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O último lugar a ser ocupado na Liga ZON Sagres para a próxima época discutiu-se este ano através de um play-off. Paços de Ferreira (15º da Primeira Liga) e Desportivo das Aves (3.º da Segunda Liga, excluindo equipas B) disputaram dois jogos para ver quem conseguiria ficar com o ambicionado lugar no principal escalão do futebol português.

Após uma primeira mão na Vila das Aves, em que aconteceu um empate por 0-0, a segunda mão do play-off tornou-se numa final. Essa final foi jogada na Capital do Móvel. Paços e Aves jogaram o tudo por tudo, e acabaram por ser os pacenses a levar a melhor e a conseguir a manutenção na Liga ZON Sagres. O resultado foi de 3-1. Os pacenses festejaram!

Bebé, a coqueluche dos castores, abriu caminho para a vitória aos 25 minutos e, ainda antes do intervalo, Seri fez o 2-0. As coisas estavam difíceis para o Aves, mas a equipa não baixou os braços e chegou ao golo quando faltavam 12 minutos para o final da partida. O Estádio da Mata Real, repleto de adeptos, estava na incerteza. Caso o Aves fizesse o 2-2, passaria por golos fora; caso o Paços marcasse o 3-1, mataria o jogo.

Aos 84 minutos, o Paços fechou o jogo. Minhoca marcou e levou o estádio ao êxtase. O Paços ficava na Primeira Liga.

O Paços garantiu um lugar na Primeira Liga do próximo ano Fonte: Diário de Notícias
O Paços garantiu um lugar na Primeira Liga do próximo ano
Fonte: Diário de Notícias

Esta é a história do jogo, mas as épocas foram diferentes para as equipas. O Aves fez um extraordinário campeonato na extremamente competitiva Liga Cabovisão. Quanto ao Paços, não desceu por um ponto. E para o ano, como será?

Quanto ao Aves, é fácil prever. Com mais um ou dois reforços, mantendo o experiente treinador, assumir-se-á como um forte candidato à subida na próxima temporada. Arrisco-me a dizê-lo. Mais difícil será a vida do Paços. O presidente, Carlos Barbosa, parece já ter resolvido um problema: o do treinador. Jorge Costa salvou a época e parece ser o escolhido para a próxima temporada.

Complicado será com o plantel. O guarda-redes Degra deve estar de saída; tem mercado no Chipre e na Grécia, contratos que podem ser mais apelativos para o guarda-redes pacense. A defesa vai precisar de reforços urgentes: o Paços foi a pior defesa do campeonato, com 59 golos sofridos (!), sensivelmente uma média de dois golos sofridos por jogo, sendo que apenas em quatro ocasiões não sofreu.

No meio-campo, o médio André Leão, aos 29 anos de idade, parece querer piscar o olho a outros projetos, nomeadamente na Roménia. Já esteve no Cluj e é um jogador bem cotado nos países de leste. Na mesma senda está Rui Miguel, que veio para o Paços depois de passar por Rússia, Roménia e Chipre. Quanto a Sérgio Oliveira, jovem emprestado pelo Futebol Clube do Porto, vai tentar a sua sorte ao iniciar a pré-época nos portistas. Depois logo se verá em que clube irá ficar colocado. Sendo um jogador do Porto, é sempre difícil adivinhar aonde poderá rumar. Manuel José e Filipe Anunciação estão na fase descendente da carreira. A idade já parece pesar. Contudo, ainda podem aparecer em boas condições físicas para fazerem mais uma época pelo Paços.

Na frente de ataque, a grande figura do Paços, Bebé, está de saída. Emprestado pelo Manchester United, o jovem avançado português marcou 39% dos golos da equipa. Esta ‘’bebédependência’’ vai ter de ser colmatada para a próxima época, isto se o Paços quiser marcar golos.

Carlos Carneiro, diretor desportivo do Paços Fonte: castores1950.blogspot.com
Carlos Carneiro, diretor desportivo do Paços
Fonte: castores1950.blogspot.com

Parecem muitas as interrogações deste Paços. Carlos Carneiro (diretor desportivo) já assumiu estar a preparar a nova época com o objetivo de garantir a manutenção, mas será preciso um grande trabalho neste defeso. Será necessário engenho e sorte para recrutar jogadores de qualidade que coloquem o Paços no patamar onde pertence. E, este ano, esse patamar ficou muito longe…

Resta-me desejar boa sorte a ambas as equipas para a próxima época (mas muito mais ao Paços, que irá precisar).

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Praticou futebol durante 15 anos e é um apaixonado pelo desporto. Como todos os jornalistas tem um clube, mas considera-se isento.                                                                                                                                                 O Marco escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.