cab futebol feminino

Elas, tal como eles, também correm. E correm para vencer. Portanto, a primeira regra quando se fala de futebol feminino é uma e só uma (bem dourada): colocar de parte quaisquer preconceitos. Porque dentro das quatro linhas joga-se futebol e os melhores dias do ano do futebol feminino estão a chegar. De 6 de junho a 5 de julho, no Canadá, as melhores das melhores lutam entre si pelo título de Campeãs do Mundo.

Acompanharo Mundial de Futebol Feminino de 2011 – aquele que em terras germânicas fez despoletar verdadeiramente a modalidade para um outro patamar – transformou a competição feminina numa prova mais mediática. E mediática aparece como a palavra-chave: os números de adeptos a seguir as equipas, tanto pela internet como in loco, nos estádios, aumentou significativamente e, com isso, os contratos publicitários e as transmissões televisivas.

Aqui, a National Women’s Soccer League assumiu um grande papel. O futebol feminino já existia antes da popularidade de Alex Morgan e Hope Solo e da reestruturação do campeonato norte-americano, sim, mas foi com a ascensão da equipa nacional norte-americana (vice-campeã mundial em 2011, numa final épica perdida para o Japão e que teve como ‘vingança’ o ouro conquistado em Londres’12) que o futebol, no ocidente, e o soccer, na metade norte do continente americano, começaram a ganhar um outro impacto.

Assim, a NWSL preencheu – em paralelo com os sucessos europeus (a Suécia e a Alemanha têm vindo a ser os maiores destaques desde há muito) – os anos vagos de ‘grandes competições’ enquanto equipas locais começam a construir bases para poder competir com outros países ao nível de mediatismo. Não é fácil. Ao contrário do futebol masculino, onde estão já construídos grandes alicerces em todos os países, com os seus ‘grandes’ e ‘históricos’, no futebol feminino por muitos clubes ‘de região e cidade’ – chamemos-lhes assim – que haja, ainda são as selecções que reinam. E, consequentemente, os Europeus, Mundiais, Jogos Olímpicos e… a Algarve Cup. Mas já lá vamos!

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Criarnovos hábitos não é fácil. Criar novos hábitos quando do outro lado está uma ‘variante’ tão acompanhada quanto o futebol masculino, ainda menos fácil. Mas nisso os Estados Unidos foram exímios. Fugiram à tentação de se promover ao repescar os rostos mais comentados nas redes sociais e promoveram o seu futebol como mais ninguém. Criaram um produto, uma marca, uma paixão. E agora, mesmo com todos os esforços da Major League Soccer (que também passou por um rebranding), o soccer que reina é o feminino.

Alex Morgan, ao centro, é uma das figuras do futebol nos EUA Fonte: Facebook de Alex Morgan
Alex Morgan, ao centro, é uma das figuras do futebol nos EUA
Fonte: Facebook de Alex Morgan

Na Europa a realidade é outra, todos o sabemos, mas mais para Oriente o cenário volta a ser parecido com o norte-americano: o Japão (actual campeão em título), a China e a Coreia do Sul assumem papéis muito importantes na definição e construção da escalada global do futebol feminino.

Por estas e por outras razões, o Campeonato do Mundo de Futebol Feminino de 2016, que arranca já no próximo dia 6 de junho, no Canadá, será o maior da história.

As melhores do mundo passam por Portugal

Não é só “lá fora” que o esforço por promover o futebol feminino tem vindo a ser feito. Não, longe de ser verdade. Com uma selecção e campeonatos nacionais cada vez mais estabelecidos, a principal luta vem, ainda, a ser a organização de competições internacionais que trazem ao país as melhores. Falamos das melhores das melhores.

Em 2014, a 22 de maio, Tyresö e Wolfsburg deslocaram-se ao Estádio do Restelo, em Lisboa, para disputarem a final da Liga dos Campeões feminina. Perante 11.000 espetadores – uma vez mais, 11.000 espetadores, como em poucos jogos de equipas ‘secundárias’ se vê em Portugal – deram espectáculo. Celebraram-se sete (!) golos antes da vitória ser confirmada pelas alemãs, que assim se sagraram campeãs europeias numa das finais de maior impacto dos últimos anos.

Há poucas semanas, à semelhança de todas as épocas, jogou-se a Algarve Cup. Na região algarvia, com o sol que lhe é tão característico e… com todas as melhores do mundo. O convite é sempre bem correspondido. Desde a selecção portuguesa à sueca e à norte-americana, não esquecendo todas as outras potências do futebol mundial, voltou a festejar-se o hábito anual de Portugal receber (como não há igual) as melhores selecções do mundo de futebol feminino.

Foto de Capa: Facebook da FIFA Women’s World Cup

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Futebol, ténis, Fórmula 1... Com o passar dos anos mais desportos fazem parte do seu quotidiano e lhe ocupam bons pares de horas em estádios ou em frente ao computador e à televisão. Não há, no entanto, maior paixão do que aquela que tem por Liverpool Football Club e Futebol Clube do Porto. "Impossível escolher".                                                                                                                                                 O Gaspar não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.