Espanha 1-0 Inglaterra: La Roja faz história e conquista o primeiro Mundial Feminino

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A CRÓNICA: ESPANHA CAMPEÃ; ABENÇOADO SEJAS, PÉ ESQUERDO DE OLGA CARMONA

Espanha e Inglaterra entraram em campo para disputar a final do Campeonato do Mundo de Futebol Feminino pela primeira vez na história. Tanto uma seleção como a outra já haviam conquistado a competição no masculino, mas o sonho de levantar o mais importante troféu do futebol de seleções, também no feminino, tomava conta das jogadoras. Antes desta final, só a Alemanha havia conseguido tal proeza.

O jogo começou numa intensidade bastante assinalável, pautado pelo equilíbrio, pelo reduzido risco e pela muita agressividade no momento da recuperação de bola. Vontade de fazer história não ia faltando às jogadoras.

A Inglaterra, orientada por Sarina Wiegman, apresentou-se em campo num 3-5-2 e com um futebol bastante objetivo. Desde o início, as inglesas apostaram numa pressão alta para tentar aproveitar algum eventual erro na construção espanhola. Sem pensar muito o seu jogo e sempre com Lauren Hemp como referência, as Lionesses não iam precisando de dar muitos toques na bola para chegar ao último terço do campo.

Aos 15 minutos, Rachel Daly amorteceu a bola para um remate violento à barra de Lauren Hemp, naquela que foi a primeira grande ocasião de golo do jogo. Já a Espanha, orientada por Jorge Vilda, e no seu habitual 4-3-3, ia mantendo-se fiel à sua identidade que parece ser transversal a todas as suas seleções, desde o masculino ao feminino, ora na seleção principal, ora nas seleções jovens. Um futebol assente no domínio da posse de bola e de elevado nível técnico.

Aos 17 minutos – dois minutos depois do remate à barra de Lauren Hemp -, a Espanha respondeu à ameaça inglesa com uma excelente jogada, mas Alba Redondo, já na pequena área, atirou à figura de Mary Earps.

No entanto, o aviso rapidamente transformou-se em golo. Aos 29 minutos, após uma recuperação de bola no meio-campo ofensivo, o movimento desequilibrador e o remate colocado de Olga Carmona ditaram a diferença.

A partir daí, a Inglaterra nunca mais conseguiu reencontrar-se no jogo durante a primeira parte. A Espanha foi controlando a partida com bola, e mesmo sem ela ia sendo competente na organização e transição defensivas.

Aliás, as espanholas estiveram mesmo perto de aumentar a vantagem ainda na primeira parte, mas o remate de Salma Paralluelo embateu no poste esquerdo da baliza inglesa.

Para a segunda parte, Sarina Wiegman chamou a jogo Chloe Kelly e Lauren James, retirando de campo Rachel Daly e Alessia Russo, mudou o sistema táctico e a equipa cresceu.

No entanto, e apesar de não ter tanta posse de bola como na primeira parte, a Espanha manteve-se mais perigosa. Mary Earps negou o golo a Mariona Caldentey no minuto 50, mas foi aos 70 minutos que a guarda-redes inglesa brilhou por completo ao defender uma grande penalidade batida por Jennifer Hermoso.

As Lionesses foram crescendo, mas as oportunidades de golo escasseavam. Lauren James, de volta aos relvados depois da expulsão no quartos-de-final contra a Nigéria, tocou poucas vezes na bola e a Inglaterra sentiu isso. Aos 75 minutos, a extremo do Chelsea FC ficou perto do golo, mas Cata Coll mostrou-se intransponível.

Até ao final, a descrença apoderou-se das jogadores inglesas e o resultado não foi beliscado. A Espanha acabou a ter mais posse de bola durante os 13 minutos de compensação e até esteve perto do segundo golo por intermédio de Ona Battle. A partida terminou com Cata Coll a agarrar uma bola no ar na sequência de um pontapé de canto. Com a bola, a guardiã espanhola agarrou também o inédito título de campeã mundial.

Apesar de todas as dificuldades e polémicas antes do início da competição, a Espanha de Jorge Vilda foi, sem sombra de dúvidas, a melhor seleção do Mundial 2023. Um título que premeia a notável aposta do nosso país vizinho no futebol feminino.

A FIGURA DO JOGO

Olga Carmona – No dia mais importante da história do futebol feminino no seu país, Olga Carmona, a lateral-esquerdo e capitã da seleção espanhola, apareceu no ataque para fazer a diferença. Diferença essa que já havia marcado nas meias-finais quando também marcou o golo da vitória perante a Suécia. No plano defensivo, mostrou-se sempre segura.

A FORA DE JOGO

Inglaterra – No geral, a campanha inglesa no Campeonato do Mundo foi de grande qualidade e a chegada à final da competição foi alcançada com naturalidade. No entanto, a prestação nos últimos 90 minutos de prova foi muito abaixo daquilo que se esperava. A equipa orientada por Sarina Wiegman nunca conseguiu mostrar superioridade perante a Espanha.

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