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Antes de desenvolver a opinião possível sobre a recente contratação de Hélder Postiga, há algo que devo confessar. Gosto, ao ponto de sentir alguma admiração, do estilo técnico que Pedro Martins incute nas suas equipas. O Rio Ave alcançou, aos poucos e com o natural custo, o sólido patamar das habituais equipas de meia tabela que gostam de causar problemas aos apelidados “grandes”. Nesta temporada cujo o campeonato tem assumido um considerável equilíbrio entre as equipas, o Rio Ave permanece na luta pela Europa, soma pontos com regularidade em vários jogos e, embora passe despercebido. tem o hábito de impor o controlo dos mesmo nas primeiras metades – o que não deixa de ser sintomático nas equipas com ânimo ofensivo.

Posto a síntese pessoal sobre a equipa, aborde-se o jogador. Antes do presente, o passado: entre os anos de 2001 e 2003 não era fácil assumir posição na equipa do Futebol Clube do Porto, principalmente no ataque. Neste período, um Futebol fulminante valeu a conquista da Taça UEFA em 2003, ano em que Hélder Postiga carimbava o passaporte para a primeira experiência lá fora. Regressaria ao mesmo clube pouco tempo depois e estaria presente na dolorosa final da selecção Portuguesa de 2004. Também sou um daqueles que acha que, quanto àquilo que respeita ao Hélder Postiga, existem dois tipos de pessoas: aqueles que dele gostam e aqueles que não gostam.

O regresso de Hélder Postiga a Portugal Fonte: Rio Ave
O regresso de Hélder Postiga a Portugal
Fonte: Rio Ave

A verdade é que a expressão “avançado-centro” faz todo o sentido. Embora existam avançados bastante mais estáticos, Hélder Postiga nunca fora o jogador ofensivo que prima pelo excesso de movimento e que faz brilharetes mesmo passando um jogo sem marcar. Por norma, este tipo de jogadores paga cara a factura, pois entre trabalhar muito para a equipa e ser um autêntico “matador”, a preferência dos adeptos tende a recair para a primeira opção. Mas em Hélder Postiga há outra verdade cujo valor é e sempre será discutido e discutível. A carreira de Hélder Postiga conta com alguns pormenores de luxo, golos fora de série que sobrevivem até à posteridade. Dirão que um golo de classe não vale mais do que um golo fácil, mas são os primeiros que têm o estranho hábito de, de vez em quando, resolverem as partidas. Quando falam de Hélder Postiga, por exemplo, lembro-me sempre do penálti do Europeu. Marcar à “Panenka”, sob o ponto de vista técnico, pode estar ao alcance de muitos, contudo, para a sua execução, é imprescindível a coragem e o sangue-frio do momento.

O ditado Popular assim o exige. O bom filho lá irá voltar a casa, não propriamente à equipa do Rio Ave, mas a Vila do Conde, local que viu nascer Hélder Postiga. E as coisas podem correr bem. Depois de uma aventura mais económica do que desportiva, Hélder Postiga pode ser um bom apedrejo para a restante segunda volta da época, em que o Rio Ave terá muito a dizer tanto no campeonato como na Taça de Portugal. E sendo certo que um avançado tem por missão marcar golos, também está mais do que estudada a tese de que excesso de experiência nunca fez mal a nenhuma equipa. Continuando o Rio Ave a assumir o seu estilo de jogo e a lutar pelos legítimos objectivos, não duvido de que a contratação de Hélder Postiga seja uma aposta que poderá dar frutos na produção ofensiva e que redobre as alternativas tácticas de Pedro Martins nesta zona do terreno. E como este campeonato deixa adivinha uma luta jogo-a-jogo pelos lugares que procedem ao pódio, um golo de classe de Hélder Postiga ou, até, outro penálti à “Panenka” podem muito bem ser a chave.

Foto de capa: Rio Ave

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