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SL Benfica 4-0 FC Twente: Classe encarnada carimba passagem à fase de grupos

Miguel Simões · 5 min

SL Benfica
Foto: Sebastião Rôxo/ Bola na Rede

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A CRÓNICA: QUANDO OS GOLOS SURGEM NOS TIMINGS CERTOS…

Na última paragem de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões Feminina, a equipa feminina do SL Benfica goleou o FC Twente por 4-0, após ter somado um empate a uma bola nos Países Baixos.

O jogo chegou a estar bem mais complicado do que o resultado final aparenta, mas uma entrada de rompante das águias na segunda parte terminou com todas as aspirações do adversário.

Num início de jogo algo tremido, o FC Twente apoderou-se da bola e instalou-se no meio-campo encarnado com algumas aproximações à baliza de Letícia, sobretudo através dos pés de Renate Jansen e de Suzanne Giesen.

Depois de 25 minutos mais apagados, as encarnadas mudaram o chip e o “encolhimento” inicial deu lugar à exploração de novas dinâmicas de ataque pelos flancos, fruto essencialmente de um maior envolvimento coletivo.

A partir da meia hora de jogo, começaram a surgir as oportunidades do SL Benfica, nomeadamente com os remates perigosos de Catarina Amado e Cloé Lacasse. O ascendente encarnado era evidente e a formação portuguesa chegou mesmo ao primeiro golo do encontro à beira do intervalo: Cloé Lacasse percorreu alguns metros com a bola, enquadrou-se para a baliza e abriu o ativo no Seixal numa altura muito importante do jogo.

Mas mais importante ainda foram os momentos em que as águias ampliaram a vantagem, com dois golos de rajada no regresso dos balneários. Numa jogada muito bem pensada a partir de trás, Cloé Lacasse descobriu Nycole Raysla no coração da área e a brasileira atirou para o 2-0 logo a abrir o segundo tempo. Os festejos encarnados subiram de tom com o terceiro golo, que apareceu três minutos depois dos pés, novamente, de Cloé Lacasse.

Cloé Lacasse teve uma noite de gala pelo SL Benfica
Cloé Lacasse teve uma noite de gala pelo SL Benfica
Fonte: Sebastião Rôxo/ Bola na Rede

A equipa feminina do FC Twente sentiu (e de que forma…) o impacto dos golos do SL Benfica e foi somando erros atrás de erros, perante umas águias muito mais atrevidas e confiantes.

Nesses minutos de pura instabilidade holandesa, cada ataque encarnado significava um momento de perigo, nomeadamente com as investidas de Pauleta e Cloé Lacasse – ela que chegaria ao hattrick à passagem do minuto 72’ num contra-golpe simples e eficaz. As oportunidades multiplicaram-se e, até final, destaque para o remate ao poste da recém-entrada Marta Cintra.

Com esta goleada, a formação feminina do SL Benfica avança para a fase de grupos naquela que é a sua segunda participação na Liga dos Campeões. Escreve-se, assim, mais uma página bonita na História do futebol feminino português.

 

A FIGURA

Cloé Lacasse marcou um hattrick pelo SL Benfica
Cloé Lacasse marcou um hattrick pelo SL Benfica no jogo de hoje
Fonte: Sebastião Rôxo/ Bola na Rede

Cloé Lacasse – Que grande exibição da ponta de lança do SL Benfica! Três golos e uma assistência numa noite de sonho para Cloé Lacasse, que até poderia ter obtido números maiores.

A atacante das águias soube vir buscar jogo atrás, segurar a bola quando era necessário, desmarcar-se das oponentes diretas e ainda teve uma leitura muito correta das movimentações das colegas.

A juntar a isso, somaram-se as várias tentativas de visar a baliza contrária, de todas as formas e feitios. Os aplausos e as vénias aquando da substituição foram demonstrativos disso mesmo.

 

O FORA DE JOGO

Kerstin Casparij – Uma exibição desinspirada da lateral-direita do FC Twente. No primeiro tempo, a atleta de 21 anos foi, a par de Anna-Lena Stolze, uma das jogadoras que mais bolas perdeu em zonas determinantes do campo.

As descoordenações táticas no corredor direito avolumaram com o crescimento do SL Benfica no encontro e, no segundo tempo, a holandesa não teve grande margem de manobra para melhorar, fundamentalmente em função da quantidade de vezes em que teve de baixar no terreno, mas sem grande sucesso.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA 

Filipa Patão alterou apenas uma peça por comparação à equipa inicial apresentada nos Países Baixos, com a entrada de Cloé Lacasse para a posição de Marta Cintra no ataque encarnado.

Organizadas em 4-4-2, as encarnadas sentiram várias dificuldades para sair a jogar com a bola na primeira meia hora de jogo e foram perdendo praticamente todos os duelos até então.

Apesar disso, a equipa foi conseguindo “branquear” o domínio das holandesas e, aos poucos, equilibrou as linhas e passou a construir jogo com mais qualidade, principalmente com recuperações nos corredores laterais.

A ligação entre setores passou a funcionar em pleno e as oportunidades começaram a surgir naturalmente, principalmente numa segunda parte em que praticamente todos os ataques se traduziam em oportunidades de perigo.

O papel das laterais do SL Benfica revelou ser letal no início do segundo tempo para criar vários desequilíbrios entre as linhas adversárias e sair a jogar com muito mais critério.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Letícia (6)

Lúcia Alves (7)

Carole Costa (7)

Sílvia Rebelo (6)

Catarina Amado (8)

Beatriz Cameirão (6)

Pauleta (7)

Andreia Faria (6)

Ana Vitória (6)

Cloé Lacasse (9)

Nycole Raysla (8)

SUBS UTILIZADOS

Valéria Silva (6)

Francisca Nazareth (6)

Christy Ucheibe (5)

Marta Cintra (-)

Maria Negrão (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC TWENTE

Já Robert de Pauw decidiu promover duas mudanças em relação ao jogo da primeira mão: Lysanne van der Wal ocupou a vaga deixada por Marisa Olislagers no corredor esquerdo e Kayleigh van Dooren entrou para o lugar de Bente Jansen na ala contrária.

Apesar de terem alinhado em 4-4-2 em organização defensiva, as holandesas optaram pela construção a três a partir de trás, com a lateral van der Wal a juntar-se à dupla de centrais, de modo a facilitar a projeção ofensiva na direita (com Kerstin Casparij no apoio a Anna-Lena Stolze). Contudo, a desinspiração tomou conta desse corredor e grande parte do jogo inclinou-se para as tentativas de desequilíbrio pelo corredor central.

O técnico do FC Twente identificou as lacunas na sua equipa e não foi de admirar a substituição de Anna-Lena Stolze por Bente Jansen ao intervalo, porém, nem houve tempo para a estratégia ser implementada.

Os golos de rajada do SL Benfica no início do segundo tempo desmoralizaram o conjunto neerlandês, que perdeu completamente a concentração no jogo, acumulando erros atrás de erros.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Daphne van Domselaar (5)

Lysanne van ver Wal (6)

Kiva van Es (5)

Caitlin Dijkstra (5)

Kerstin Casparij (4)

Wieke Kaptein (5)

Suzanne Giesen (6)

Kayleigh van Dooren (5)

Anna-Lena Stolze (4)

Renate Jansen (6)

Fenna Kalma (5)

SUBS UTILIZADOS

Bente Jansen (5)

Marisa Olislagers (6)

Nurija van Schoonhoven (5)

Miguel Simões

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