O Sport Clube Praiense, um clube para a esmagadora maioria do adepto comum pouco conhecido, é um dos mais fortes candidatos à subida à Segunda Liga Portuguesa e jogará, na próxima eliminatória da Taça de Portugal, contra o SC Braga. Fundado em 1947, este clube Açoriano da ilha Terceira nunca esteve nas Ligas Profissionais. Aliás, tirando o CD Santa Clara, agora na Primeira Liga, não houve mais nenhum clube Açoriano a chegar sequer à Segunda Liga Portuguesa. O SC Praiense vem tentando dar este passo, tendo estado muito perto da subida nas últimas três temporadas, e esta época volta a apresentar-se fortíssimo na luta pela ascensão às Ligas Profissionais.

Sem dúvida que o clube terceirense tem sido uma das equipas da “moda” do Campeonato de Portugal Prio. Pelo futebol que pratica, pelos jogadores acima da média (para a sua realidade, entenda-se) que apresenta, pelas boas campanhas na Taça de Portugal e, sobretudo, por estar sempre na luta pela subida à II Liga Portuguesa.

Na época 15-16, o SC Praiense, liderado na altura por Pedro Lima, ficou em primeiro lugar da série E, apurando-se para a fase de subida Zona Sul, onde aí ficou a meros dois pontos dos lugares de acesso ao playoff de subida.

Após esta excelente e surpreendente campanha, o SC Praiense “acordou” e definiu a subida como o seu principal objetivo. Foi até à ilha de São Miguel, mais concretamente ao Clube Operário Desportivo, que andava até então sempre na luta pela subida às Ligas Profissionais, recrutar a sua “espinha dorsal”, desde diretores, técnicos e jogadores. Basicamente, a direção do SC Praiense percebeu que o trabalho no Clube Operário Desportivo estava a ser bem feito e, portanto, decidiu não copiar a receita, mas contratar os “cozinheiros” e todo o staff responsável pelo ótimo trabalho no clube da cidade da Lagoa.

Francisco Agatão não treina na II Liga desde 04-05, mas tem feito trabalhos formidáveis ao longo dos anos na CPP
Fonte: SC Praiense

Assim sendo, na época 16-17, chegou Francisco Agatão – técnico muito experimentado e com experiência no estrangeiro e Ligas Profissionais (até como jogador). Criou-se uma equipa muito forte, tendo por base o conjunto que havia brilhado e lutado pela subida no Operário. Nesta época, o SC Praiense chegou até ao playoff de subida. Venceu a sua série e ficou nos lugares de acesso ao playoff na zona de subida da zona Sul, mas acabou por cair na eliminatória com o Leixões SC (derrota em casa por 0-1 e empate a um no estádio do Mar).

Já na época 17-18, num formato diferente da prova, o SC Praiense voltou a “morrer na praia” terminando em terceiro lugar, logo atrás de UD Vilafranquense e CD Mafra, que se apuraram para o playoff de subida. Ressalve-se também que o SC Praiense na Taça de Portugal chegou até aos oitavos nesta temporada e, na época anterior, tinha sido eliminado pelo Sporting CP no Estádio José Alvalade.

Danny Esteves tem “partido a loiça toda” desde que chegou ao clube
Fonte: SC Praiense

Depois de três épocas a cair nos derradeiros obstáculos, o SC Praiense acredita que é desta. Neste momento, com 11 jogos realizados, somam oito vitórias, um empate e duas derrotas, liderando a série D. Com um plantel experiente, a média de idades ronda os 27 anos. A equipa de Agatão procura aliar os bons resultados a um bom futebol, valorizando os seus próprios ativos. Uma equipa com avançados rápidos e eficazes, assente na mestria e qualidade do seu capitão João Peixoto. O médio centro de 35 anos continua a ser um dos melhores jogadores do CPP e a ser decisivo com a sua qualidade de passe e visão de jogo. Destacam-se também Tiago Maia na baliza, incrível a sua agilidade e segurança, e Danny Esteves no ataque, já com oito golos marcados, o ex AC Alcanenense tem sido o melhor reforço até ao momento.

Há uma grande expetativa à volta do clube Açoriano e uma forte convicção que desta vez vão conseguir lograr o seu objetivo. Jogos como o do próximo fim de semana contra o SC Braga, também podem servir para fazer crescer ainda mais esta equipa, que, com certeza, se irá apresentar descomplexada e a querer desfrutar do jogo, sempre com os olhos no apuramento, no Pedreira.

 

Foto de Capa: SC Praiense

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

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