A CRÓNICA: O PRAGMATISMO E A EFICÁCIA DAS LEOAS FORAM SUFICIENTES

O frio e a chuva indicavam que algo de errado ia acontecer! E não era para mim, por estar fora de horas do recolher obrigatório, mas sim para alguma das equipas em campo no Estádio da Tapadinha. SL Benfica e Sporting CP voltavam-se a encontrar para mais um dérbi eterno, mas, desta vez, no Futebol Feminino. Perfiladas em campo, foi altura de fazer uma viagem entre extremos e descer até ao inferno com a ajuda de Ana Capeta. Não percebeste? Já vais perceber!

Apesar de o jogo ter começado equilibrado, com as encarnadas a ter mais oportunidades de jogo, nada fazia prever que, durante 35 minutos, estaria tudo ainda a zeros. Isto graças a Inês Pereira, guarda-redes dos leões, que ia mantendo a baliza mais do que segura. Digo até aos 35 porquê? Porque, aos 37 minutos, uma má decisão no ataque encarnado permitiu um contra-ataque rápido das leoas e Ana Capeta, que estava sem qualquer pressão, disse “é já daqui!”. Um “golaço” a abrir um jogo que, apesar da madrugadora hora, não começou “lentinho” – bem pelo contrário.

Contudo, foi assim que se caminhou para o intervalo. Com um a zero a favor das leoas e com um verdadeiro espetáculo e uma promoção ao Futebol Feminino. Um quarto elemento também se quis juntar à festa: a chuva, que nem por nada largava este jogo.

Com o regresso da partida, a surpresa (ou nem assim tanta) foi quando Ana Capeta rematou sem que ninguém estivesse à espera para fazer o 0-2. Mais uma pintura da internacional portuguesa, a fazer toda a diferença na partida. Naquela altura, Capeta dava as boas vindas às encarnadas ao “seu inferno”.

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O jogo acalmou imenso, com as encarnadas a querer ir para cima das leoas para reverter o resultado. Pouco mais aconteceu. Sem ser a perfeita coesão das verdes e brancas e o seu critério com bola, não há muito a referir. Aliás, até há. Com mais uma recuperação de bola de Tatiana Pinto, a internacional portuguesa lançou Raquel Fernandes, que meteu o esférico no canto oposto de Dani Neuhaus para o 0-3.

Uma vitória do pragmatismo, da eficácia, mas, acima de tudo, de uma equipa que mostrou ser melhor na grande maioria do jogo. As leoas seguem em 1.º lugar, em igualdade pontual com o SL Benfica. Contudo, no confronto direto, já têm vantagem – e com um jogo a menos!

 

A FIGURA

Ana Capeta – Já não é surpresa para ninguém que é uma grande jogadora, mas, hoje, esteve em clara evidência. Mostrou-se disponível na frente de ataque para controlar e condicionar a primeira fase de construção das encarnadas, e poucas bolas acabavam por ser perdidas pela internacional portuguesa. Esta manhã, marcou dois golos que deixaram, sem dúvida, todos de boca aberta (especialmente o primeiro).

O FORA DE JOGO

A condição física das encarnadas – Não se pode dizer que entraram a 100% depois de confrontos atrás de confrontos num curto período de tempo. A verdade é que a rotatividade nas encarnadas é complicada: ora há poucas opções, ora as opções que há não são equivalentes às que estão em campo, apesar de toda a qualidade que apresentam. Estivessem com uma condição física melhor, talvez tivessem apresentado outra disponibilidade para este jogo.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

As encarnadas apresentaram-se num 4-3-3 que acabava por ser muito móvel e muito moldável àquilo que era o momento de jogo que estava a acontecer. Quando o SL Benfica estava em ações defensivas, a equipa apresentava-se num 4-2-3-1, com Pauleta e Ucheibe a fazerem as duas médias mais recuadas e com a linha de três com Andreia Faria, Cloé Lacasse e Ana Vitória a apoiar o meio campo e a avançada Nycole. Já as ações ofensivas não foram ideais: uma grande aposta pelas bolas longas nas costas das defesas e/ou a tentativa de combinação nas linhas.

Com as substituições de Jolina e Francisca, Andreia Faria desceu para segunda média com a companhia de Pauleta. Contudo, foi um dos erros das encarnadas, pois a equipa ficou muito desequilibrada no meio do terreno. Houve pouca vontade na frente de ataque e, muito provavelmente, afetou a falta de descanso das encarnadas.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Dani Neuhaus (4)

Ana Seiça (5)

Sílvia Rebelo (5)

Carole Costa (5)

Catarina Amado (5)

Christy Ucheibe (4)

Pauleta (5)

Andreia Faria (4)

Cloé Lacasse (4)

Ana Vitória (5)

Nycole (5)

SUBS UTILIZADAS

Jolina (4)

Francisca Nazareth (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Susana Cova deixou as suas leoas em campo com missões muito diferentes. Talvez por aqui tenha passado o segredo da grande vitória de hoje. Havia constantes trocas, tanto a nível de posição, como a nível de esquema tática. Digamos que as verdes e brancas andaram perto de um 4-3-3 e num 4-1-4-1, no qual Tatiana Pinto era a médio que mais atrás começava a construção de jogo. Porém, por esta missão passaram também Fátima Pinto e Andreia Jacinto.

No ataque, houve um grande entrosamento entre Ana Capeta, Ana Borges e Raquel Fernandes, onde era fácil ver que sairiam de forma rápida sempre que as permitissem. Acredito que esta vitória tenha passado muito pelo controlo do meio campo e pelo facto de conseguirem recuperar de forma inteligente o erro das encarnadas, principalmente entre a primeira fase de construção e o meio campo. Não nos devemos esquecer, também, do grande trabalho que foi feito por Inês Pereira. A guarda-redes conseguiu sair a jogar de forma incrível em quase todas as situações.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Inês Pereira (7)

Joana Marchão (6)

Bruna Costa (6)

Navena Damjanovic (7)

Wibke Meister (5)

Tatiana Pinto (8)

Fátima Pinto (6)

Andreia Jacinto (6)

Ana Borges (7)

Raquel Fernandes (7)

Ana Capeta (8)

SUBS UTILIZADAS

Carolina Mendes (5)

Marta Ferreira (5)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica

BnR: Os dois golos do Sporting CP surgem a partir de um erro ofensivo e de uma surpresa num contra-ataque. Acredita que foi por isto que o jogo foi decidido?

Luís Andrade: Perdas de bolas da nossa parte que deram em transição do Sporting CP… A equipa tem jogadoras muito rápidas, como a Raquel, a Ana Borges e a Ana Capeta, e ficámos um pouco desprotegidos. Surge o primeiro golo da [Ana] Capeta, na primeira parte, sem que nada esperássemos e, como tal, tentámos dar a volta na segunda parte. Infelizmente, não conseguimos. Parabéns ao Sporting CP. Agora, é levantar a cabeça, porque o nosso foco é a Liga dos Campeões e o jogo frente ao RSC Anderlecht.

Sporting CP

BnR: A Inês Pereira teve uma grande importância na primeira fase de construção do Sporting CP. Esteve sempre em constante comunicação com ela. É importante neste tipo de jogos que as guarda-redes tenham esta característica – a de jogar bem com os pés?

Susana Cova: Geralmente, estamos muito em contato com as jogadoras nos momentos que achamos que são preponderantes. Todas as posições são importantes, mas a guarda-redes é a jogadora que, por vezes, vê o jogo tão bem, ou melhor, do que o treinador, porque o vê de uma forma profunda. Portanto, é um elemento fulcral na orientação da equipa.

Respondendo à sua pergunta, estaríamos tão confiantes, ou tão tranquilos, sendo a Inês Pereira ou a Patrícia Morais a estar naquela baliza. Hão de ter oportunidade de verificar isso também. Isso faz parte do jogo coletivo, ou seja, não jogamos só individual e com as caraterísticas na guarda-redes Patrícia Morais nem da Inês Pereira. É uma ligação que tem de haver entre a equipa e uma perceção em termos de comunicação não só verbal, mas corporal, para fazer com que as coisas se sucedam. Foi uma das situações que foi muito positiva neste jogo, naturalmente.

Artigo revisto por Mariana Plácido

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