cab futebol feminino

O campeonato nacional feminino de futebol vai sensivelmente a dois terços da fase regular. Esta é aquela infame altura em que, por muito que ninguém queira fazer quaisquer comentários ou previsões, há coisas que começam a evidenciar-se. Como não temo quaisquer represálias por me enganar, avanço aqui com algumas opiniões/conclusões/previsões sobre aquilo que tenho acompanhado do campeonato nacional feminino desta temporada:

A supremacia do A-dos-Francos

Só muito dificilmente é que as atletas das Caldas da Rainha não se sagrarão campeãs femininas na presente época. Com uma estrutura impecavelmente montada, a equipa recém-promovida, treinada por Paulo Sousa, não tem dado hipóteses no seu assalto ao título. Os números falam por si. Onze vitórias em 12 jogos, defesa menos batida do campeonato, com apenas oito golos sofridos, segundo melhor ataque, com 36 golos marcados (o Ouriense tem 37). Assim fica difícil. É que poderia dar-se o caso de o A-dos-Francos apenas demonstrar consistência em termos de resultados, e mostrar sinais de cansaço físico ou incapacidade de gerir a liderança. Mas não. Líderes praticamente desde o início, esta equipa tem provado a tudo e todos que está aqui para vencer, não obstante a sua condição de recém-promovida. À passagem da 12º jornada, um encontro no mínimo especial – A-dos-Francos contra 1º Dezembro. O presente líder contra o antigo gigante, agora moribundo. Aceitam-se apostas? Vitória por 4 a 0 da equipa da casa, depois de uma primeira meia hora algo equilibrada, mas que depressa se tornou numa goleada. Tirar esta equipa do poleiro torna-se cada vez mais uma tarefa hercúlea; desconfio sinceramente de que ninguém a vai conseguir concretizar. E convenhamos que, a confirmar-se esta teoria, pelo que se viu até agora, o A-dos-Francos é um justíssimo campeão.

A-dos-Francos segue imparável – nova goleada, frente ao lanterna vermelha 1º Dezembro Fonte: http://futebolfemininoportugal.com/
A-dos-Francos segue imparável – nova goleada, frente ao lanterna vermelha 1º Dezembro
Fonte: http://futebolfemininoportugal.com/

1º Dezembro com um pé fora da 1º Divisão

“Mas, espera lá, esta não era aquela equipa que tinha sido campeã por 11 épocas consecutivas?”, pode pensar o leitor mais distraído. Era, pois. Mas o tempo verbal é mesmo esse – era. Uma verdadeira sombra daquilo que em tempos foi. Com 12 jornadas passadas, a equipa de Sintra ainda não conseguiu vencer um único encontro. Apostar que um antigo titã do futebol feminino vai descer de divisão pode parecer arriscado, em especial quando ainda tem 16 jogos pela frente (seis da fase regular, mais 10 da fase de manutenção, assumindo que fica nessa fase). No entanto, volto a repetir – 12 jogos e zero vitórias é mau de mais. Aqui, convém relembrar que esta equipa do 1º Dezembro não é a mesma que a de épocas transactas. Como afirma o Presidente do clube, as dificuldades financeiras e a saída de muitas jogadoras para outras equipas condicionaram – e de que forma – a prestação do antigo gigante feminino nesta temporada. No entanto, e ainda que tudo seja possível, a haver um candidato à despromoção, o 1º de Dezembro é, nesta altura, o top contender.

Após 11 anos enquanto campeão, o 1º de Dezembro arrisca-se a descer de divisão Fonte: www.futebolfemininoportugal.com
Após 11 anos enquanto campeão, o 1º de Dezembro arrisca-se a descer de divisão
Fonte: www.futebolfemininoportugal.com
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Clube Albergaria, the King Slayer

A única equipa que até à data conseguiu derrotar o A-dos-Francos recebeu o Atlético Ouriense e… voltou a fazer das suas. Vitória por 3 a 1 frente ao segundo classificado, que não conseguiu desta forma aproveitar a escorregadela do líder. As atletas do Albergaria estão a 11 pontos do A-dos-Francos, é certo, mas, se continuarem a impor derrotas aos primeiros classificados, podem muito bem vir a surpreender na fase de apuramento de campeão. Isto, é claro, se lá chegarem, tarefa que se adivinha bastante difícil…

Fase de apuramento de campeão – sete cães a um osso

Vá, não são sete cães nem é apenas um osso – era só uma força de expressão. No máximo, seriam quatro cães a três ossos. Passo a explicar: apenas quatro equipas vão disputar a fase de apuramento de campeão. E, se o A-dos-Francos parece já ter bilhete reservado, o mesmo não se pode dizer de qualquer outra equipa. Clube Albergaria e Vilaverdense têm neste momento 22 pontos cada, e seguem respectivamente no 4º e 5º lugar da tabela classificativa. Com 24 e 23 pontos, ainda que com um jogo em atraso, estão o Atlético Ouriense e o Futebol Benfica, na 2º e 3º posição. Não é preciso ser um predestinado matemático para chegar à seguinte conclusão – as últimas seis jornadas vão ser uma autêntica disputa por um lugar ao sol. Que é, como quem diz, um lugar que permite jogar a fase de apuramento de campeão. E atenção – ainda que um pouco mais atrás, Boavista e Valadares Gaia ainda podem ter uma palavra a dizer nesta luta pelos lugares cimeiros. Nenhuma destas quatro equipas quer ser o patinho feio que fica fora da corrida, aquele que morre na praia. A competição vai ser renhida, isso é garantido. Se, depois, qualquer uma destas equipas ainda tiver fôlego para tentar destronar o A-dos-Francos, isso é outra conversa.

Vilaverdense soma a quinta vitória consecutiva ao bater o Cesarense por 4 a 1, e afirma-se como uma das equipas a abater na luta pelos lugares cimeiros da tabela Fotografia: Luís Ribeiro
Vilaverdense soma a quinta vitória consecutiva ao bater o Cesarense por 4 a 1, e afirma-se como uma das equipas a abater na luta pelos lugares cimeiros da tabela
Fotografia: Luís Ribeiro

O Futebol não é matemática, sempre ouvi dizer. E, no campeonato nacional feminino, essa máxima não poderia estar mais presente. Vejamos como correm as últimas seis jornadas da fase regular. Porque se há coisas que começam a ser evidentes, outras são quase impossíveis de prever.

Comentários

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O Rui jogou a trinco nas camadas jovens do União de Tomar, e reza a lenda que se fartava de fazer faltas. Muito mais moderado nos comentários, diz que quando teve a oportunidade de escrever sobre futebol e raparigas, não pensou duas vezes.                                                                                                                                                 O Rui não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.