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amarazul

“Fora de portas”. Só esta expressão começava a ser temível para qualquer adepto portista, o que, até há pouco mais de um ano, seria impensável. Este fim-de-semana pode, no entanto, ter sido dado um verdadeiro pontapé no sentido contrário – de volta a um estado estável.

Em época em que não se ganha, já se sabe, há contestação. Sempre. É inevitável. Mas a época de Paulo Fonseca não foi normal, dentro daquelas (poucas) em que o Futebol Clube do Porto não ganha. Houve mudança de treinador e, mais do que isso, muitas derrotas. Sobretudo fora de casa.

Por todos estes motivos, com Lopetegui algo teria de mudar. O Porto foi a Guimarães, a Alvalade e à Ucrânia empatar depois de um bom arranque fora de portas, com vitórias sobre o Paços de Ferreira e o Lille, e havia assim uma qualquer sensação de receio no ar. Os erros não podiam voltar, não aqueles e não numa altura tão crítica. Por tudo isto, era preciso uma resposta sólida e… assim foi.

Uma mão cheia de golos. Autoritária, sem resposta e, acima de tudo, sem qualquer lugar para dúvidas.  Em Arouca jogava-se pela confiança, pelo regressar da tranquilidade e, é certo, pelos três pontos. A chave? Bom… Talvez aí tenham sido bastante influentes Quintero, Brahimi, Tello e Jackson no onze inicial. Com eles, tudo é diferente. A dinâmica é outra, a quantidade e a qualidade das oportunidades criadas é incomparável.

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Com os mágicos em campo, a ‘conversa’ é outra.
Fonte: desporto.sapo.pt

De um lado ao outro de um passe só, para trás com o intuito de recomeçar a construção e para a frente com um objectivo: a baliza. O golo, sempre o golo. Se a rotação de Lopetegui se prova cada vez mais estratégica, o ataque é o sector que tem de se tornar cada vez mais estável para que a fórmula resulte sem espaço para hesitações. E aí tudo depende do entendimento dos intervenientes.

O segredo está, como com qualquer plantel, na falta de medo. Não de respeito, porque esse tem de existir sempre, mas de medo. E o Futebol Clube do Porto jogava a medo nalgumas das suas últimas deslocações.

Não estou com isto a dizer que ficou escrito o contrário. Não, não, não. Não pensem que sou ingénuo ao ponto de me deixar convencer totalmente por uma vitória (ainda que expressiva) no terreno do Arouca. Não, claro que não! Considero sim, e todos o deveríamos fazer, um bom ponto de partida. Repleto de confiança e bons pormenores. Porque é assim que se perde o medo e se recupera a confiança.

Gaspar Ribeiro Lança
Gaspar Ribeiro Lançahttp://www.bolanarede.pt
Futebol, ténis, Fórmula 1... Com o passar dos anos mais desportos fazem parte do seu quotidiano e lhe ocupam bons pares de horas em estádios ou em frente ao computador e à televisão. Não há, no entanto, maior paixão do que aquela que tem por Liverpool Football Club e Futebol Clube do Porto. "Impossível escolher".                                                                                                                                                 O Gaspar não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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