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Com 2013 prestes a encerrar, fazer uma retrospectiva e, simultaneamente, um balanço daquilo que este ano significou é sempre um exercício interessante. Neste ponto, para os portistas, o ano que agora termina foi (mais) um ano vitorioso mas longe, ainda assim, de poder ser considerado brilhante.

O Dragão conquistou o Campeonato 2012/2013 de forma épica e juntou mais uma Supertaça ao seu vasto registo. Pelo meio, porém, a campanha na Europa deixou bastante a desejar – primeiro com a eliminação diante do Málaga em Março; depois com a paupérrima prestação na fase de grupos da Champions 2013/2014 – e sobra o registo da derrota na Final da Taça da Liga às mãos do Sporting de Braga (1-0).

Ao todo em 2013, o FC Porto disputou 47 jogos oficiais, somando o respeitável registo de 32 vitórias, 9 empates e somente 6 derrotas, num total de 88 golos marcados e 27 sofridos. Falta, todavia, para as contas serem completas, contabilizar o próximo encontro em Alvalade, frente ao Sporting, para a Taça da Liga (29 Dezembro, 20h45).

Da quase meia centena de jogos, haverá sempre alguns que serão recordados de forma especial, pela sua importância e mediatização. Destacar um só momento será sempre um exercício subjectivo, consoante a lembrança, memória e estado de espírito de cada um. O mesmo raciocínio vale, aliás, para a eleição de um melhor jogador. Cada um terá o seu vaticínio, a sua preferência, consoante o seu entendimento do jogo. Ainda assim, neste espaço, arriscarei com as minhas escolhas.

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MOMENTO DO ANO

O ano futebolístico nacional de 2013 ficará indelevelmente marcado pelo ‘Factor K’. Já praticamente tudo foi dito sobre o instante em que Kelvin, com o seu pontapé de fortuna, ao minuto 90+2 do jogo entre o FC Porto e o Benfica, virou o destino do Campeonato 2012/2013. Numa Liga curta e bipolarizada como a nossa (pelo menos na época passada), os jogos entre os candidatos ao título revestem-se de uma importância extrema.

A 11 de Maio, o Dragão assistiu ao Momento do Ano. / Fonte: Global News
A 11 de Maio, o Dragão assistiu ao Momento do Ano. / Fonte: Global News

Assim, embalado por uma época até àquele momento bastante positiva, o Benfica chegou ao Porto com um ponto de vantagem sobre o BiCampeão Nacional a duas jornadas do fim da Liga. Apinhado e engalanado, o Estádio do Dragão assistiu a um jogo pouco espectacular. Lima inaugurou o marcador para os encarnados; Varela repôs a igualdade. O encontro arrastou-se até ao momento em que o golpe de sorte de Vítor Pereira surtiu efeito: Kelvin e Liedson, a dupla improvável, inventaram o golo numa jogada iniciada por Varela, e tornaram o minuto 90+2 inolvidável. Para os portistas, que sentiram que o campeonato estava na mão, naquela que seria uma das conquistas mais saborosas; para os benfiquistas, cujo martírio da parte final dos jogos decisivos tinha no Dragão apenas o seu primeiro capítulo.

As fotografias sucediam-se, os vídeos multiplicavam-se, os cartoonistas tinham mais matéria do que nunca… Kelvin transformou um campeonato irremediavelmente perdido há umas semanas atrás numa conquista épica, ajoelhando Jorge Jesus, mas, acima de tudo, fazendo com que a Nação portista o consagrasse como um pequeno herói, qual retribuição de uma alegria incontida. Numa frase, o Dragão implodiu na maior demonstração de júbilo e felicidade jamais sentida – quem lá esteve (e não foi vitima de uma ‘branca’ provocada pelo êxtase do momento) afirma que dificilmente viverá melhor sensação do que aquela.

JOGADOR DO ANO

Mangala, Alex Sandro ou Jackson seriam hipóteses a considerar. Mas, para mim, se há jogador que merece tal título em 2013 é Fernando. Este foi, de facto, o ano da plena maturação d’O Polvo’!

Agora brilha até com bola – Fernando tornou-se melhor jogador / Fonte: UOL
Agora brilha até com bola – Fernando tornou-se melhor jogador / Fonte: UOL

Dos 47 jogos oficiais disputados pelo FC Porto em 2013, Fernando esteve presente em 43 (falhando apenas 1 no que ao Campeonato diz respeito), num total de 3648 minutos, 12 cartões amarelos e 3 golos.

Assim, ‘o Polvo’ revelou-se peça indispensável na estrutura do FC Porto que revalidou o título nacional, e nem por Paulo Fonseca ter alterado o esquema da equipa – acrescentando um homem ao espaço que, antes, ocupava sozinho – deixou de apresentar um elevado rendimento. Verdadeiramente, 2013 foi o ano em que Fernando, evidenciando todas as qualidades defensivas que fazem dele um médio defensivo de excepção (qualidade de desarme, capacidade para galgar metros e encurtar os espaços entre linhas, posicionamento a um nível top, entrega ao jogo, timing perfeito no tackle…), se tornou um melhor jogador. Agora vemo-lo conduzir a bola com uma qualidade técnica e um à-vontade que surpreendem, a chegar-se à frente com outra desenvoltura e a demonstrar uma qualidade de passe (até com o pé esquerdo!) assinalável.

Para além de tudo isto, aos 26 anos, plenamente identificado com o clube, assume-se como umas das vozes mais importantes e respeitadas do plantel. Algo conquistado a pulso, com imensa humildade mas, acima de tudo, com muita abnegação e espírito de Dragão. Estranha-se, portanto, que, aparentemente, a estrutura directiva não lhe preste o devido reconhecimento no que à renovação do contrato diz respeito.

De todo em todo, 2013 representa, para Fernando, a assunção plena de referência portista, o guardião do meio-campo e a descoberta de qualidades que ainda não lhe tinham sido vislumbradas. E, claro, mais 2 títulos a juntar à dúzia que já constava do seu palmarés.

O ano de 2013 pode até encerrar com o confronto com o Sporting, naquela que será, por certo, uma dura batalha. Todavia, o Reino do Dragão tem motivos para estar positivamente expectante em relação a 2014 – a descoberta de Carlos Eduardo, o mais do que provável regresso de Quaresma ou o novo posicionamento de Lucho são notícias interessantes para o adepto portista.

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Ao ritmo do Penta e enquanto via Jardel subir entre os centrais, o Filipe desenvolvia o gosto pela escrita. Apaixonou-se pelo Porto e ainda mais pelo jogo. Quando os três se juntam é artigo pela certa.                                                                                                                                                 O Filipe não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.