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futebol nacional cabeçalhoMeia casa no início deste Marítimo – Portimonense, talvez por ser dia de semana – dia de trabalho – ou por ser um jogo transmitido em canal aberto. Apesar de tudo, entusiasmados pela possibilidade da segunda presença consecutiva do Marítimo na final da Taça da Liga, estava um ambiente polvoroso e subtropical.

Na primeira jogada do encontro por parte dos visitantes, Fidelis recebe lá no alto, tira dois adversários do caminho e serve Pires, que aplica, de pé direito, um remate potente, que bate Salin e coloca o Portimonense na dianteira do marcador. Aos oito minutos, os da casa começavam a pressionar, e na direita do ataque Rúben Ferreira cruzou para a área e depois de alguma confusão rematava João Diogo. O Marítimo afastava o Portimonense para canto e continuava. Tiago Rodrigues chutava com força. Insistiam e não desistiam, os verde-rubros. À passagem do quarto de hora, Edgar Costa bate o livre na direita, servindo Romário, que chuta com a bola a bater na defesa dos de Portimão. Ainda suspiravam de alívio os visitantes e Edgar Costa introduzia a bola na baliza de Carlos Henriques, não sem antes a levar ao ferro superior. Empatava o Marítimo – relançava-se no jogo!

Depois de quinze minutos mornos, Dyego Sousa, ainda com o calor do Carnaval do Brasil, decide dar um ar da sua graça, fazendo meio golo, tirando de chapéu a bola do alcance de Carlos Henriques e servindo Éber Bessa, que colocava o Caldeirão à mais alta temperatura. Estava na frente o “Herói do Almirante Reis”. Dois minutos depois respondia o Portimonense com um remate de Lumor, sem grande perigo para a baliza de Salin. Na resposta, de contra-ataque, Edgar Costa cruza para a área, onde Patrick remata, levando a bola ao poste esquerdo. Até ao final da primeira metade, destaque apenas para uma falta feia de Kanazaki, que quase atirava Dyego Sousa para o gabinete médico do Marítimo.

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Duelo bem disputado na Madeira
Os madeirenses sorriram no final

Estavam jogados quatro minutos na segunda parte e o Portimonense criava o primeiro lance de perigo, com Ryuki a cruzar para a área, onde apareceu o japonês Kanazaki a cabecear para Salin encaixar. Aos oito minutos, João Diogo e Tiago Rodrigues a combinar na direita, com o médio a rematar forte mas por cima da baliza dos alvinegros. Aos 20, e já depois de ter sido assistido após um choque violento com Ricardo Pessoa, Dyego Sousa cai no relvado, saindo de maca. Entrava Baba, debaixo de um uníssono coro de aplausos. Com um jogo claramente controlado pelo Marítimo, o Portimonense tentava chegar à baliza dos madeirenses, com Pires, à passagem da meia-hora do segundo tempo, a rematar por cima da baliza de Salin. Nem 30 segundos depois, Ryuki, depois de enorme confusão na área, remata, mas com a defesa dos da casa a afastar.

Do meu lado esquerdo um relatador eufórico e efusivo, do meu lado direito uma claque de fazer inveja a muitos outros. À minha frente, e apesar de mais pausado nesta segunda metade, um bonito jogo de futebol. Levantava-se a placa que mostrava o número da perfeição, o do melhor do mundo. 7. Eram sete os minutos de compensação, e era o 7 Alex Soares a querer empurrar os da casa para a frente. Num lance de contra-ataque, servia Edgar Costa, que, pela esquerda, a tratar a redondinha como só ele sabe, tira três – sim, três! – do caminho e serve Babagol! Estava feito, ao cair do pano, o 3-1. Era a explosão nas bancadas, à qual nem os mais calmos e passivos conseguiam fugir. “Estamos na final”, já se ouvia. E está! Está, sim senhor! O Marítimo volta a Coimbra! Sai um bilhete postal da Madeira para Coimbra, em correio prioritário. Pela segunda vez, Nelo Vingada leva o Marítimo a uma final de uma competição, depois de em 2001 ter empurrado os verde-rubros para o Jamor. Quem sai, de cabeça mais do que erguida, e vendeu cara esta derrota é o Portimonense. Numa competição feita claramente para que à final cheguem os grandes, este Portimonense é um grande! Enorme! Foi lindo de se ver e de sofrer.

A Figura:

Rúben Ferreira e Edgar Costa – Mudem as regras. Mudem já as regras de trânsito! Dêem, por favor, prioridade a quem vem da esquerda! Esta esquerda do Marítimo merece! São madeirenses? São, sim senhor! São bons? Obviamente que são! Rúben Ferreira e Edgar Costa são meninos de bairro. Parecem trocar a bola que nem dois miúdos na rua que liga o bairro de uma ponta à outra. É lindo, é um hino vê-los jogar! Com dois jogadores deste calibre, sem desprimor para todos os outros, especialmente o regressado – ainda bem que te foste embora, Ivo! – João Diogo, este Marítimo tem de jogar mais! E tem obrigação de subir na tabela classificativa da Liga e sonhar com o caneco em Coimbra.

O Fora-de-jogo:

João Capela – Quase em linha. Já por várias vezes visitámos esta capelinha. Sem condições para ser internacional – depois do que fizeram ao Marco Ferreira, raios! – João Capela não teve influência no resultado, isto porque dentro de campo os outros 22 não quiseram nem deixaram. Volta para o Seminário, João, por favor.

Sala de Imprensa

Nelo Vingada
Foi um Nelo Vingada como há muito o conhecemos aquele que chegou à Conferência de Imprensa ao princípio da noite de hoje. O treinador do Marítimo começou por frisar o caminho que toda a estrutura verde-rubra fez para chegar à final da Taça CTT, dando especial ênfase ao ex-treinador Ivo Vieira. “É preciso saudar e lembrar os jogadores que jogaram antes, assim como o Ivo Vieira, que permitiu, com o seu trabalho, à equipa que chegasse a este jogo com caráter decisivo. É preciso que se projete este sucesso em todos e não apenas na equipa de hoje”, disse.
O técnico português admitiu que o jogo desta tarde foi complicado. “Sabíamos que o jogo contra o Portimonense ia ser complicado, sobretudo porque os nossos adversários só perderam um jogo fora”. Finalizou dizendo que o Marítimo venceu por ter sabido ter cuidado e respeito para com o adversário, princípio do qual, de resto, segundo Vingada, o Marítimo nunca abdicará.
No que diz respeito ao adversário desejado, o treinador do Marítimo limitou-se a dizer que vai esperar e que o importante é aproveitar mais esta final.

José Augusto
Orgulhoso dos seus jogadores – o contrário não podia estar -, o treinador do Portimonense disse que o ambiente desta tarde no Estádio do Marítimo foi fundamental para a derrota da sua equipa. “É um estádio difícil, com um ambiente muito hostil para os adversários, e isso foi fundamental na tarde de hoje”, salientou José Augusto, que concluiu dizendo que o Portimonense sofreu uma derrota “pesada” porque “no momento em que o jogo estava a 2-1, tínhamos era de arriscar e tentar dar a volta”.

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