Flops “made in Primeira Liga” – O que falha ao dar o salto?

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Passando, agora, para o sector mais avançado, também existem vários extremos que não pegaram de estaca num grande. Refiro apenas 2 exemplos recentes: Marega no FC Porto, na época passada, e Daniel Candeias no Benfica, em 2014/2015. O extremo, nascido em França, mas internacional pelo Mali, foi contratado pelo CS Marítimo em Janeiro de 2015 e, rapidamente, se assumiu como uma peça chave no estilo de jogo do clube madeirense, despertando o interesse do Sporting e do FC Porto, acabando por rumar ao clube azul e branco. Candeias, por seu lado, transferiu-se para o Benfica, após três épocas em que foi uma das figuras de proa do CD Nacional. São extremos de características diferentes. O português, formado no FC Porto, é mais um jogador de ala, que gosta de cruzar para a área. Marega, apesar de também ser um jogador rápido, gosta mais de aparecer na área para finalizar. Mas há uma característica que ambos têm em comum: são muito bons a explorar o espaço nas costas da defesa e sentem-se, claramente, mais confortáveis em equipas que jogam em contra-ataque. Nos clubes grandes, onde as equipas normalmente jogam de forma mais aberta, fluída e dinâmica, os extremos precisam de ter mais a bola no pé; precisam de ter mais iniciativa de jogo; precisam de ser mais habilidosos com a bola nos pés; e ter mais capacidade de desequilíbrio. E, ainda, há os casos de Marvin Zeegelaar e César Peixoto, extremos que Jorge Jesus adaptou a laterais no Sporting e no Benfica, respectivamente, mas que nem assim se conseguiram afirmar. Depois, há vários pontas-de-lança que mostraram os seus dotes de goleador em equipas de segunda linha e que fracassaram ao dar o passo seguinte. Exemplos recentes disso mesmo foram o sul-coreano Suk no FC Porto na época passada e o brasileiro Derley no Benfica em 2014/2015. O ponta-de-lança internacional sul-coreano foi a principal figura do Vitória de Setúbal no ano civil de 2015 e, tal como no caso de Marega, Sporting e FC Porto lutaram pela sua contratação, acabando também por rumar à Invicta, onde, apesar de ter dado poder ao jogo aéreo da equipa, não se conseguiu afirmar como uma alternativa credível a Aboubakar (2 golos em 11 jogos). Já o brasileiro, transferiu-se para os encarnados após ter sido o segundo melhor marcador do campeonato 2013/2014 ao serviço do Marítimo com 16 golos. Agora, representa o Trabzonspor da Turquia a título de empréstimo.

Suk Não se conseguiu impor no Dragão após ter brilhado no Bonfim. Fonte: FC Porto
Suk Não se conseguiu impor no Dragão após ter brilhado no Bonfim
Fonte: FC Porto

No Benfica, Derley mostrou bons pormenores, revelando-se como um avançado que sabe segurar a bola e servir os colegas em melhor posição, mas esteve longe de confirmar os dotes goleadores que mostrou nos Barreiros (2 golos em 27 jogos), encontrando-se neste momento emprestado aos mexicanos do Jaguares de Chiapas. Avançados deste perfil, com um bom porte atlético, do qual tiram partido para deslocar e desgastar a defesa adversária, com um bom jogo aéreo, e que também sabem recuar no terreno e distribuir jogo, são avançados que evidenciam dificuldades num estilo de jogo de ataque continuado, normalmente utilizado pelos clubes grandes. No entanto, a incompatibilidade entre o perfil do jogador e o estilo de jogo da equipa não é o único motivo que leva um jogador falhar ao dar o salto. Existem outros casos em que os jogadores têm perfil e qualidade para um clube grande, mas existem outras circunstâncias que fazem com que o jogador não se consiga afirmar. Há situações em que, simplesmente, o jogador não tem muitas oportunidades porque está tapado por uma forte concorrência e/ou porque o treinador tem outras preferências. Às vezes, deve-se a um problema mental ou motivacional. Um jogador, quando se transfere para um clube grande, tem que entender que essa transferência é um sinal de reconhecimento pelo seu trabalho mas é, também, um acréscimo de responsabilidade. E, como tal, têm de trabalhar mais para conquistar um lugar numa equipa com melhores jogadores, e que luta por voos mais altos.

Foto de Capa: FC Porto

Tiago Serrano
Tiago Serranohttp://www.bolanarede.pt
O Tiago é um jovem natural de Montemor-o-Novo, de uma região onde o futebol tem pouca visibilidade. Desde que se lembra é adepto fervoroso do Sport Lisboa e Benfica, mas também aprecia e acompanha o futebol em geral. Gosta muito de escrever sobre futebol e por isso decidiu abraçar este projeto, com o intuito de crescer a nível profissional e pessoal.

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