A seleção brasileira se despediu da Copa do Mundo com uma derrota para a anfitriã, França, nas oitavas de final do torneio. Uma derrota dolorida na prorrogação, mas que elevou a autoestima das nossas jogadoras que demonstraram durante a competição muito brio em defender a “amarelinha”. Essa foi a primeira Copa do Mundo que uma emissora de televisão aberta transmitiu todos os jogos do Brasil. Isso é um marco importante para o esporte feminino.

A torcida era para que a seleção ganhasse a sua primeira Copa do Mundo, mas sabíamos que não estava entre as favoritas. O Brasil chegou ao Mundial com nove derrotas seguidas, um recorde negativo na sua história, e passar da primeira fase era o objetivo. Claro que a comissão técnica e as jogadoras tinham outro discurso, mesmo com as dificuldades escancaradas. Na verdade, a seleção feminina do Brasil em uma Copa do Mundo é como se fosse uma Colômbia masculina no Mundial. Tem grandes individualidades, mas não um conjunto tão forte para brigar pelo título. O trabalho do técnico Vadão era bem questionável e foi até surpreendente ter chegado no comando da seleção para o Mundial.

Uma possível conquista seria algo extraordinário para a vida das atletas, mas ao mesmo tempo seria enganoso para o futebol brasileiro feminino. Ser campeã do mundo poderia camuflar todas as deficiências e falta de investimentos no futebol feminino no país. Certamente a CBF iria se gabar dessa conquista e discursaria que tudo está indo às “mil maravilhas”.

“É um momento especial e a gente tem que aproveitar. O momento é muito emocionante. Queria estar sorrindo aqui ou até chorando de alegria. A gente pede tanto, pede apoio, mas a gente também precisa valorizar. A gente está sorrindo aqui e acho que esse é o primordial, ter que chorar no começo para sorrir no fim. É treinar mais, estar pronta para jogar 90 minutos, 30 minutos, e quantos mais forem. Não vamos ter Formiga, Marta e Cristiane para sempre. O futebol feminino depende de vocês. Pensem nisso, valorizem mais. Chorem no início para sorrir no fim”, disse Marta, muito emocionada ainda no gramado.

A camisa 10 ainda falou sobre a necessidade de realizar um trabalho sólido e contínuo:  “Eu acho que o primordial neste momento é que todas (jogadoras), a que estão aqui, as que passaram pela seleção, as que pretendem chegar na seleção, possam ter em mente que é importante um trabalho cedo, para chegar bem preparada em uma competição como uma Copa do Mundo, uma Olimpíada. Porque não adiante querer fazer isso em meses”,

Até ao início da década de 40, as brasileiras eram proibidas por lei de jogarem futebol
Fonte: FIFA Women’s World Cup

Marta é “apenas” a melhor jogadora da história do futebol feminino mundial. Eleita pela FIFA seis vezes como a melhor jogadora do mundo. Além do talento nos gramados, a brasileira bate um bolão fora das quatro linhas e sempre se pronuncia a favor da igualdade de gênero no esporte.

Ano que vem acontecerá as Olimpíadas de Tóquio. O evento é um dos que mais chamam a atenção do público para o futebol feminino. Porém, é como relatou a Marta. Não adianta acharmos que num passe de mágica a seleção se tornará forte e mais competitiva. O Brasil precisa seguir o exemplo da França. Os franceses há algum tempo investem no futebol feminino o que inclui desde o trabalho de base até o fortalecimento das competições. Isso resulta em clubes fortes (o Lyon é tetra campeão da Champions) e seleção forte. O estado de estagnação do nosso futebol feminino incomoda e um projeto sólido precisa ser colocado logo em prática.

Foto de Capa: FIFA Women’s World Cup

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