6 FC Porto x Benfica que aqueceram a 1.ª volta do campeonato

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A jornada sete da Liga 2026/27 traz mais um FC Porto x Benfica que tem influência direta no topo da tabela classificativa. Uma circunstância já recorrente, mas é sempre a ideal para um clássico ser vivido (como muitos no passado) com muita paixão, intensidade, nervosismo e um conjunto de desejo de vitória do clube, com vontade de nunca perder para o rival.

Sendo as águias, seguidos dos dragões, os conjuntos que mais venceram a Liga Portuguesa (38 para os encarnados e 31 para os azuis e brancos), naturalmente muitos dos resultados dos clássicos tiveram influência direta no desfecho final de quem seria o campeão. Quando assim não foi, pelo menos, uma vitória sobre o rival serviu como trunfo para chegar ao troféu, impedir o rival de chegar ou pelo menos, dificultar-lhe o objetivo. Por vezes, independentemente se o jogo fora na primeira ou segunda volta. Uma das riquezas do clássico entre FC Porto e Benfica, é que o histórico mostra que já de tudo isto aconteceu.

Para a Liga Portuguesa, realizaram-se 22 clássicos no Estádio do Dragão e dos quais, onze foram realizados na primeira volta. No total, o histórico de 22 anos favorece os dragões com dez triunfos, sete terminaram empatados e cinco foram ganhos pelos encarnados.

No entanto, o histórico fica mais equilibrado quando o clássico é disputado na primeira volta. Em onze jogos, por quatro vezes, o FC Porto manteve os três pontos na Invicta, quatro terminaram em empate e por três vezes, o Benfica saiu vencedor.

No que diz respeito aos golos, o registo acompanha o anterior. Nos 22 clássicos realizados no Estádio do Dragão, as equipas do FC Porto apontaram 37 golos, os jogadores do Benfica concretizaram 25. Dos 37 tentos apontados pelos dragões, 16 reportam apenas aos clássicos da primeira volta. Quanto às águias, das 25 bolas que colocaram nas redes portistas, doze foram nos jogos da primeira ronda do campeonato.

Em todos os clássicos da primeira volta houve sempre houve algo de relevante em jogo. Todos os duelos mexeram com o ambiente do campeonato que estava em disputa e muitos foram altamente decisivos para o desfecho final da Liga. Sendo de difícil e subjetiva seleção, aqui ficam seis embates entre dragões e águias no Porto que aqueceram o ambiente da Liga na primeira volta.

6.

FC Porto 2-2 Benfica – 2011/12 – O FC Porto era campeão nacional e tinha mantido a base da equipa que tinha vencido quatro troféus na época anterior (Hulk, João Moutinho, Helton, Rolando, Álvaro Pereira, Guarín, Fernando, Varela, James, Otamendi ou Belluschi), apesar de Falcao ter sido transferido para o Atlético de Madrid e o treinador André Villas-Boas ter saído para o Chelsea.

Agora orientado por Vítor Pereira (ex-treinador adjunto), a equipa portista já tinha vencido a Supertaça (2-1 ao Vitória SC), realizou uma exibição notável na disputa da Supertaça Europeia frente ao Barcelona de Guardiola (derrota por 0-2) e conseguiu quatro vitórias nas primeiras cinco jornadas (Vitória SC, Gil Vicente, UD Leiria e Vitória SC). No entanto, um empate em Aveiro frente ao CD Feirense a zero fez a equipa portista perder a liderança isolada e uma derrota no clássico permitia uma ultrapassagem das águias.

Já a equipa orientada por Jorge Jesus mostrava sinais claros de mudança após o falhanço da época anterior (perda da Liga com 21 pontos de atraso do FC Porto e apenas tinham vencido a Taça da Liga). A equipa benfiquista tinha entrado na Liga consentido um empate a duas bolas em Barcelos (2-2 com o Gil Vicente), mas respondeu positivamente com quatro triunfos consecutivos (CD Feirense, CD Nacional, Vitória SC e Académica) e igualava o FC Porto no topo da tabela classificativa. Os reforços da equipa (Garay, Witsel, Nolito, Rodrigo e Bruno César) já davam muito nas vistas e acrescentavam muito à equipa base (Luisão, Cardozo, Aimar, Javi García, Maxi Pereira e Gaitán). Qualquer resultado que não fosse uma derrota, permitiria ao Benfica manter a sua boa sequência de resultados e a sua posição na Liga não comprometida.

Os campeões nacionais e da Europa League entraram em campo com: Helton (C), Fucile, Rolando, Otamendi, Álvaro Pereira, Fernando, Guarín, João Moutinho, Hulk, Varela e Kléber.

Quanto às águias, os eleitos foram: Artur Moraes, Maxi Pereira, Luisão (C), Garay, Émerson, Javi García, Axel Witsel, Pablo Aimar, Nolito, Nico Gaitán e Óscar Cardozo.

A primeira parte do encontro foi controlada pelos campeões nacionais. Poderiam ter chegado à vantagem aos 27 minutos, quando Varela cruzou para a pequena área e Fucile aparece sozinho, mas rematando com o pior pé permite uma grande defesa a Artur Moraes. No entanto, a vantagem portista chega à vantagem aos 37 minutos. Num livre direto do lado esquerdo do ataque, Guarín coloca na área e Kléber vence nas alturas e desvia para o 1-0.

No segundo tempo, o Benfica regressa mais forte e determinado chegando à igualdade aos 47 minutos. Witsel recupera uma bola a meio-campo, passa a Nolito que descobre Cardozo no meio da defesa portista sem marcação que dribla Helton e faz o 1-1 de pé esquerdo. A resposta azul e branca chega somente três minutos depois. Na sequência de um canto curto, Varela recebe um passe e cruza para a pequena área, Artur não chega à bola e a defesa encarnada não dá pela entrada de Otamendi que empurra para as redes de pé direito.

Nos últimos minutos, as entradas de Saviola e Bruno César mexem com o jogo e o Benfica chegaria de novo ao empate. Aos 82 minutos, na sequência de um lançamento de Maxi Pereira, Cardozo vence dois duelos divididos com Otamendi e Fernando, a bola sobra para Saviola que despacha para o lado esquerdo do ataque onde aparece Nico Gaitán que dispara em força sem hipótese para Helton. A história do jogo estava feita e havia repartição de pontos e da liderança da Liga.

O Benfica teria um percurso ligeiramente mais regular até ao final da primeira volta e terminaria em primeiro lugar com mais dois pontos que os dragões. Chegou a ter entre janeiro e fevereiro de 2012 cinco pontos de vantagem sobre a equipa de Vítor Pereira (fruto de um empate dos dragões em Alvalade e uma derrota em Barcelos), mas três jogos entre fevereiro e março, deitaram tudo a perder. A equipa de Jorge Jesus perde em Guimarães (0-1), empata em Coimbra (0-0) e perde na Luz com o FC Porto (2-3) e passa a ter três pontos de atraso em relação ao novo líder.

Uma distância que ainda aumentou para seis pontos no final. A equipa portista que recuperaria a liderança na deslocação à Luz, faria uma caminhada regular até ao fim e conquistaria o bicampeonato após uma vitória nos Barreiros frente ao CS Marítimo (2-0) e no dia seguinte o Benfica ter empatado em Vila do Conde com o Rio Ave (2-2).

5.

FC Porto 1-1 Benfica – 2016/17 – O cenário entre águias e dragões nesta altura não poderia ser mais diferente. O Benfica era tricampeão e ia de “vento em poupa” na primeira posição com cinco pontos de vantagem. O FC Porto não vencia a Liga há três anos e ia no quinto treinador no mesmo período, além de estar no segundo lugar com cinco pontos de atraso dos encarnados (fruto da derrota em Alvalade por 1-2 e empates a zero em Tondela e Setúbal).

A equipa de Rui Vitória encontra-se consolidada quanto ao seu estilo de jogo e com qualidade em todos os setores (Ederson, Pizzi, Luisão, Nélson Semedo, Jonas, Mitroglou, Cervi, Salvio, Raul Jiménez, Rafa, Grimaldo ou Lindelof). Enquanto a equipa de Nuno Espírito Santo tinha igualmente qualidade com experiência e juventude nos diversos setores (Casillas, Felipe, Alex Telles, Danilo Pereira, Oliver Torres, Brahimi, Corona, Otávio, André Silva, Diogo Jota, Layún, Maxi Pereira ou Rúben Neves), mas encontrava-se em reconstrução e ainda procurava os seus melhores dias. Para os dragões era imprescindível vencer os eternos rivais para cortar distâncias, qualquer resultado que não esse permitiria ao Benfica gerir confortavelmente a liderança.

Os dragões alinharam com: Iker Casillas, Maxi Pereira, Felipe, Marcano (C), Alex Telles, Danilo Pereira, Óliver Torres, Jesús Corona, Otávio, André Silva e Diogo Jota.

Já os tricampeões entraram em campo com: Ederson, Nélson Semedo, Luisão (C), Lindelof, Eliseu, Samaris, Pizzi, Salvio, Franco Cervi, Gonçalo Guedes e Mitroglou.

A primeira parte não teria grande história, com um FC Porto mais ofensivo e com algumas oportunidades, mas contido por um Benfica que ousava ofensivamente em alguns momentos e mais arrumado em busca de encurtar espaços. No entanto, o início da segunda parte trouxe o primeiro golo.

Aos 50 minutos, Corona dirige-se ao espaço entre linhas à frente da defensiva encarnada e coloca em Diogo Jota que se encontrava com espaço e de seguida foge a Nélson Semedo, disparando certeiro com o pé esquerdo sem hipótese para Ederson. O jogo não se alterou muito até perto do final, quando veio a surpresa da noite.

Aos 92 minutos, na sequência de um pontapé de canto, André Horta cruza e Lisandro López ganha nas alturas e gela o Dragão, tirando dois pontos ao eterno rival mesmo no final. Estavam repartidos os pontos, o Benfica mantinha a vantagem no topo da tabela e o FC Porto era apanhado pelo Sporting no segundo posto.

O Benfica acabaria por não perder nunca o primeiro lugar, liderando até à última jornada e tendo sido campeão na penúltima jornada, em casa numa goleada (5-0) ao Vitória SC. Sendo certo que as águias ainda perderiam pontos em sete jogos (cinco empates e duas derrotas), o FC Porto acabou por perder mais pontos em oito encontros (sete empates e uma derrota). Rui Vitória e os seus pupilos alcançavam o tetracampeonato, feito único da história do Benfica.

O FC Porto terminou em segundo lugar, seis pontos atrás das águias e terminava a terceira época consecutiva sem qualquer conquista. Nuno Espírito Santo sairia no final da época, dando lugar a Sérgio Conceição.

4.

FC Porto 0-2 Benfica – 2005/06 – O início da época não tinha sido brilhante para nenhuma das equipas, mas ainda assim mais positivo para os dragões. A equipa orientada por Co Adriaanse faz três vitórias nas primeiras três jornadas, mas antes da sétima jornada (clássico com as águias) perde pontos em Braga (0-0) e nos Barreiros (2-2) e partilha a liderança com o CD Nacional (de Manuel Machado) e Braga (de Jesualdo Ferreira). Um deslize com o Benfica orientado pelo compatriota Ronald Koeman, poderia significar para Adriaanse e para a sua equipa uma perda da liderança.

Já as águias tinham tido um início titubeante. Após vencerem a Supertaça frente ao Vitória FC (1-0), os encarnados campeões nacionais iniciam a defesa do título com um empate em Coimbra (0-0), seguido de duas derrotas frente ao Gil Vicente (na Luz por 0-2) e Sporting (em Alvalade 1-2). No entanto, responderam positivamente até à ida ao Porto, com três vitórias consecutivas com UD Leiria (4-0 na Luz), FC Penafiel (3-1 fora) e Vitória SC (2-1 na Luz). Triunfos que permitiram a subida ao quinto lugar e mais um putativo triunfo no Dragão permitia uma aproximação à liderança.

No seu primeiro clássico, Co Adriaanse elege o seguinte onze: Vítor Baía, Bosingwa, Ricardo Costa (C), Bruno Alves, César Peixoto, Ibson, Lucho González, Jorginho, Alan, Lisandro López e Benni McCarthy. 

Quanto aos campeões nacionais, Ronald Koeman elege: Quim, Nélson, Luisão, Anderson, Léo, Petit, Manuel Fernandes, Simão Sabrosa (C), Karagounis, Nuno Gomes e Fabrizio Miccoli.

O clássico entre as duas equipas orientadas por técnicos holandeses (inédito), acabou por nunca ser muito dominado por nenhuma. Na primeira parte, o ligeiro ascendente portista não se traduziu no marcador e foi um tempo marcado pela agressividade (tal como restante jogo). Miccoli saiu lesionado aos 14 minutos e deu lugar a Giovanni. Dez minutos mais tarde, existiu do lado oposto a baixa de Lisandro López e entrou Diego para o seu lugar.

Os golos chegariam na segunda parte. Aos 55 minutos, num lance de resposta a uma bola parada portista, Giovanni passa a Nélson que ainda muito atrás no meio-campo faz um passe chipado bem colocado para Nuno Gomes, que aparece entre a defesa azul e branca cabeceando forte e deixando Vítor Baía sem resposta. Oito minutos depois chegaria o segundo tento do 21 encarnado.

Na sequência de uma recuperação de bola no meio-campo benfiquista, inicia-se nova jogada de resposta que começou em Quim e terminou do lado direito do ataque em Giovanni que foge a Bruno Alves, cruza para a área, Ricardo Costa não afasta e sobra para Nuno Gomes fazer o 2-0. Estava feito o resultado e mais um triunfo de Ronald Koeman sobre Co Adriaanse (que nunca venceu o compatriota na carreira de treinador). Até ao fim do jogo, Bruno Alves e Léo ainda seriam expulsos aos 81 e 85 minutos respetivamente.

Após o clássico, o FC Porto perdeu a liderança para o Braga e ainda esteve quatro jornadas atrás da equipa de Jesualdo Ferreira. Na jornada 12, a equipa de Co Adriaanse recuperaria a posição no topo da tabela e nunca mais a largaria até ao fim, recuperando o título para o Dragão após uma caminhada regular tendo sido o melhor ataque e defesa da competição.

Já o Benfica teve um percurso sempre irregular, tendo ficado em segundo lugar por várias jornadas, mas acabando por perder a posição na jornada 22 e terminou a Liga na terceira posição a cinco pontos do Sporting (segundo) e a 12 do campeão FC Porto.

3.

FC Porto 0-2 Benfica – 2014/15 – À 13.ª jornada, o Benfica era líder com 31 pontos e dez vitórias em 12 jogos. No entanto, a equipa jogava com muito menos brilhantismo fora do que em casa e a deslocação ao Dragão levantava alguma apreensão.

Tal como se tinha verificado nos dois jogos em que as águias perderam pontos, tinha sido contra um adversário direto (1-1 com o Sporting na Luz) e numa das deslocações mais exigentes (derrota 1-2 em Braga). A juntar ao facto de já ter sido eliminado na fase de grupos da UEFA Champions League com três derrotas (duas frente ao Zenit e uma contra o Bayer Leverkusen) e dois empates (dois nulos frente a Mónaco e Leverkusen) em seis jogos. O bicampeonato era o objetivo fundamental e este era um dos principais testes.

O FC Porto estava num plano oposto. Apesar de segundo com menos três pontos que o Benfica, tinha uma equipa recheada de muitos reforços com qualidade e já apurado para os oitavos de final da UEFA Champions League invicto na fase de grupos (quatro vitórias e dois empates). No entanto, a equipa portista mostrava lacunas quanto à estabilidade da equipa (muita rotatividade do treinador Julen Lopetegui) e entrava para o clássico com quatro empates (Guimarães, caseiro com o Boavista FC, Alvalade e Amoreira) que custavam a liderança.

Para o embate com as águias, Julen Lopetegui coloca de início: Fabiano, Danilo, Marcano, Martins Indi, Alex Sandro, Casemiro, Hector Herrera, Óliver Torres, Cristian Tello, Brahimi e Jackson Martínez (C). 

Já Jorge Jesus escala o seguinte onze para o Dragão: Júlio César, Maxi Pereira, Luisão (C), Jardel, André Almeida, Samaris, Enzo Pérez, Talisca, Salvio, Nico Gaitán e Lima. 

O jogo foi relativamente semelhante em ambos os tempos, com o FC Porto a ser mais forte e determinado ofensivamente, mas o Benfica a ser mais organizado defensivamente e eficaz nos poucos momentos de ataque. A equipa de Jorge Jesus chegaria à vantagem aos 36 minutos. Maxi Pereira realiza um lançamento lateral forte, ninguém desvia e Lima aparece sozinho que se antecipa a toda oposição e faz o 1-0.

No segundo tempo, o Benfica chega ao segundo tento aos 55 minutos. Na sequência de um corte de Luisão, inicia-se um contra-ataque e após um remate de Talisca fora da área, Fabiano defende de forma malsucedida para a frente e permite a Lima encostar. O jogo estava ganho e a vantagem na tabela classificativa aumentava de três para seis pontos entre Benfica e FC Porto. Os portistas pagavam caro por alguns erros individuais e defensivos e um maior caudal ofensivo não foi o suficiente para contrariar a organização encarnada.

Embora o Benfica ainda perdesse pontos em mais cinco jogos (duas derrotas e três empates), a equipa de Jorge Jesus nunca perderia a liderança por uma jornada e lideraria até ao fim, sagrando-se campão em Guimarães na penúltima ronda (0-0). Além do 34º campeonato da história do clube, reconquistava-se a condição de bicampeão (não o era desde 1983/84).

O FC Porto terminou no segundo lugar a três pontos do eterno rival, tendo ainda perdido pontos igualmente em cinco jogos (duas derrotas e três empates). Desde 2000/01 que os portistas não ficavam dois anos seguidos sem vencer a Liga.

2.

FC Porto 5-0 Benfica – 2010/11 – O começo e o percurso de dragões e águias até à décima ronda foi completamente desigual. O FC Porto era líder com oito triunfos em nove jogos, tendo apenas deixado pontos em Guimarães na sétima jornada (1-1) e já tinha vencido a Supertaça precisamente ao Benfica por 2-0 em Aveiro.

Já as águias além de terem perdido a Supertaça para os eternos rivais nortenhos, encontravam-se a sete pontos de distância no segundo lugar, fruto de três derrotas nas primeiras quatro jornadas (1-2 na Luz com a Académica, 1-2 na Choupana com o CD Nacional e 1-2 em Guimarães frente ao Vitória SC). Logo era indispensável procurar uma vitória no Dragão para encurtar a distância ou um empate para não a agravar. Enquanto uma vitória azul e branca, poderia significar o adeus dos então campeões nacionais à revalidação do título.

De dragão ao peito, alinharam de início: Helton (C), Sapunaru, Rolando, Maicon, Álvaro Pereira, Guarín, Belluschi, João Moutinho, Hulk, Varela e Radamel Falcao. 

Quanto ao Benfica, entrou em campo com um sistema distinto do habitual (4-2-3-1 em vez do 4-1-3-2) e entraram em campo: Roberto, Maxi Pereira, Luisão (C), Sidnei, David Luiz, Javi Garcia, Carlos Martins, Pablo Aimar, Salvio, Fábio Coentrão e Alan Kardec.

O jogo seria absolutamente memorável para a turma portista e um pesadelo para a coletividade encarnada. As hostilidades tiveram início aos 12 minutos, quando Hulk recebe uma bola na ala direita do ataque, foge a David Luiz (colocado a lateral-esquerdo) e cruza para o centro da área onde Varela está sozinho e remata para o fundo das redes.

Aos 25 minutos, novamente no lado direito do ataque, é Belluschi que recebe uma bola de Hulk e de seguida troca as voltas a David Luiz e cruza para a pequena área, onde Radamel Falcao finaliza de calcanhar enquanto Luisão assiste caído de joelhos e Roberto sem argumentos. Apenas quatro minutos depois e na sequência de um passe longo de Sapunaru que apanha a defesa benquista desprevenida, é novamente Belluschi que recebe novamente a bola, deixa Sidnei fora do lance e abre espaço para Falcao fazer o bis num remate potente e sem resposta possível.

Não existiriam mais eventos-chave na primeira-parte, pois estariam guardados para o segundo tempo. Aos 66 minutos, Luisão seria expulso por agressão na cara de Guarín. Os golos só voltariam nos últimos 12 minutos.

Aos 81 minutos, a castigar falta de Fábio Coentrão sobre Hulk, o 12 portista converte a grande penalidade sem dificuldade alguma e estava feito o quarto golo. Em cima do minuto 92, James Rodríguez recebe de Álvaro Pereira no espaço entre linhas e coloca no lado direito em Hulk que mede o espaço, aproxima-se e fora da área remata potente para o 5-0 final. Um jogo que ficaria para a história do FC Porto e um momento que acabaria por colocar os portistas em ótimas condições para a reconquista da Liga (primeiro com dez pontos de vantagem à décima jornada).

O FC Porto apenas perdeu pontos em mais dois jogos até ao final da Liga e terminou-a invicto (inédito na história portista até então). A equipa de Villas-Boas foi campeã um mês antes da época terminar e a cinco jornadas do fim, precisamente no Estádio da Luz e.… às escuras nos festejos. Além da vantagem folgada de 21 pontos, os portistas juntariam também a Taça de Portugal e UEFA Europa League às suas conquistas de 2010/11.

Já o Benfica, embora diminuísse a desvantagem para oito pontos em finais de novembro, a luta pela revalidação do título terminaria em março com a derrota em Braga (1-2) e semanas depois na derrota caseira com o FC Porto (1-2). A águia finalizava a época em segundo lugar a 21 pontos dos rivais azuis e brancos e apenas com a conquista da Taça da Liga.

1.

FC Porto 3-2 Benfica – 2006/07 – À oitava jornada, os três grandes estavam empatados na frente do campeonato. Na semana anterior, o FC Porto tinha empatado em Alvalade a uma bola e duas horas antes, o Benfica tinha vencido na Luz o Estrela da Amadora por 3-1.

Igualdade entre os três na liderança até à sexta-feira seguinte, quando o Sporting deixou fugir dois pontos em cima dos 90 minutos na deslocação ao Estádio Municipal de Aveiro (Beira-Mar 3-3 Sporting), num jogo mítico em que o central aveirense Buba fez os três tentos do Beira-Mar. Com a escorrega dos leões em Aveiro, quem vencesse o clássico ficaria isolado no topo da tabela classificativa.

O onze eleito por Jesualdo Ferreira foi: Helton, Fucile, Pepe, Bruno Alves, Marek Cech, Paulo Assunção, Lucho González (C), Anderson, Lisandro López, Ricardo Quaresma e Hélder Postiga. 

Já Fernando Santos fez entrar de início para o embate com os dragões: Quim, Nélson, Luisão, Ricardo Rocha, Léo, Petit, Katsouranis, Paulo Jorge, Simão Sabrosa (C), Kikin Fonseca e Nuno Gomes. 

O FC Porto entrou mais forte no jogo e determinado em chegar cedo à vantagem. Assim foi, logo aos 11 minutos. Helton faz um pontapé em profundidade, Lisandro ganha um duelo aéreo com Léo, a bola sobra para Hélder Postiga que roda e remata com o pé esquerdo. No entanto, o remate é desviado novamente por Lisandro López e estava feito o primeiro tento portista. Dez minutos mais tarde, o FC Porto chega ao segundo golo. Endiabrado, Ricardo Quaresma ganha mais momento de dribles e habilidades com Nélson, deixa o defesa benfiquista fora do lance e no lado esquerdo do ataque remata em arco sem hipótese para Quim.

A primeira parte do encontro ficou marcada pela lesão grave de Anderson, após entrada infeliz de Katsouranis. O jovem médio brasileiro sairia à meia hora de jogo, dando lugar a Raul Meireles.

A segunda parte trouxe um Benfica mais forte e determinado, trazendo equilíbrio ao jogo e ao resultado. Helton começou a ter mais trabalho, mas nada conseguiu fazer aos 62 minutos. Canto de Simão Sabrosa e Katsouranis desvia com a cabeça ainda fora da pequena área ao primeiro poste. Os encarnados não se ficaram por aí e chegaram à igualdade aos 81 minutos. Na sequência de uma troca de bola bem-sucedida à frente da defesa portista, Nélson cruza do lado direito e Nuno Gomes sem oposição bate Helton. Logo de seguida, entra o homem que decidiria o jogo e agitaria a defesa encarnada: Bruno Moraes.

Ao minuto 92, Fucile faz um lançamento lateral profundo e na sequência de dois toques no meio de um grande conjunto de jogadores, a bola vai para a pequena área e Bruno Moraes chega mais rápido que Luisão e Quim e com um cabeceamento resolve o encontro. Um momento memorável que deixou o Dragão em êxtase. A vitória já não escaparia e a equipa de Jesualdo Ferreira isolava-se uma vez mais no comando da Liga.

Embora as distâncias entre os três grandes tenham aumentado durante o decorrer da época, as mesmas voltaram a diminuir e 2006/07 terminaria “em escada”. O FC Porto de Jesualdo Ferreira terminava (bi) campeão com 69 pontos, o Sporting de Paulo Bento foi segundo classificado com 68 pontos e o Benfica de Fernando Santos foi terceiro com 67 pontos. O clássico do dragão decidido mesmo na ponta final, fora muito decisivo nas contas do título.

No dia 20 de setembro de 2026, às 20h30, a tradição continuará.

Jorge Afonso
Jorge Afonso
O Jorge apaixonou-se pelo futebol num dérbi em Alvalade e nunca mais largou. Licenciado em Comunicação Social e mestre em Ciência Política, vive entre estatísticas, memórias épicas e o encanto de equipas como o Barça de Guardiola ou a França de Zidane.

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