A CRÓNICA: MATHIEU, O ROSTO DA INSTABILIDADE DO SPORTING CP

Minhotos e Leões deram o arranque à final four da Taça da Liga, num jogo marcado por polémica, expulsões e até um protesto das forças policiais destacadas para o Estádio Municipal de Braga. No relvado da Pedreira apresentaram-se, de um lado, um SC Braga numa boa forma exibicional após uma vitória no Dragão. Do outro, um Sporting CP combalido pela derrota em casa frente ao SL Benfica que procurava revalidar o título ganho na época passada.

O jogo começou por ser um género de remake da partida da meia-final da época passada: as mesmas equipas; o SC Braga a marcar cedo; um defesa do Sporting CP a igualar o marcador já no cair do intervalo. Todavia, desta vez, vimos um SC Braga mais determinado a entrar a todo o gás com uma pressão intensa e eficaz no meio campo do Sporting CP que condicionou e muito a construção do jogo leonino. O golo bracarense surge precisamente a partir de uma pressão alta sobre Rodrigo Battaglia que perdeu a bola numa zona perigosa

O Sporting CP demorou a contornar a pressão alta do SC Braga e só a partir da meia hora de jogo, com um remate perigoso de Rafael Camacho, aproveitou um arrefecimento temporário dos minhotos. Os Leões deparavam-se com um autêntico quebra-cabeças à chegada do intervalo em campo quando Mathieu, servido por Bruno Fernandes, num golpe de astúcia consegue assinalar o golo da igualdade.

Os momentos iniciais da segunda parte levavam a crer que o jogo seria mais entusiasmante com ambas as equipas a aparecer com perigo nas áreas contrárias. Todavia, quando o cronómetro assinalava uma hora de jogo deu-se o lance que determinaria o desfecho da partida: Bolasie, que havia entrado há dezasseis minutos para render Doumbia, viu o cartão vermelho na sequência de um lance fortuito que motivou ainda assim a expulsão do avançado africano após análise do VAR pelo árbitro Nuno Almeida. Enfim, um lance que bem analisado deixaria sempre dúvidas sobre a cor do cartão, mas parece que esta é a sina de Bolasie.

A partir de então o Sporting CP meteu “trancas à casa” e não saiu do seu meio-campo enquanto o SC Braga controlava por completo a posse de bola, embora sem criar muitas situações flagrantes de golo. Adivinhava-se que o segundo golo bracarense seria apenas uma questão de tempo, embora só tenha aparecido ao minuto 90’: após um cruzamento pela direita, Raúl Silva ao segundo poste assistiu de cabeça Paulinho que cabeceou para dentro da baliza defendida por Luis Maximiano.

Os instantes finais do jogo ficaram marcados por uma entrada de Mathieu sobre Esgaio que motivou a amostragem “relâmpago” do cartão vermelho ao jogador francês, dando o mote para confrontos entre elementos de ambas as equipas.

Quando um jogador como Mathieu se deixa consumir pelo descontrolo emocional percebe-se que algo não está nada bem em Alvalade, dentro e fora das quatro linhas. Valeu-lhe a atitude de pedir desculpa ao seu colega já no balneário.

O Sporting CP falha de maneira inglória em pleno mês de Janeiro o objectivo mais acessível que ainda lhe restava.

 

A FIGURA

Fonte: SC Braga

Galeno – O avançado dos minhotos fez hoje uma exibição muito acima da média e foi o grande motor do ataque arsenalista. Provocou desequilíbrios e perigo nos lances de um para um e foi uma autêntica dor de cabeça para Ristovski a quem lhe ganhou quase todos os duelos. É de notar a facilidade do avançado brasileiro em aparecer em espaços interiores do meio-campo do Sporting CP com diagonais vertiginosas. Falhou apenas na finalização já que esteve muito perto do golo.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Idrissa Doumbia – Com Battaglia a fazer a sua posição, pretendia-se que o jovem costa-marfinense fosse mais um “médio transportador”. No entanto, foi o jogador leonino que mais acusou a pressão inicial criada pelos jogadores do SC Braga. Enfim, nada lhe correu bem: muitas perdas de bolas e muitos passes falhados levaram a que tivesse de ser substituído ao intervalo.

 

ANÁLISE TÁCTICA – SC BRAGA

O SC Braga pôs em campo uma formação semelhante àquela com que se apresentou no jogo do Dragão. Na verdade, desde que Ruben Amorim desde que assumiu o comando técnico tem aposta numa linha defensiva “a cinco” que se transformava em três quando a equipa tinha a posse de bola, formando um género de 3-4-3, com os laterais Esgaio e Sequeira a fazerem os respectivos corredores. No meio-campo Fransérgio garantiu o transporte da bola para o ataque, enquanto que na frente Galeno foi o principal agente desequilibrador e protagonista de transições muito rápidas.

Após a expulsão de Bolasie, o SC Braga instalou-se no meio campo de um Sporting CP em desvantagem numérica e fez com que o segundo golo surgisse de forma natural por Paulinho que estivera fortíssimo no apoio ao ataque nas zonas mais centrais fazendo diversas desmarcações de modo a criar espaços para a sua equipa.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Matheus (7)

Bruno Viana (7)

Raúl Silva (8)

Sequeira (7)

Ricardo Esgaio (7)

Tormena (7)

Fransérgio (7)

João Novais (7)

Galeno (9)

Ricardo Horta (8)

Paulinho (8)

SUBS UTILIZADOS

André Horta (5)

Rui Fonte (5)

Trincão (6)

 

ANÁLISE TÁCTICA – SPORTING CP

A formação leonina apresentou-se no habitual 4-3-3 mas com alterações significativas. Silas surpreendeu ao colocar no meio-campo, em simultâneo, Battaglia e Doumbia. O argentino ocupou uma zona mais recuada do meio campo enquanto o jovem costa-marfinense descaía para a direita em linha com Wendel no lado oposto. Na frente, Bruno Fernandes ocupou a posição de extremo, em concreto, de Bolasie, apesar de aparecer quase sempre nas costas de Luiz Phellype. Rafael Camacho ocupou o eixo direito do ataque dando apoio directo ao ponta-de-lança brasileiro.

Na primeira parte, o Sporting CP viu-se incapaz de fugir à pressão criada pelos jogadores do SC Braga, o que levou a que concedesse o primeiro golo numa fase precoce da partida. Doumbia foi dos que mais acusou essa pressão e teve inclusive de ser substituído ao intervalo.

A partir da expulsão de Bolasie, Silas optou por fazer recuar toda a equipa e tirou Luiz Phellype para colocar mais um central, Neto. O treinador sportinguista resolveu “jogar na retranca” a meia hora do fim do tempo regulamentar e Bruno Fernandes e Rafael Camacho, as unidades mais avançadas dos Leões, viram-se forçados a percorrer uma “terra de ninguém”, incapazes de capitalizar qualquer bola bombeada pela defesa. Na defesa do empate, foi incrível a quantidade de lances ganhos no ar ou pelo chão por Coates que teve o azar de ficar a poucos palmos de altura de impedir o segundo golo do SC Braga.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Luís Maximiano (6)

Mathieu (7)

Coates (7)

Ristovski (4)

Doumbia (3)

Battaglia (5)

Bruno Fernandes (7)

Acuña (6)

Wendel (6)

Rafael Camacho (6)

Luiz Phellype (3)

SUBSTITUTOS UTILIZADOS

Neto (5)

Bolasie (4)

Foto de Capa: SC Braga

Revisto por: Jorge Neves

 

 

 

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