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Pedro Martins não resistiu à derrota por 5-0 com o rival SC Braga e já não é o treinador da equipa vimaranense. Quem o anunciou foi Júlio Mendes, presidente do clube, em conferência de imprensa depois do jogo.

Esta época tem sido tudo menos positiva para o Vitória SC: está já a 20 pontos do 4º lugar que assumiu como objetivo. Para além disso, é à equipa da cidade berço que pertence a pior defesa do campeonato, com 43 golos sofridos.

No meio disto talvez Pedro Martins não seja o maior culpado. Esta época foi desde o primeiro dia muito mal planeada. Num plantel que disputava a fase de grupos da Liga Europa e que assumiu pretender atingir o 4º lugar, exigia-se uma muito maior qualidade e profundidade em cada posição. Aconteceu exatamente o contrário. Prova disso é o caso de Moreno: um assumido “jogador de balneário”, Moreno conta já com mais jogos esta época do que na anterior. Até Wakaso já teve de jogar no miolo da defesa, por falta de alternativas.

A venda de Josué (tendo Jubal, um jogador emprestado pelo Arouca FC, sido o escolhido para o substituir, representando uma enorme quebra de qualidade) e Zungu (este não teve – e ainda não tem, pelo menos a seu nível – sucessor) no último dia de mercado acabaram por ser decisões que custaram uma época ao Vitória SC. A contratação de Victor Garcia para render a saída de Bruno Gaspar acabou também por ser uma má decisão, tendo em conta as más exibições do defesa venezuelano.

O ataque vimaranense peca apenas pela falta de um ponta-de-lança de qualidade: Tallo, Rafael Martins, Texeira e Estupinan (o grande flop desta temporada, o Vitória SC pagou 1 milhão de euros pelo avançado colombiano) foram sendo lançados por Pedro Martins mas nenhum conseguiu produzir exibições dignas sequer de Primeira Liga. Entretando saiu Texeira e chegou Whelton. O avançado ex-Paços de Ferreira poderá ser a solução para esse problema.

No que diz respeito a extremos, o Vitória conta com o talismã Raphinha e o jogador de qualidade que é Heldon. De resto, a equipa vimaranense não tem mais alternativas. Rincon (mais um flop desta temporada: custou 600 mil euros ao Vitória SC), Hélder Ferreira e Sturgeon não conseguem competir com os dois extremos que costumam assumir a titularidade.

No meio campo, a insistência de Pedro Martins em utilizar dois trincos acaba por ser o principal argumento contra a continuidade do treinador. A equipa demonstrou durante toda a época não conseguir sair a jogar precisamente por jogar com dois médios de características defensivas. Mas o plantel a isso obrigava: até à chegada de Mattheus, era Francisco Ramos o único médio com características de ligação de jogo, e o ex-FC Porto não conseguiu ainda mostrar a qualidade que tem e garantir um lugar no onze vimaranense. A má forma de Paolo Hurtado também não tem ajudado à construção de jogo do Vitória SC.

Outro dos argumentos contra a continuidade de Pedro Martins podia ser a insistência na utilização de Fábio Sturgeon. O extremo português tem protagonizado algumas boas exibições, mas sempre em número menor que as más.

Fábio Sturgeon tem sido muito irregular ao serviço do Vitória Fonte: Vitória SC
Fábio Sturgeon tem sido muito irregular ao serviço do Vitória
Fonte: Vitória SC

Apesar de ainda não se saber se foi o treinador português que se demitiu ou se foi mesmo despedido, fica a sensação de que acaba por ser o bode expiatório desta situação. A verdadeira culpa tem de ser atribuída a todos os que tomaram decisões sobre a construção do plantel.

Os maus resultados têm gerado muita contestação entre os adeptos, tendo estes recentemente invadido o treino da equipa para pedir explicações. Entre os piores jogos desta temporada destacam-se as derrotas em casa com a UD Oliveirense por 4-1, com o Sporting CP por 5-0 e, claro, a mais recente derrota com os eternos rivais SC Braga por 5-0.

Fica agora a dúvida de quem irá assumir o comando técnico dos vimaranenses. O novo treinador deverá ser anunciado ainda no decorrer desta semana.

Foto de Capa: Vitória SC

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