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Dia de gala para o futebol feminino luso. Pela primeira vez na sua história, Portugal podia chegar à fase final de um Europeu da modalidade. Depois de um empate sem golos em casa, a equipa comandada por Francisco Neto deslocava-se à Roménia para jogar a segunda mão do play-off e com o sonho bem de pé – chegar à Holanda. Portugal tem vindo a crescer a passos largos ao longo dos anos e o trabalho de formação podia hoje ter o auge dos seus frutos.

A tarefa não se adivinhava fácil, pois pela frente surgia uma seleção muito experiente, que também queria fazer história e estrear-se em europeus. Uma equipa com base num clube, o Cluj, pois apresentava-se com 8 jogadoras de inicio, 14 na convocatória e o treinador deste conjunto romeno.

Ambas as equipas iniciaram o jogo com as cautelas que este implicava. Portugal num 4-4-2 losango, com grande personalidade, sem medo de manter a posse de bola e a tentar chegar em apoio às duas jogadoras mais avançadas. A Roménia a sair em contra-ataques rápidos, aproveitando algum espaço dado nas costas da defesa lusa e a fazer-se valer do maior poderio físico.

Depois de alguma pressão inicial da equipa caseira, Portugal conseguiu equilibrar a partida e aos 16 minutos surgiu a primeira grande oportunidade do jogo. Uma boa defesa da guardiã romena, depois de uma grande jogada coletiva do conjunto português, a culminar com um remate de calcanhar de Carolina Mendes.

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Até ao final da primeira metade, nada de novo. Mantinha-se o equilíbrio que marcava esta eliminatória, com poucas oportunidades para ambos os lados e com as defesas a superiorizarem-se sempre aos ataques. Jogava-se, essencialmente no meio-campo, com batalhas constantes naquela zona do terreno. Do lado de Portugal, Matilde Fidalgo, mostrava que apesar dos seus 22 anos é já uma jogadora de grande nível e estava em grande plano, tanto a defender como a atacar pelo flanco direito.

Apesar das cautelas se manterem de ambas as partes, as romenas entraram melhor para o segundo tempo e criam uma boa ocasião de golo aos 56’, com a guardiã portuguesa, Patrícia Morais, a salvar em cima da linha de golo. Portugal a jogar um futebol mais direto, acabava por beneficiar o estilo de jogo das romenas que se começaram a sentir mais confortáveis no terreno.

A partir dos 78’ e já depois do treinador português ter esgotado as substituições, o cansaço apoderava-se das duas equipas e sentia-se que qualquer erro poderia ser fatal para qualquer um dos lados. O prolongamento estava cada vez mais à vista e nenhuma das formações arriscava um milímetro.

Este prolongamento podia ter sido evitado no ultimo minuto do tempo de compensação, pois Portugal teve a melhor ocasião de todo o jogo nesta altura. Depois de uma grande jogada individual de Diana Silva pela esquerda, a bola sobra para Ana Borges, que em posição muito favorável rematou contra uma defesa romena. O sofrimento iria durar mais 30 minutos, pelo menos.

Inicio de tempo-extra muito morno, mas com Portugal um pouco por cima, com a capitã Cláudia Neto a pegar no jogo da formação lusa e, num livre direto, a proporcionar mais uma boa defesa à guardiã romena. Até que no ultimo minuto da primeira parte do prolongamento, numa grande jogada, Ana Borges, assiste Andreia Norton para o golo da seleção das quinas. O Europeu da Holanda estava a 15 minutos de distância.

A seleção romena precisava agora de 2 golos para se qualificar e a Portugal restava aguentar a vantagem. No inicio da segunda parte as romenas chegam ao empate, resultado que ainda servia à seleção das quinas. Faltavam 10 minutos, que se anteviam de sofrimento para as guerreiras lusas.

Terminava o jogo! Depois de 210 minutos de luta, as nossas guerreiras carimbaram o passaporte para a Holanda. Dia 25 de outubro de 2016 fica marcado na história do futebol feminino português. Estão de parabéns as jogadoras, o treinador Francisco Neto, os clubes portugueses que têm investido no futebol feminino e a Federação Portuguesa de Futebol, pois o trabalho está a dar frutos. Parece que 2016 é ano das nossas seleções fazerem história. Orgulhemo-nos portugueses!