futebol nacional cabeçalho

Após ter tido uma época 2013/14 atribulada na luta pela manutenção, o Belenenses está esta temporada empenhado na luta pelo acesso às competições europeias. A equipa orientada por Lito Vidigal está no sexto lugar, a três pontos do quinto, o Vitória de Guimarães. Contudo, o atual sexto lugar poderá significar logo o acesso à Liga Europa, caso os finalistas da Taça de Portugal consigam o apuramento europeu no campeonato.

A equipa orientada por Lito Vidigal mudou muito desde a primeira jornada até agora e os reforços têm sido extremamente importantes para a substancial melhoria das opções ao dispor do técnico. Se pensarmos que Nélson, Gonçalo Brandão, Pelé, Carlos Martins, Ricardo Dias e Rui Fonte não podiam ser opções no início da Liga, constatamos essa melhoria. Ainda para mais, estes últimos três apenas começaram a ser opções no mercado de inverno. Apesar disso, o início foi bom para o Belenenses, que amealhou 21 pontos no primeiro terço do campeonato (primeiras 11 jornadas). Neste período inicial, os “azuis” do Restelo apenas perderam dois jogos, na receção ao Vitória de Guimarães e na visita a Paços de Ferreira. Foi um grande arranque de Liga para Lito Vidigal. O técnico tinha definido os 30 pontos como uma meta necessária para a permanência, e esse número de pontos, que agora até já foi ultrapassado, estava bem ao alcance com dois terços de campeonato ainda por disputar.

Anúncio Publicitário

Na Taça de Portugal, o Belenenses fez um bom percurso até aos quartos de final, onde foi humilhado em Braga por 7-1, no jogo que marcou a estreia de Carlos Martins pelo clube da Cruz de Cristo. Na Taça da Liga, o Belenenses foi eliminado no grupo do Vitória de Setúbal mas conseguiu ganhar ao Sporting. Aliás, em três jogos disputados esta época frente à equipa comandada por Marco Silva, os homens do Restelo não perderam nenhum, o que é um feito assinalável. Já com os outros grandes, o Belenenses perdeu a única partida disputada com o FC Porto e também com o Benfica, num jogo onde deixou, de forma polémica, Miguel Rosa e Deyverson, os dois melhores marcadores da equipa, de fora. Esperemos que, no jogo da segunda volta, Miguel Rosa e, neste caso, Rui Fonte, possam jogar.

Como deu para ver nesta última frase, houve uma troca importante de nomes no ataque de Belém. O brasileiro Deyverson, que se notabilizou na primeira metade da época, foi jogar para o Colónia, da Bundesliga, e deixou um espaço livre na frente de ataque do Belenenses, preenchido com a vinda de Rui Fonte, emprestado pelo Benfica no último dia de mercado. O avançado português apontou 17 golos pelo Benfica B na II Liga e despertou a atenção dos clubes da Primeira Liga, acabando por ser emprestado ao Belenenses.

No campeonato, a equipa “azul” tem um comportamento semelhante no Restelo e fora de portas. Os 34 pontos conquistados até agora dividem-se em partes iguais: 17 alcançados em casa, outros 17 em terreno alheio. Relativamente ao plantel, penso que o do Belenenses tem bastante qualidade em alguns setores. Na baliza, estranho a titularidade de Ventura em detrimento de Matt Jones, mas a verdade é que o português tem estado bem e não se tem notado a ausência do inglês. Eu próprio critiquei esta mudança, mas a verdade é que Ventura tem estado a dar conta do recado e merece mérito por isso. O setor defensivo é o mais frágil da equipa do Restelo, principalmente na zona central. Nas laterais, Palmeira, Nélson e a alternativa Filipe Ferreira são jogadores de qualidade e que têm sido fiáveis ao longo da época. Já no centro, Gonçalo Brandão é o que tem estado melhor. João Meira alterna bons e maus jogos, e Tikito, chegado na última janela de transferências, entrou bem na equipa mas também já teve alguns momentos sofríveis, principalmente quando é necessária alguma qualidade técnica nas bolas rasteiras.

Nélson veio trazer muita qualidade e experiência à defensiva belenense Fonte: Facebook Oficial do Rio Ave Futebol Clube
Nélson veio trazer muita qualidade e experiência à defensiva belenense
Fonte: Facebook Oficial do Rio Ave Futebol Clube

No meio campo, Pelé, vice campeão do Mundo sub-20 em 2011, Fábio Sturgeon, Miguel Rosa, Tiago Silva ou Dálcio, recentemente promovido das camadas jovens, são jogadores de inegável qualidade e ainda com uma grande margem de progressão em alguns dos casos. Lito Vidigal tem algumas pérolas à sua disposição e tem-nas sabido potenciar bem, levando o clube ao lugar onde está atualmente. Não duvido de que estes jogadores chegarão a outros patamares no futuro, a clubes que lutem por objetivos diferentes dos do Belenenses. A juntar a esta juventude, existe a experiência de elementos como Bruno China ou Carlos Martins. Sempre se disse que, no futebol, a mescla de juventude e experiência é um trunfo muito importante para as equipas. Neste setor, há a lamentar, porém, a saída de Fredy em janeiro para Angola. O angolano era um elemento importante, com qualidade técnica acima da média, e um dos jogadores que estavam há mais tempo no clube.

No lugar de ponta de lança, Tiago Caeiro tem estado na sombra. Abel Camará ainda vai jogando algumas partidas nas alas, outras como o elemento mais adiantado no terreno. Contudo, estão sempre atrás na hierarquia. Deyverson, na primeira metade da época, e Rui Fonte, na segunda metade da época, têm apresentado qualidades. O brasileiro marcou oito golos na primeira metade da época, e o português, em três jogos disputados, assistiu Carlos Martins no único golo da vitória em Guimarães e marcou ele próprio o único golo “azul” no empate frente ao Sporting.

Conseguida a manutenção no escalão principal, o Belenenses pode agora aspirar a um regresso às competições europeias na próxima época. Terá mais 12 jogos de campeonato pela frente na procura de um regresso merecido à Europa. Nada que seja estranho a um clube da dimensão do Belenenses, um dos cinco que já foram campeões no nosso país.

Foto de capa: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal