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Uma equipa constrói-se de base, ou seja, começa pela estruturação de um bom setor defensivo para depois se poder construir uma boa equipa. Miguel Leal, treinador do Moreirense, parece partilhar desta ideia e, com isso, está a levar a equipa vimaranense a uma época tranquila.

Os homens de Moreira de Cónegos estão na primeira metade da tabela no campeonato, e nas duas taças nacionais o seu percurso dificilmente poderia ter sido melhor: na Taça de Portugal foram eliminados pelo Benfica no Estádio da Luz e, na Taça da Liga, após derrotar o Arouca e empatar na Choupana, os “verde e brancos” foram novamente eliminados pelo Benfica. Miguel Leal pode alegar que era difícil ter feito uma melhor prestação.

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No campeonato, a competição prioritária, o Moreirense traçou como objetivo principal a manutenção. Um planeamento natural, tendo em conta que se trata de uma equipa que voltou esta época à Primeira Liga e cujo treinador também está em estreia nesta divisão. Miguel Leal também logrou uma subida de escalão na época anterior, mas ao comando do Penafiel.

Em relação à época passada, o clube fez algumas contratações importantes para atacar o objetivo da permanência, como por exemplo Danielson, Marcelo Oliveira, Vítor Gomes (que vai sair neste mercado para o futebol turco), Battaglia ou Ramón Cardozo. Os dois primeiros são centrais brasileiros, ambos com mais de 30 anos e com larga experiência europeia: Danielson já jogou vários anos no nosso país, e Marcelo Oliveira jogou muitos anos na Grécia e no Chipre. Juntamente com o lateral direito Paulinho e o guarda redes Marafona, foram titulares em todos os jogos da Liga. Um setor com uma estabilidade notável nos tempos que correm no nosso futebol. A única posição variável até ao momento foi a de defesa esquerdo, em que Elízio e André Marques dividiram a titularidade nas 17 jornadas disputadas até ao momento.

Vítor Gomes e Battaglia foram as duas contratações para um meio campo onde se mantiveram nomes importantes da temporada transata, como Filipe Melo ou André Simões. Estes dois últimos foram contratados no início da época passada e são “titularíssimos” desde então. Em 2014/15, André Simões jogou em todas as partidas do campeonato, e Filipe Melo apenas falhou dois encontros por lesão. No início da temporada, a equipa jogava com Bolívia no apoio ao avançado. Contudo, a lesão grave sofrida na terceira jornada no Dragão afastou-o da competição e abriu espaço para a titularidade de Vítor Gomes a partir do jogo seguinte, completando assim um meio campo bem organizado com três portugueses experientes e que tem sido também muito sólido ao longo da temporada. O argentino Rodrigo Battaglia, emprestado pelo Sporting de Braga, tem sido o elemento mais chamado quando é necessário substituir alguém no miolo do terreno. Tem cumprido sempre que é chamado a intervir, tentando provar que tem qualidade, após uma época em que foi pouco utilizado na equipa bracarense. Entretanto, com a saída de Vítor Gomes para o Balikesirspor, Battaglia deverá ocupar o seu lugar no onze, e o clube deverá contratar mais uma opção, além de Djibril, médio que chegou do Sporting de Braga, já neste mês de janeiro.

Filipe Melo é um dos responsáveis pelo meio campo do Moreirense Fonte: Facebook oficial do Vitória Sport Clube
Filipe Melo é um dos responsáveis pelo meio campo do Moreirense
Fonte: Facebook oficial do Vitória Sport Clube

No ataque, João Pedro, extremo formado em Braga e que, após dar nas vistas na Naval, voltou à cidade dos arcebispos, tem sido uma das figuras da equipa comandada por Miguel Leal. Depois de ter sido emprestado ao Belenenses na época passada, João Pedro foi novamente cedido pelo Sporting de Braga. Desta vez, o destino foi Moreira de Cónegos, e o atacante não está a desiludir. Falhou apenas um jogo da Liga e é o elemento mais constante no setor ofensivo da equipa. Na outra ala, Arsénio e Gerso são os clientes mais habituais. O português é mais vezes titular, mas o guineense emprestado pelo Estoril também tem sido utilizado em quase todos os jogos. A velocidade nas alas é um dos pontos fortes do jogo do Moreirense.

O lugar de ponta de lança já mudou de “dono” de agosto até agora. Alex Gonçalves, brasileiro emprestado pelo Pandurii da Roménia, foi a primeira escolha na fase inicial da temporada mas entretanto perdeu a titularidade para o paraguaio Ramón Cardozo. A explicação é visível, se olharmos para os números. Alex disputou 20 jogos e Cardozo apenas mais um, se levarmos em linha de conta todas as competições. O “Tacuarita” que veio do Vitória de Setúbal já marcou sete golos, “molhando a sopa” na Liga, Taça de Portugal e Taça da Liga. Já Alex Gonçalves ainda procura o primeiro golo da época.

Uma equipa com pouca rotatividade, que marca e sofre poucos golos (os jogos em que o Moreirense participa têm uma média inferior a dois golos por jogo; têm 15 golos marcados e 15 sofridos na Liga até ao momento) e que aposta nos jogadores portugueses. Mais de metade da “equipa-tipo” é composta por jogadores nacionais, e esse é um exemplo que devia ser seguido pelos outros clubes do nosso país, que muitas vezes insistem em contratar estrangeiros quando podiam contratar jogadores portugueses de melhor qualidade e, acima de tudo, com maior conhecimento das exigências e características do nosso futebol.

Pelo que foi possível ver até agora, o Moreirense, que já conseguiu alguns resultados vistosos, como empates em Alvalade e em casa frente ao Sporting de Braga, está no bom caminho para garantir a manutenção e continuar no convívio dos maiores do futebol nacional. Para já, tem uns confortáveis 13 pontos de vantagem para a linha de água.

Foto de Capa: Facebook do Moreirense FC