Aos 70 minutos, um dos lances da partida, Pelé a escorregar e fazer um mau alívio, mas o Braga a não visar a baliza no imediato e acabando por a jogada terminar num remate para fora de Wilson. Em vez de se aproximar do empate e colocar a eliminatória verdadeiramente em discussão, a equipa apenas conseguiu levar ao desespero os seus apoiantes.

No seguimento, os treinadores decidiram que era tempo de mexer nas formações e Rudi Garcia colocou em campo Thauvin, numa troca direta com Germain, e Abel Ferreira também lançou o seu último golpe ofensivo, esgotando as substituições para fazer entrar Xadas e Fábio Martins para os lugares de Ricardo Horta e Goiano.

O Braga voltaria a estar perto do golo já nos últimos dez minutos, quando Bruno Viana cabeceou pouco por cima, após livre descaído na direita cobrado por André Horta. Os visitantes, ainda assim, mantiveram-se fieis aos seus princípios e não se fecharam na defesa, com a última substituição a ver entrar Payet para o lugar de Sanson. Os da casa é que também não desistiam e Fabio Martins, ao passar dos 86 minutos, permitiu boa defesa a Pelé. Tentaram até ao final, mas nem os quatro minutos adicionais deram para mudar o destino e, no final, tiveram a merecida ovação dos adeptos pelo esforço e pelo bom futebol.

Num jogo em que o árbitro norueguês cumpriu bem a sua missão, ainda que pudesse ter mostrado mais um ou outro cartão de parte a parte, um Marselha maduro soube impor o ritmo do jogo e garantir o acesso aos oitavos, mas não se livrou de alguns sustos proporcionados por um Braga bem organizado e ambicioso.