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As famosas chicotadas psicológicas voltaram a entrar em cena na Liga Zon Sagre: Paços de Ferreira e Olhanense despediram os seus treinadores, Costinha e Abel Xavier, respetivamente. Os técnicos não se deram bem com o início de época e receberam ‘’guia de marcha’’ para saírem dos seus clubes.

Comecemos pelos números:

Costinha – 8 jogos – 4 pontos / Abel Xavier – 8 jogos – 8 pontos

As situações são bem distintas para estes dois treinadores, ainda muito inexperientes nestas lides. Costinha, no seu segundo ano como técnico principal, continuou a mostrar a sua inabilidade como treinador; foi aposta forte do Paços para esta época, após ter sido despromovido à Segunda Liga, na época transata, ao comando do Beira-Mar. Após muitas polémicas e trocas de palavras com jornalistas, a gota de água foi a derrota caseira por 1-3 diante do Vitória de Guimarães.

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Para o seu lugar vem Henrique Calisto, com 60 anos, apenas menos três do que o Paços de Ferreira. Calisto tem no seu currículo de treinador, que já conta com 33 anos, passagens pelo Boavista, Salgueiros, Braga, Varzim, Académica, Leixões, Penafiel, Chaves, Rio Ave, Paços de Ferreira, Long An (Vietname), Seleção do Vietname, Muang Thong (Tailândia) e Recreativo de Libolo (Angola).

Em mais de três décadas, o novo treinador do Paços conquistou duas vezes a Segunda Liga portuguesa, uma pelo Rio Ave e outra pelo, imagine-se, Paços de Ferreira. No estrangeiro conseguiu conquistar também duas Ligas Vietnamitas ao serviço do Long Na e na Seleção do Vietname venceu a ASEAN Football Championship.

Só para que se note a diferença entre o atual e o ex técnico do Paços, veja-se: Costinha tinha apenas cinco anos de idade e já Calisto era treinador na 1ª Liga pelo Boavista.

A aposta do presidente Carlos Barbosa vai para a experiência de Henrique Calisto. O atual treinador é visto com alguém que pode motivar os atletas e fazer um campeonato tranquilo com o objetivo a passar, claramente, apenas pela manutenção.

Para os lados do Algarve, não correu bem a estreia de Abel Xavier como treinador principal. A estadia foi curta e apesar de ter ganho o último jogo no comando do Olhanense, o seu despedimento já estava acertado e saiu por mútuo acordo, deixando a equipa a meio da tabela.

Para o seu lugar, o presidente Isidoro Sousa escolheu Paulo Alves, um técnico com oito anos de experiência e alguma rodagem de Primeira Liga. O treinador já venceu por uma vez a Segunda Liga ao serviço do Gil Vicente.

Um dos pontos fulcrais para esta contratação é o facto de Paulo Alves conhecer bem a realidade do futebol português e ter experiência com equipas que ocupam sempre lugares de meio da tabela do principal escalão do futebol em Portugal. Paulo Alves sabe melhor do que Abel Xavier onde tem de ir buscar pontos e conhece algumas fraquezas de alguns clubes, o que o irá certamente ajudar a garantir a manutenção tão desejada do Olhanense.

As estreias

Nas estreias, esta época, nos seus novos clubes, Henrique Calisto empatou na deslocação ao reduto do Arouca. Uma estreia não muito feliz porque, apesar de empatar fora, perdeu a oportunidade de vencer um adversário direto e ficar mais perto dos lugares de permanência. Mesmo a jogar os últimos dez minutos com um elemento a mais, a equipa do Paços mostrou-se inoperante para levar os três pontos de Arouca.

Quanto a mexidas na equipa, Calisto tirou Arnolin e Sérgio Oliveira, colocando Ricardo e Filipe Anunciação e efetuando assim uma mexida na defesa e uma no miolo, tendo em comparação o último onze apresentado por Costinha para o campeonato.

No lado de Paulo Alves, o resultado também foi um empate na deslocação à Madeira para defrontar o Nacional. O resultado acaba por ser muito positivo, visto que os madeirenses se encontravam num bom lugar na tabela e vinham de três vitórias consecutivas, se excluirmos a derrota com o Sport Lisboa e Benfica. Contudo, o jogo fica marcado pelo facto de que o Olhanense jogou desde os 28 minutos da primeira parte com um elemento a mais e não conseguiu marcar.

Paulo Alves efetuou quatro mexidas na equipa, em comparação com o último onze utilizado por Abel Xavier. Na defesa saiu Luís Filipe e entrou Coubronne, no meio campo saíram Rui Duarte e Bigazzi, dando lugar a Celestino e João Ribeiro. Na frente de ataque, Dionisi substituiu Mehmeti.

Próximos encontros

Os próximos desafios de ambos os treinadores são para a Taça de Portugal. O Paços de Ferreira vai a Tondela defrontar os locais. A equipa milita na Liga Cabovisão e ocupa o 8º posto, a apenas três pontos dos lugares que podem dar acesso à subida de divisão. É um bom teste às capacidades de Calisto (apesar de não ter nada a provar a ninguém), que ainda tem duas semanas para trabalhar a equipa, porque o campeonato vai parar e o encontro dos pacenses para a Taça está marcado para o dia 17 de Novembro.

Vida mais complicada é a de Paulo Alves: o Olhanense recebe no próximo dia 10 de Novembro o Sporting de Braga. Os bracarenses vêm de uma série negra de maus resultados e podem ver na Taça uma hipótese de se redimirem e voltarem aos bons resultados. Trabalho muito difícil para Paulo Alves, que tem de motivar atletas de 13 nacionalidades diferentes.

Depois de Setúbal e Belenenses terem trocado de treinador, os setubalenses pelo despedimento de José Mota e os lisboetas pela doença de Van der Gaag, seguiram-se os referidos no artigo, Olhanense e Paços de Ferreira.

Contudo, nas próximas semanas pode haver mais mexidas. Faço aqui um quadro, com a minha opinião, acerca dos níveis de pressão que estão a ser exercidos sobre os técnicos para que obtenham bons resultados rapidamente. Ficarão de fora os ‘’grandes’’ e os clubes que já trocaram de treinador esta época.

Clube

Nível de pressão

Gil Vicente

Pressão inexistente

Estoril-Praia

Pressão inexistente

Nacional da Madeira

Pressão inexistente

Vitória de Guimarães

Pressão inexistente

Rio Ave

Pressão inexistente

Sporting de Braga

Pressão extremamente elevada

Arouca

Alguma pressão

Académica de Coimbra

Pressão extremamente elevada

Marítimo

Pressão extremamente elevada