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“Tenho uma confiança cega de que seremos campeões”: foi assim que Paulo Fonseca confrontou os jornalistas presentes na conferência de imprensa de rescaldo da derrota portista no Estádio da Luz do último domingo. A “confiança cega” de Fonseca foi alvo das mais diversas interpretações, e até de uma representação teatral num programa televisivo nacional. Mas, bom, mais do que tudo isso, escolhi esta expressão de Paulo Fonseca porque me parece reveladora do estado atual do navio azul e branco.

Ao longo dos últimos anos, o FC Porto sempre foi passando por alturas de maiores dificuldades, fosse por questões exibicionais, fosse por questões de arbitragem. Relativamente ao segundo ponto, parece-me mais ou menos consensual que, em matéria futebolística, quando um clube grande não consegue aquilo que quer, ou dito de outra forma, quando não ganha quando o deveria fazer, tende a colocar a culpa nas arbitragens. Não, não é só coisa dos portistas, como disse, porque quer Benfica quer Sporting também foram, ao longo das últimas décadas, fazendo com que a culpa não morresse nos seus ombros, mas sim em terreno alheio.

Chegamos por isso ao jogo do último domingo no Estádio da Luz, o qual, se bem se recorda, afirmei que seria uma autêntica “prova dos nove” para Paulo Fonseca e para os seus jogadores. Como o resultado facilmente comprova, a equipa falhou, e por consequência o treinador também, ao mostrar, como em tantas outras ocasiões, limitações tácticas que me fazem novamente questionar se Fonseca está já preparado para ter nas mãos uma equipa desta envergadura. Não foi por isso surpresa que, também porque Artur Soares Dias se pôs a jeito para isso, o FC Porto desviasse a atenção da exibição paupérrima na Luz para uma arbitragem “vergonhosa”, apelidada assim por Pinto da Costa e apelido subscrito por Paulo Fonseca. Sim, o Porto pode-se queixar da arbitragem de Soares Dias, mas não foi por isso que perdeu. Sim, a equipa também foi prejudicada no Estoril, mas não foi por isso que perdeu 12 pontos numa volta de campeonato. Afinal de contas, o discurso não é novo. O FC Porto tem-no feito algumas vezes nos últimos anos para proteger o treinador e a equipa e para enviar um recado a quem dirige o futebol.

Por estes dias, tenho a certeza de que a ida de Pinto da Costa ao balneário da Luz depois da derrota no último domingo não foi para dizer aos jogadores que a culpa do desaire foi do árbitro. Tenho, pois, a certeza de que o presidente foi ao balneário para, como em tantas outras vezes, lembrar que o símbolo na camisola é mais importante do que o nome que os jogadores envergam. Tenho a certeza de que os jogadores sabem disso e Paulo Fonseca, subscritor das mensagens, também o sabe. Essa é a minha “confiança cega”.

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