Ao contrário de muitos campeonatos pela Europa fora, a Primeira Liga vai parar durante sensivelmente um mês. Concorde-se ou não com esta decisão tomada pela Liga, só em finais de outubro é que o FC Porto vai reentrar em ação no campeonato, e logo frente ao surpreendente líder: o FC Famalicão.

Toda esta paragem levanta inúmeras questões em torno da equipa azul e branca, mas convido o leitor a refletir comigo sobre as possíveis repercussões desta paragem nos comandados por Sérgio Conceição.

O último jogo dos dragões não foi para o campeonato nacional, mas sim para a Liga Europa, que contou com uma derrota frente ao Feyenoord Rotterdam por 2-0. Não é, pois, a melhor forma de terminar um ciclo de jogos consecutivos, pois o que os adeptos portistas esperavam era logo um jogo o mais rapidamente possível, para a equipa se poder reconciliar com a sua massa associativa.

Contudo, parece que o próximo jogo da competição mais importante em que os dragões estão inseridos só se vai realizar daqui a bastante tempo, se bem que os adeptos vão poder matar saudades no jogo da Taça de Portugal frente ao SC Coimbrões e na receção ao Rangers FC, para a segunda competição mais importante da UEFA.

A meu ver, as possíveis repercussões desta longa paragem no campeonato para a equipa são, por um lado, positivas, e, por outro, negativas. Começando por falar no lado positivo desta interrupção, é mais que evidente que o melhor que pode acontecer a uma equipa é ter o seu tempo para poder assentar as ideias incutidas pelo mister, isto é, sem a pressão dos jogos do campeonato, os treinos da equipa azul e branca podem deixar de se focar principalmente no estudo do adversário, mas sim no aperfeiçoamento do futebol em termos técnicos e táticos.

Pelo que se tem visto desta equipa, é percetível que há muito a melhorar, nomeadamente nas situações de transição defesa-ataque em que a equipa continua a errar muitos passes e a focar-se no individualismo dos seus jogadores, e nas segundas bolas, muitas vezes sem sucesso. A juntar a tudo isto, reforço a ideia de que o que falta à equipa do FC Porto é um futebol mais rápido e entrosado, evitando assim o futebol demasiado direto que, por vezes, irrita os adeptos.

Aboubakar é um dos jogadores que pode aproveitar esta paragem para as seleções.
Fonte: FC Porto

Se esta equipa conseguir fazer de tudo isto um pouco em campo, penso que o sucesso é a palavra que melhor se encaixará nas ambições das tropas de Sérgio Conceição.

Independentemente de tudo isto, os jogadores vão ter direito a um maior tempo de descanso que é sempre importante para um profissional, seja de que área for.

Em poucas palavras, podemos definir esta paragem como uma forma de aperfeiçoar o laboratório do olival, recuperar jogadores, e dar oportunidades a pérolas que estejam tapadas pelos internacionais ausentes pelas suas seleções.

Como não há um lado positivo sem negativo, torna-se importante referir que nem tudo é um mar de rosas.

Assim sendo, as possíveis repercussões negativas desta paragem no campeonato para a equipa do FC Porto são essencialmente duas: o vírus FIFA e a quebra de ritmo da equipa pela falta de jogos, pese embora os confrontos para a Taça de Portugal e para a Liga Europa.

Estou certo de que já ouviram falar no vírus FIFA, que afeta todos os grandes clubes que têm a primazia de ter nas suas fileiras jogadores internacionais pelas suas seleções. Os dragões não são exceção, e mais uma vez contam com a ausência de inúmeros jogadores que representam o seu país.

Tudo isto é um orgulho para qualquer portista, mas tem os seus grandes problemas. De facto, qualquer internacional está propício a uma lesão e os jogadores internacionais do FC Porto não são exceção. Resta saber se algum desses possíveis lesionados recuperará a tempo do embate frente ao líder FC Famalicão, para não falar nos dois confrontos anteriores que os dragões têm.

Outro exemplo de uma consequência negativa desta paragem no campeonato é a possível quebra de ritmo dos jogadores pela falta de jogos, mas este não parece ser um problema que tire o sono à equipa técnica de Sérgio Conceição, isto porque é sempre possível marcar jogos particulares contra outras equipas, o que também serve para dar minutos nas pernas de jogadores menos utilizados que finalmente procuram afirmar-se de dragão ao peito.

São estas as repercussões que eu considero possíveis para este FC Porto na paragem do campeonato nacional. Contudo, enganem-se aqueles que pensam que estas consequências afetam apenas o FC Porto, pois estas são um padrão para todas as grandes equipas.

Foto de capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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