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Numa altura em que a violência no futebol tem crescido, com as ameaças e agressões a adeptos, dirigentes e até árbitros, nos jogos entre os três grandes, está na hora da Federação Portuguesa de Futebol se chegar à frente e tomar decisões.

Como se sabe, as claques são um elemento essencial de apoio às equipas, quer com os seus cânticos, quer com os milhares de km que muitas vezes fazem para acompanhar o seu clube, quer esteja a nevar ou até mesmo quando as temperaturas ultrapassam os 40º graus. Neste ponto não há dúvidas. A verdade é que, são também essas mesmas claques que muitas vezes trazem multas exorbitantes aos seus clubes (note-se que existem clubes na Liga NOS cujas dívidas provocadas por adeptos já ultrapassou os 90 mil euros), são estes mesmos que perseguem árbitros e adeptos de clubes rivais e são os primeiros a atacarem os jogadores dos seus próprios clubes, como já se viu em várias situações ao longo da história do nosso futebol.

Todo e qualquer adepto de futebol gostava de poder vestir as suas cores futebolísticas onde quer que fosse, sem sentir medo de ser ameaçado ou até mesmo agredido. Até aqui não restam dúvidas. A verdade é que, se estes aspetos deviam melhorar a par do desenvolvimento do Mundo do futebol, o mesmo não acontece e, muito pelo contrário, existem cada vez mais atos de ódio e covardia para com adeptos de outros clubes, revelando a quantidade de hooligans que coabitam no nosso país.

Cada vez mais é difícil encontrar imagens como esta nos grandes jogos Fonte: SL Benfica
Cada vez mais é difícil encontrar imagens como esta nos grandes jogos
Fonte: SL Benfica

Se o futebol inglês é o expoente máximo do desporto rei e se nos devemos seguir por este mesmo, então convém saber que várias medidas foram tomadas com vista a terminar com estes problemas de violência e falta de segurança no decorrer dos jogos de futebol e, se aqui em Portugal não conseguem ter mão para terminar ou atenuar estes acontecimentos, então medidas mais graves devem ser tomadas.

Proponho, assim, uma solução que podemos encontrar num campeonato bem mais atrasado do que o nosso: o campeonato turco. Se os hooligans existem em grande escala e estavam constantemente a provocar desacatos e falta de segurança nos estádios, a Federação Turca de Futebol, a par do Governo, decidiu proibir a entrada de adeptos de clubes rivais nos principais derbys, isto é, o Fenerbahçe, Besiktas e o Galatasaray, todos de Istambul, ficaram proibidos de ir apoiar a sua equipa ao estádio adversário, sendo só permitida a entrada a adeptos do clube da casa.

Pergunto-me agora, porque não seria esta uma grande ideia? Hoje em dia, nos jogos grandes, os bilhetes disponíveis para os clubes adversários são cada vez menores, os adeptos são colocados no topo dos estádios, com uma jaula envolta a si mesmos, como se de um jardim zoológico se tratasse e ainda com a polícia de choque pronta para partir para a violência com tudo e todos, caso um elemento cometa alguma atrocidade. Juntando a isto, são vários os milhares pagos com segurança e polícia, de modo a aumentar o nível de segurança, mas, se nestes jogos apenas pudessem entrar adeptos da equipa da casa, os desacatos seriam praticamente inexistentes.

Eu não defendo, obviamente, que qualquer adepto ou claque de qualquer um dos três grandes, seja agora proibido de frequentar os restantes estádios dos clubes da 1.ª divisão, seria ridículo. Isto tudo porque esta é uma das grandes fontes de receita da maioria dos clubes portugueses. Contudo, mantém-se a pergunta, mas será que nos três grandes não se ganharia mais com esta medida? Será que as consequências positivas de adeptos adversários nestes jogos ultrapassam as consequências negativas?

Seria um assunto importante a debater e, mesmo que difícil de aceitar no curto prazo para alguns, seria no médio/longo prazo uma medida que viria a diminuir significativamente os índices de violência nos clássicos, que iria diminuir as despesas gastas com pessoal e ainda aumentaria a pressão do fator casa nos chamados clássicos.

 Foto de capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Diana Martins

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