A CRÓNICA: JÁ CHEIRA A FISH AND CHIPS, MAS AINDA FALTA UM POQUINHO

Como diria alguém que foi importante para o futebol português: “É feriado hoje, ca*alho”. E de facto é, mas não por um mero simbolismo de se ter ganho algo, mas sim porque o calendário assim o dita. Foi neste dia 1 de dezembro (em 1640) que se restaurou a independência de Portugal. Além disso, as portuguesas iam a campo e queriam já dar novo passo importante rumo ao Europeu de 2022.

A seleção portuguesa começou mandona no jogo e com intenção de resolver rápido o mesmo para que não acontecesse a mesma dose da última vez contra a Escócia. Contudo, uma Albânia coesa mostrava que a tarefa não ia ser assim tão fácil, como o selecionador Francisco Neto já tinha perspetivado.

O jogo estava equilibrado e o nulo resistiu até ao final da primeira parte. O problema é que Portugal teve oportunidades para marcar por diversas vezes, mas ou acabava por sair para fora ou Viona Rexhepi estava atenta e com grandes reflexos conseguia parar tudo o que vinha para a sua baliza.

Parecíamos caminhar para algo monótono novamente tal como já tinha acontecido em episódios anteriores, como quem diz na sexta-feira frente à Escócia. Mas a monotonia foi quebrada pela entrada de Diana Silva, que deu mais velocidade e também mais critério no último terço da seleção portuguesa. E foi dos pés da número 16, aos 57 minutos, que surgiu o cruzamento para a cabeça de Ana Capeta fazer o primeiro da partida!

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As oportunidades continuaram a surgir para as portuguesas, mas a bola não queria entrar mais. E assim no final dos 90 minutos? Um suspiro, muita alegria e o mais especial: três pontos (muito muito importantes). Portugal soma agora 16 pontos e as jogadoras ficam sentadas no sofá à espera do resultado que vai sair do Escócia x Finlândia que pode ser decisivo para as contas do grupo.

 

A FIGURA

Diana Silva – Foi quem conseguiu desequilibrar o jogo que parecia estar preso por detalhes – ou melhor dizendo preso por causa da guarda-redes albanesa. As oportunidades iam acontecendo, mas faltava sempre algo mais e talvez esse algo mais fosse “critério”. A atleta que, atualmente, joga no Aston Villa FC fez o cruzamento teleguiado para a cabeça de Ana Capeta. Na altura de pressionar, lá estava ela. Uma grande entrada de uma jogadora que já tinha estado bem no jogo contra a Escócia.

O FORA DE JOGO

Carolina Mendes – Não se sentiu muito a presença da avançada leonina durante esta partida. Era permanentemente chamada à atenção por Francisco Neto, que, certamente, não estava a gostar daquilo que via da jogadora e principalmente do seu posicionamento enquanto avançada. Contudo, este não seria um jogo fácil, pois teria sempre muitas jogadoras a marcá-la.

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Francisco Neto apresentou o mesmo esquema tático que já tinha subido a relvado no jogo anterior, ou seja, a aposta continuou num 4-3-3. Porém, houve alterações a registar e as mais significativas foram na frente de ataque. Carolina Mendes assumiu a posição mais avançada do terreno e Ana Capeta ficou ocupou o lado esquerdo das três mais avançadas. Houve ainda a mudança de Fátima Pinto para o banco e no seu lugar ficou para a capitã: Cláudia Neto.

As portuguesas queriam tomar conta do jogo e controlavam a posse de bola, desenrolando-se o jogo muito mais no campo adversário do que no lado português. A grande questão que se colocava aqui era como é que iam ultrapassar a defesa coesa albanesa, que mais parecia uma muralha. A vitória esteve na velocidade e no aproveitamento do espaço nas costas da defesa albanesa.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Patrícia Morais (5)

Mónica Mendes (5)

Sílvia Rebelo (5)

Carole Costa (5)

Joana Marchão (6)

Dolores Silva (7)

Cláudia Neto (6)

Tatiana Pinto (5)

Ana Borges (6)

Ana Capeta (6)

Carolina Mendes (4)

SUBS UTILIZADAS

Diana Silva (8)

Andreia Norton (6)

Mélissa Gomes (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – ALBÂNIA

As albanesas vêm de uma vitória saborosa frente a Chipre por 4-0 e a seleção apresentou-se no Restelo sem grandes mudanças para defrontar as portuguesas. O treinador Armir Grimaj apostou num 4-3-3 com três alterações para a entrada de Hamidi, Curraj e Levenaj. Em momentos defensivos podemos verificar também um 4-2-3-1, muito na procura de condicionar a circulação de bola portuguesa e também o meio campo de Dolores, Tatiana e Cláudia.

As albanesas vinham a Lisboa para conseguir retirar algo de bom – nem que fosse simplesmente um ponto. A ideia seria jogar no erro das adversárias e também jogar no contra-ataque rápido que tinha de sair de uma recuperação de bola em zona avançada, por exemplo, no meio campo. Houve ainda algum atrevimento – dado muito pela seleção portuguesa -, mas as oportunidades não chegaram a assustar Patrícia Morais.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Viona Rexhepi (7)

Lucie Gjini (5)

Alma Hila (5)

Albina Rrahamni (5)

Sara Maliqi (5)

Arbetina Curraj (5)

Endrina Elezaj (5)

Vanesa Levenaj (5)

Mimoza Hamidi (4)

Megi Doci (6)

Zylfije Bajaramaj (5)

SUBS UTILIZADAS

Qendresa Krasniqui (5)

Kristina Maksuti (-)

Suada Jashari (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

PORTUGAL

BnR: Durante a primeira parte foram constantes as reprimendas que ia dando a nível posicional às jogadoras. O que disse ao intervalo às suas jogadoras e, sobretudo, à Diana Silva, que entrou para a segunda parte, para que melhorasse no jogo que estava preso por detalhes?

Francisco Neto: A grande questão é que a Albânia estava com uma referência individual e nós estávamos a jogar muito de costas. Aquilo que estava a pedir às jogadoras é que procurassem mais a bola no espaço e tivemos muitas vantagens na profundidade, mas acabava por não sair nada depois. Por isso, pedia muito para as jogadoras darem mais largura no espaço no jogo e se tivessem oportunidade conseguirem ganhar a profundidade. E disse à Diana [Silva] para fazer o mesmo que as outras estavam a fazer. Como a Albânia estava no bloco intermédio/baixo e estava a pedir sempre para serem um bocado mais fortes a nível posicional, pois foi isso que tivemos alguma dificuldade em conseguir durante todo o jogo.

Ana Capeta – Melhores declarações

«Conquistámos os nossos três pontos frente à Albânia. Foi um golo especial, mas não foi só por ter sido o golo da vitória, porque todos os meus golos são especiais e é assim que sinto todos eles».

«Já tivemos mais longe de conseguir o apuramento, mas ainda nos faltam três pontos e é nisso que estamos concentradas e é isso que vamos trabalhar. Porque acredito que vamos lá estar».

«Foi um bom cruzamento da Diana [Silva]. Eu fiz o meu trabalho que era aparecer naquela zona e fiz o golo».

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