A época 25/26 fica para a história como o retorno do FC Porto às vitórias, nomeadamente pela conquista do 31.º campeonato da sua história. Uma equipa que se revelou competitiva ao poder alcançar um recorde de pontos na Liga Portuguesa (91) já com a vitória garantida, esteve perto de retornar à final da Taça de Portugal (queda nas meias-finais num duelo equilibrado com o Sporting) e chegou aos quartos de final da UEFA Europa League (após uma eliminatória bem disputada com o Nottingham Forest).
Será discutível a existência de uma exibição da equipa de Farioli que tenha “enchido o olho” aos adeptos do FC Porto, do futebol em geral ou de um jogo que tenha ficado para a posteridade. No entanto, foi inquestionável o desempenho e a consistência da coletividade azul e branca em busca da vitória e de resultados importantes em busca dos objetivos. Aqui ficam cinco jogos que marcaram a época dos dragões.
5.


FC Porto 3-0 Vitória SC (1.ª Jornada) – Foi o arranque com muita expetativa. A equipa azul e branca aparentava já estar virada para um novo ciclo e com sangue novo, após um defeso muito prometedor. Além existir o fator extra do clube ter perdido seis dias antes o seu diretor do futebol e histórica lenda dos dragões: Jorge Costa. Tanto Francesco Farioli como os jogadores queriam entrar na Liga com o pé direito e reencarnar o “espírito do dragão” do antigo capitão.
Para iniciar a Liga, Farioli colocou o seguinte onze: Diogo Costa (C), Alberto Costa, Nehuén Pérez, Bednarek, Martim Fernandes, Alan Varela, Foholdt, Gabri Veiga, Pepê, Borja Sainz e Samu.
Pelo Vitória SC, Luís Pinto selecionou: Charles Silva, Maga, Nóbrega, Borevkovic, João Mendes, Nuno Santos, Tiago Silva, Tomás Handel (C), Vando Silva, Gustavo Silva e Camara.
A equipa vimaranense até entrou melhor no jogo, criando logo uma oportunidade antes do jogo completar um minuto. Após um alívio de Martim Fernandes, a bola veio para Gil Silva que coloca em boa posição Tiago Silva e num remate à entrada da área quase batia Diogo Costa. A partir daí e durante grande parte do tempo, os azuis e brancos tomaram conta da partida. Aos 12 minutos e aproveitado espaço deixado na defensiva vitoriana, Samu coloca em Borja Sainz e o extremo espanhol toca para deixar Pepê em boa posição, que pica a bola por cima de Charles Silva e coloca o FC Porto em vantagem. Até aos 25 minutos, a vantagem podia ter sido dilatada, tendo os dragões tido oportunidades flagrantes por Froholdt e Samu. Um minuto depois e durante a conversão de um lance de bola parada, Alberto Costa cruza e Samu cabeceia para o fundo das redes. Com o ponta de lança espanhol a ter oportunidade duas vezes para bisar e com Camara a obrigar Diogo Costa a boa defesa, o resultado acabou por não se voltar a alterar na primeira parte.


No segundo tempo, a equipa portista continuou a pressionar em busca do reforço da vantagem, tendo sido a melhor oportunidade aos 48 minutos. Gabri Veiga deixa Borja Sainz descobre Borja Sainz que obriga Charles Silva a defender para canto. O golo seguinte só surgiria meia-hora depois, depois do ritmo de jogo ter abrandado e ambos os técnicos terem feito diversas alterações nas formações. Aos 78 minutos, Stephen Eustáquio remata fora da área e Charles Silva defende para a frente, Samu adianta-se à defesa do Vitória SC e faz a recarga com sucesso. Estava feito o resultado. Depois de Froholdt ter uma oportunidade aos 82 minutos, Eustáquio ainda fez o quarto golo a passe de Luuk De Jong, mas seria anulado por fora de jogo do avançado holandês.
Um arranque forte e prometedor, que correspondia às expetativas dos adeptos azuis e brancos e seria uma base para o que se seguiria. Até ao primeiro clássico da época (Alvalade à quarta jornada), seguiram-se duas boas vitórias contra Gil Vicente (2-0 em Barcelos) e Casa Pia AC (4-0) que sustentaram um arranque forte muito favorável a uma caminhada que se pretendia vencedora no final.
4.


FC Porto 2-0 Estugarda (2.ª mão dos oitavos da Europa League) – Após um bom triunfo em Estugarda uma semana antes (2-1), a equipa de Farioli tinha agora o desafio de manter a vantagem e quiçá aumentá-la na “Invicta” e perante os adeptos. Contudo, ia ser um desafio intenso pela vontade que os germânicos iam trazer para virar a eliminatória.
Pela equipa azul e branca, entraram em campo: Diogo Costa (C), Alberto Costa, Thiago Silva, Bednarek, Zaidu, Fofana, Pablo Rosario, Rodrigo Mora, William Gomes, Borja Sainz e Moffi.
Pela equipa alemã foram titulares: Nubel, Luca Jaquez, Chabot, Hendriks, Mittelstadt, El Khannouss, Karazor (C), Stiller, Chris Fuhrich, Deniz Undav e Demirovic.
Durante os primeiros quinze minutos, o Estugarda foi dominador e criou diversas oportunidades, obrigando Diogo Costa a intervir de forma decisiva por duas vezes (dois e oito minutos). Foi quando o FC Porto procurava equilibrar o encontro, que surge o primeiro golo dos dragões. Aos 21 minutos, Zaidu lança Borja Sainz no lado esquerdo do ataque, quando Karazor quer cortar a bola, a mesma bate no extremo espanhol e vai direta a William Gomes que faz o primeiro golo. A partir daqui o jogo ficava mais equilibrado e com oportunidades para ambos os lados, mas o resultado não se alterou até ao intervalo.
Na segunda parte, o cenário não mudou significativamente. Aos 53 minutos, após um remate bloqueado de Demirovic, Undav remata forte para uma das defesas da noite de Diogo Costa, impedindo o relançar da eliminatória. A mesma ficaria decidida aos 71 minutos. Victor Froholdt encontra uma bola perdida à entrada da área alemã, mas é desarmado nas costas por Undav. Contudo, o dinamarquês não desiste, recupera o esférico e faz a obra prima da noite. Um remate potente de pé esquerdo fora da área, que sentenciou a eliminatória. Até ao final, apenas Martim Fernandes esteve muito perto de marcar em cima dos 90 minutos, após um toque de Froholdt na área e que deixou o lateral portista em boa posição para fazer o terceiro.
Estava carimbado o passaporte para os quartos de final da UEFA Europa League (que seria contra o Nottingham Forest) e um dos melhores rendimentos da época dos dragões contra um adversário exigente.
3.


Braga 1-2 FC Porto (27.ª Jornada) – À 26.ª jornada, o FC Porto liderava com sete pontos de vantagem de Benfica e Sporting (menos um jogo em atraso, caseiro com o CD Tondela) e era fundamental não perder pontos. Semanas antes a equipa Farioli tinha empatado na Luz a duas bolas depois de estar a vencer por dois golos de vantagem, além de já ter empatado em casa com o Sporting a um golo, consentindo um golo de Suárez mesmo no fim. O embate de Braga era o último “grande jogo” da Liga que restava e uma vitória colocava tudo encaminhado a favor da equipa de Farioli, uma perda de pontos devolvia esperança aos rivais e pressão para os dragões.
Pelos bracarenses jogaram: Lukas Hornicek, Lagerbielke, Niakaté, Arrey-Mbi, Victor Gómez, Florian Grillitsch, Diego Rodrigues, João Moutinho, Zalazar, Ricardo Horta (C) e Pau Victor.
Os portistas titulares foram: Diogo Costa (C), Martim Fernandes, Bednarek, Kiwior, Zaidu, Alan Varela, Foholdt, Gabri Veiga, Pepê, Oskar Pietuszewski e Deniz Gül.
A equipa de Farioli entrou melhor no jogo, sendo mais pressionante e criando duas boas oportunidades. Alan Varela acerta perto do poste a passe de Zaidu depois de um canto aos quatro minutos e Oskar Pietuszewski não aproveita um cruzamento de Pepê para desfeitear Hornicek aos sete. A equipa de Crlos Vicens responde e aos 14 minutos, Zalazar assiste Ricardo Horta que atira com algum perigo ao lado da baliza portista. Até ao fim do primeiro tempo, apenas se verificou mais uma boa oportunidade de golo, numa conversão de um livre direto de Gabri Veiga, a bola sai com perigo ao lado da baliza. Nulo ao intervalo.
No prinicípio do segundo tempo, a intensidade aumenta. A equipa bracarense entra mais determinada e está por cima. Aos 52 minutos e após um canto, António Nobre vê um puxão de Gabri Veiga a Niakaté. Zalazar converte a grande penalidade com êxito e coloca o Braga em vantagem. No entanto, até ao fim só houve FC Porto. Nos oito minutos seguintes ao golo de Zalazar, Froholdt força Hornicek a defesa apertada e William Gomes atira com perigo junto ao poste direito, até que o empate chega aos 69 minutos. Do lado esquerdo do ataque portista, Oskar Pietuszewski recebe um passe chipado de Kiwior, foge à marcação e passa a William Gomes que sozinho empurra para o fundo das redes de pé direito. Onze minutos mais tarde, há a reviravolta. Na marcação de um canto, após um ligeiro desvio de João Moutinho a bola sobra para um espaço vazio na área onde aparece Fofana que remata forte de primeira e faz o 2-1. Até ao final do encontro, só existiu mais uma oportunidade flagrande golo e novamente por Fofana. Aos 86 minutos e após um bom entendimento entre o médio costa-marfinense e Moffi, pressionado por Lagerbielke na hora do remate, Fofana atirou ao lado.
Estava vencido mais um jogo decisivo, o último “grande desafio” da Liga para o FC Porto que termina invicto no “campeonato dos grandes” (três vitórias e três empates nos jogos contra Benfica, Sporting e Braga) e mantém uma vantagem confortável para a gestão da sua liderança. Mas veio mais um “susto” na semana seguinte, chamado FC Famalicão (2-2).
2.


Estugarda 1-2 FC Porto (1.ª mão dos oitavos da Europa League) – O grande objetivo da equipa azul e branca para 2025/26 foi a Liga Portuguesa. No entanto, apesar de ter sido a competição à qual a equipa de Farioli depositou a maioria do foco e forças, a mesma ainda mostrou qualidade e argumentos na Europa do futebol. No percurso até aos quartos de final da UEFA Europa League, foi absolutamente notável a eliminatória frente ao Estugarda. A primeira mão foi na Alemanha e o desafio era aliciante.
Os germânicos titulares foram titulares: Nubel, Nikolas Nartey, Chabot, Hendriks, Finn Jeltsch, El Khannouss, Karazor, Stiller, Jamie Leweling, Deniz Undav e Demirovic.
Pelos dragões entraram em campo: Diogo Costa (C), Alberto Costa, Thiago Silva, Bednarek, Zaidu, Pablo Rosario, Fofana, Rodrigo Mora, William Gomes, Borja Sainz e Moffi.
A ausência de alguns titulares (Kiwior, Froholdt, Varela e Pepê) não afetou o rendimento e empenho do coletivo portista. O jogo foi equilibrado e os germânicos até entraram melhor, mas a primeira grande oportunidade foi dos dragões. Aos 19 minutos e a passe de Alberto Costa, William Gomes faz um remate forte e com efeito com o pé esquerdo do lado direito do ataque, bate em cheio na trave. Era o prenúncio do que aí vinha. Apenas um minuto depois, o FC Porto chega à vantagem. Nubel faz um passe longo que não tem o destinatário desejado, Thiago Silva recebe e coloca em Moffi que faz uma “tabelinha” com Borja Sainz e faz o primeiro golo. O avançado nigeriano podia ter bisado quatro minutos depois, quando num contra-ataque Fofana o deixou apenas com um defesa pela frente e obrigou Nubel a grande defesa.
O Estugarda tentava trocar a bola, mas mal conseguia resistir à pressão da equipa de Farioli. Tal se mostrou aos 27 minutos. Zaidu interceta um passe e corre pelo flanco esquerdo, na hora de cruzar é Rodrigo Mora quem estava em posição chave e chuta de pé direito para o fundo das redes. Contudo, os alemães iriam reduzir a vantagem portuguesa antes do intervalo. Aos 40 minutos, Rosario bloqueia um remate de El Khannouss e a bola acaba por sobrar para Undav que bate Diogo Costa de pé esquerdo. Até terminar o primeiro tempo, o Estugarda ainda teve mais duas oportunidades, mas o guardião e capitão portista sempre respondeu em pleno.
A segunda parte foi menos intensa, com o FC Porto a controlar o resultado e ainda a criar algumas ocasiões. A equipa alemã acabou por ter a melhor ocasião do segundo tempo, mas Diogo Costa salvou novamente. No entanto, a equipa de Sebastian Hoeness não mostrou muitos argumentos para uma “remontada”. Os dragões venceram, foram em vantagem para a segunda mão no Estádio do Dragão e realizavam uma das exibições mais competentes fora de casa em 2025/26, no campo de um adversário exigente.
1.


Sporting 1-2 FC Porto (4.ª Jornada) – O primeiro grande clássico da Liga Portuguesa 2025/26 e para “apimentar” o pré-jogo, ambas as equipas só sabiam vencer (arranque com três vitórias para cada lado) e era um duelo entre o campeão em título e um dos pretendentes. Quem vencesse o clássico de Alvalade poderia ficar isolado no topo da tabela.
Rui Borges colocou a titular: Rui Silva, Fresneda, Debast, Gonçalo Inácio, Ricardo Mangas, Morten Hjulmand (C), Kochorashvili, Francisco Trincão, Geny Catamo, Pedro Gonçalves e Luis Suárez.
Os eleitos de Farioli foram: Diogo Costa (C), Alberto Costa, Nehuén Pérez, Bednarek, Francisco Moura, Alan Varela, Foholdt, Rodrigo Mora, William Gomes, Borja Sainz e Luuk De Jong.
O jogo acabaria por ser um bom espetáculo de futebol, com ambas as coletividades a mostrarem iniciativa em diferentes períodos do jogo e com diversas oportunidades de golo.
O FC Porto entrou mais determinado, tendo Borja Sainz mandado um pontapé de bicicleta ao poste logo aos 13 segundos de jogo. O Sporting cedo também reagiu e criou mais oportunidades até à meia hora de jogo, através de Luis Suárez aos nove minutos (seguido de um lançamento) e Pedro Gonçalves aos 21 minutos (a passe de Suárez e com Alberto Costa a bloquear o remate). Até ao fim do primeiro tempo, a única ocasião pertenceu à equipa de Farioli, com Rodrigo Mora a aproveitar uma bola que sobrou de um duelo aéreo entre De Jong e Hjulmand, entra pelo lado direito da defesa leonina e remata por cima.
Para o segundo tempo, os leões vieram mais determinados e aos 55 minutos, Trincão recebe uma bola de Geny Catamo e remata fora da área, obrigando Diogo Costa a uma boa defesa. Na resposta, os portistas chegavam à vantagem cinco minutos depois. No lado direito do ataque azul e branco, William Gomes mete a bola no espaço entre defesas do Sporting pressentindo a entrada de Alberto Costa que recebe, cruza e a bola vai direta a Luuk De Jong que empurra para o fundo da baliza. Apenas quatro minutos depois, os dragões chegam ao segundo golo. Novamente no lado direito do ataque, William Gomes coloca em Victor Froholdt e o médio dinamarquês devolve ao extremo brasileiro, que consegue fugir dos marcadores diretos para um espaço interior e ainda fora da área remata forte e com bom efeito, sem hipótese para Rui Silva.
A partir da vantagem de dois golos do FC Porto, a equipa de Rui Borges procurou ter ainda mais iniciativa e chegar ao golo para deixar tudo ainda em aberto. Golo esse que chegaria aos 74 minutos. Gonçalo Inácio coloca a bola na área portista através de um passe chipado, Ricardo Mangas cruza e após Bednarek tentar o corte, a bola acaba por bater em Nehuén Pérez e termina dentro da baliza. Até ao fim o FC Porto acabou por defender bem a vantagem e com o Sporting sempre por cima em busca do empate, mas nem dois bons remates de Luis Suárez (aos 83 e 87 minutos, sobretudo o segundo levou Diogo Costa à defesa da noite) acabaram evitar a derrota verde e branca.
Era o primeiro grande triunfo num jogo grande para a Farioli ao serviço do FC Porto e seria muito decisivo, pois a partir de Alvalade, o FC Porto nunca mais largaria a liderança até ao final da Liga.

