A CRÓNICA: SL BENFICA OFF, ANDREIA NORTON

A Taça de Portugal 2019/2020 é do SC Braga! Com todo o mérito e toda a justiça (que a há no futebol), as bracarenses superiorizaram-se de forma clara ao SL Benfica e, com um 3-1 no marcador, levantaram o tão cobiçado troféu, que segue para o Minho. Partida de imensa qualidade, um espetáculo merecedor de assistência e uma promoção excelente para o futebol feminino.

A equipa bracarense entra melhor na partida e precisa apenas de oito minutos para materializar o seu domínio em vantagem no marcador. Após as lisboetas não serem capazes de “sacudir” a pressão na sequência de um canto pela direita, a bola pinga para o pé esquerdo de Hannah Keane, que a estadunidense utiliza para desferir um excelente e indefensável remate.

A resposta benfiquista tarda. Chega apenas aos 19 minutos, por intermédio de Andreia Faria, que conta com – e desperdiça – uma assistência de excelência de Matilde Fidalgo. A lateral-esquerdo coloca a bola com conta, peso e medida na entrada da pequena área, a médio mais recuada do SL Benfica penetra bem a grande área bracarense e alcança a bola, mas atira por cima.

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Continua o SL Benfica a procurar criar perigo da mesma forma: cruzamentos pela esquerda a serem correspondidos – sem sucesso – por jogadoras à entrada da pequena área em posição frontal, cada vez mais e melhor vigiadas pelas defesas arsenalistas.

Defender bem é a missão primordial do SC Braga, que ainda assim consegue assustar as águias aos 32 minutos, com um remate de Dolores Silva a encontrar uma das bancadas do Municipal de Aveiro. Podia ter feito melhor a capitã bracarense, a quem havia sido concedido muito espaço pela defensiva benfiquista.

Jogo frio nos quinze minutos finais do primeiro tempo. Marcador inalterado e vantagem mínima – mas importante – das bracarenses na ida para os balneários. Também temporária. Cinco minutos jogados na segunda parte e golo do SL Benfica. Como? Cruzamento pela esquerda, desta feita de Ana Seiça, a encontrar uma jogadora na zona frontal da entrada da pequena área, desta feita Nycole, que iguala o marcador, de cabeça, contando com o auxílio de um resvalar da bola na arsenalista Andreia Norton.

Mal a equipa de Miguel Santos no lance do empate, permitindo que a avançada brasileira das águias chegasse a um cruzamento para uma área bracarense onde se encontravam quatro jogadoras do SC Braga e apenas Nycole do lado benfiquista. Dolores Silva faz jus à braçadeira de capitã e procura redimir a equipa, rematando de meia distância e tentando surpreender Carolina Vilão, que recuperava posição.

Curtos minutos volvidos e novo lance de perigo do SC Braga e de Dolores Silva, que remata à figura de Vilão. A fúria arsenalista não se esgota nos pontapés de Dolores e congrega-se no pé direito de Jermaine, que, aos 63 minutos, volta a colocar o SC Braga na frente do marcador, não com um golo, mas com um golaço.

Ao virar da esquina direita da área benfiquista, a avançada sul-africana desfere um remate arqueado de belíssimo efeito, fazendo a bola sobrevoar a mão esquerda hirta de Carolina Vilão e ir aninhar-se nas redes da baliza à guarda desta. De novo o SC Braga em vantagem, posição em que já se havia sentido confortável durante largos minutos.

Aos 77 minutos, mais confortável se passa a sentir a turma minhota. Grande progressão com bola de Andreia Norton, que liberta para a direita para o cruzamento de Myra Delgadillo, direto para a cabeça de Jermaine, que bisa na partida. Vantagem minhota dilatada e final (praticamente) resolvida.

Último quarto de hora sem veleidades benfiquistas, segurando o SC Braga a vantagem e assegurando a Taça de Portugal 19/20.

A FIGURA

Fonte: SC Braga

Andreia Norton – Para se ser a figura do jogo sem marcar, tendo alguém bisado, é preciso uma exibição completa e especial. Como a de Andreia Norton nesta final. Esteve em todo o lado e fez de tudo. A sua posição em campo foi indefenível e a sua qualidade em todas as ações – com e sem bola – inefáveis. Equilibrou e desequilibrou, fez avançar, recuar e parar o jogo sempre que este assim exigia. Exibição soberba!

O FORA DE JOGO

Fonte: SL Benfica

Cloé Lacasse: Em verdadeiro contraste com Norton, a canadiana do SL Benfica foi a jogadora mais apagada desta final. As poucas ações com bola não trouxeram nada de novo ao jogo da sua equipa e sem bola foi, apenas, uma jogadora esforçada. Exibição paupérrima, mesmo sem ter em linha de conta a real qualidade de Cloé Lacasse.

 ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

O corredor central mostra-se o favorito das benfiquistas no momento de atacar. É sobretudo por aí que as encarnadas de Lisboa tentam progredir no terreno, colocando jogadoras entre linhas nas divisórias dos terços de campo.

Numa primeira e mais recuada instância, Andreia Faria e Pauleta dão linhas de passe entre a linha avançada e a linha média do SC Braga; chegando-lhes o esférico, a tentativa mais recorrente é a de encontrar um elemento mais avançado – muitas vezes, Cloé Lacasse – de costas para a baliza, novamente entre linhas.

Já numa zona avançada do terreno, o SL Benfica tenta então explorar as alas, algo que não faz recorrentemente no primeiro terço do terreno. É precisamente pelo espaço que conquista nas alas que cria mais e maior perigo a equipa de Filipa Patão, recorrendo sobretudo aos cruzamentos tensos para a zona frontal da pequena área.

No momento de defender, as águias tentam conter os rasgos de ataque rápido das arsenalistas, com relativo sucesso. Nos poucos momentos de defesa em posição, o 4-4-2 era o desenho mais utilizado pelas comandadas de Filipa Patão, com três linhas bem definidas, com Cloé Lacasse e Nycole na primeira linha de defesa.

XI INICIAL E PONTUAÇÕES

Carolina Vilão (5)

Catarina Amado (5)

Carole Costa (5)

Sílvia Rebelo (5)

Matilde Fidalgo (6)

Andreia Faria (6)

Pauleta (6)

Beatriz Cameirão (5)

Ana Vitória (5)

Nycole (6)

Cloé Lacasse (4)

SUPS. UTILIZADAS

Ana Seiça (6)

Kika Nazareth (5)

ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA

No momento defensivo, as bracarenses optam por um 4-3-1-2, com Hannah Keane a ter a missão de impedir que Andreia Faria e Pauleta encontrem espaço nas costas da primeira linha de pressão das Guerreiras e possam fazer o jogo das águias progredir verticalmente pelo corredor central.

De uma forma muito coordenada, a equipa do SC Braga sobe as linhas de pressão consoante o fluir do esférico, dando muito pouco espaço de manobra à equipa adversária no momento de construção da mesma. Myra e Jermaine primeiro, Hannah Keane depois e uma terceira linha de três – com Dolores Silva no centro a fazer um fantástico papel de pêndulo e dínamo defensivo, ofensivo e de equilíbrio – conseguem, não raras vezes, evitar calafrios para a linha defensiva de quatro jogadoras.

Os ataques posicionais das bracarenses são raros, optando a turma de Miguel Santos por ataques mais rápidos e verticais, procurando a baliza ou, no mínimo, ganhar jardas e subir as linhas, obrigando o SL Benfica a voltar a construir, colocando de imediato o SC Braga uma enorme pressão sobre as águias.

Hannah Keane, tal como a defender, revela-se nos ataques arsenalistas um elemento preponderante, circulando bastante entre setores e corredores, ganhando duelos e segurando bolas, permitindo à sua equipa subir no terreno e ter bola com alguma regularidade.

XI INICIAL E PONTUAÇÕES

Marie Hourihan (6)

Rayane Machado (5)

Nágela Oliveira (6)

Ágata Filipa (6)

Diana Gomes (7)

Regina Pereira (7)

Dolores Silva (8)

Andreia Norton (9)

Jermaine (8)

Hannah Keane (7)

Myra Delgadillo (7)

SUPS. UTILIZADOS

Sofia Silva (6)

Laura Luís (-)

 Teles (-)

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