Vítor Oliveira: o treinador de 65 anos tem-se evidenciado nos últimos anos pelo facto de colecionar subidas de divisão nos clubes por onde passa, e de se demitir de cada clube para cumprir o mesmo objectivo na época seguinte com um outro, com excepção feita à temporada de 2017/2018, onde permaneceu no comando técnico do Portimonense SC no regresso do emblema algarvio à Primeira Liga.

Ao todo, Vítor Oliveira já subiu de divisão por onze vezes, a primeira das quais no longínquo ano de 1991 ao serviço do FC Paços de Ferreira. No entanto, a alcunha de “Rei das Subidas” é, em parte, também injusta para ele, porque não lhe dá o devido reconhecimento pelas outras qualidades que tem enquanto treinador.

E foram estas recentes presenças na Primeira Liga que permitiram dar a Vítor Oliveira esse tal reconhecimento e visibilidade por todas as suas competências. Porque, afinal de contas, as onze subidas de divisão não caíram do céu. É preciso ter qualidades para conseguir um feito desta expressão.

Antes de mais, uma das qualidades que tem sobressaído nesta temporada, ao serviço do Gil Vicente FC, é a sua capacidade para detectar talento. Quando foi anunciado como o novo treinador do clube gilista no regresso à Primeira Liga, Vítor Oliveira assumiu que este seria o desafio mais difícil da sua carreira. E essa sua capacidade seria fundamental em construir uma nova equipa para o conjunto de Barcelos.

A verdade é que, tanto em Barcelos como em Portimão, têm sido vários os jogadores que ele tem revelado na Primeira Liga, tais como Paulinho, Nakajima e Bruno Tabata no Portimonense SC, como os casos do brasileiro Lourency e do búlgaro Kraev no Gil Vicente FC.

Kraev foi um dos jogadores que Vítor Oliveira descobriu
Fonte: Gil Vicente FC

Outra das suas qualidades é o facto de ser um treinador muito competente em todos os momentos do jogo. Nas partidas contra o FC Porto e o SL Benfica, a equipa gilista destacou-se pela sua postura exemplar em organização defensiva, tal como Bruno Lage reconhece na Conferência de imprensa, dizendo que a sua equipa teve de ser muito paciente para conseguir “furar” na organização defensiva da equipa de Vítor Oliveira. Depois, no ataque, mesmo não sendo a equipa mais vistosa, é uma equipa bastante oportuna e fria na hora de finalizar, conseguindo chegar à área adversária com poucos toques na bola.

Fica claro e evidente que Vítor Oliveira é um conhecedor profundo do futebol português e que só mesmo um treinador com estas competências será capaz de conseguir levar o Gil Vicente a permanecer no convívio entre grandes na próxima época. E sei que isto é uma hipótese muito improvável, mas estou cada vez mais convencido de que, se Vítor Oliveira tivesse a oportunidade de ir treinar um clube grande, iria surpreender muita gente.

Foto de Capa: Gil Vicente FC

Artigo revisto por Joana Mendes

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