Com o aproximar do findar da época, o FC Porto prepara a próxima temporada de forma estratégica e gradativa. Estando atualmente a dez pontos do primeiro lugar, e a cada jornada que passa mais longe do título, os Dragões reconhecem os erros cometidos a nível interno e projetam a próxima época com uma aposta assente no futuro. Esta projeção futura está bem saliente nas várias ações que o FC Porto tem tomado, como a renovação do contrato de Otávio, um jogador extremamente relevante no plantel portista, a contratação do promissor Pepê ao Grémio de Porto Alegre e a recente subida de Francisco Conceição à equipa principal dos azuis e brancos.

No entanto, a questão que se coloca é sobre os jogadores que outrora já foram um “projeto futuro” ou uma aposta para a próxima temporada: estarão estes incluídos neste novo planeamento dos Dragões para a época que se avizinha? Jogadores como Evanilson, Fábio Vieira e Romário Baró enquadram-se neste panorama de jogadores que foram apostas na presente temporada, no entanto, por algumas razões, não se firmaram no conjunto de primeiras escolhas do treinador da equipa principal, Sérgio Conceição.

Para os leitores menos atentos aos jogos do FC Porto B, os três jogadores citados acima estiveram presentes no jogo do passado domingo contra o SC da Covilhã, a contar para 25.ª jornada da Segunda Liga. Por vezes, jogadores da equipa A que são “convidados” a jogar na equipa B, de certa forma desmotivam-se, pois constatam que, de momento, não têm espaço na equipa ou no plantel principal. No entanto, este não foi o caso de Evanilson, Romário Baró e Fábio Vieira: a cada toque que davam na bola espelhavam a enorme vontade do “eu mereço e quero estar nas primeiras opções da equipa principal”. Este “grito interior” refletiu-se no resultado de 2-1 a favor do FC Porto B, que já não vencia há quatro meses, com Evanilson e Fábio Vieira a faturarem os dois golos, sendo que Romário Baró assistiu para o primeiro golo, com um toque de calcanhar “à craque”.

Para aqueles que desvalorizam, ou dão qualquer um destes jogadores como descartado, lanço o desafio de voltarem o jogo atrás e verem a primeira parte do jogo FC Porto B x SC da Covilhã. É impossível não notar que estes três jogadores se destacam dos demais: a qualidade que apresentam está patente em várias fases e vertentes do jogo. Fábio Vieira, para além do seu fantástico pé esquerdo e da sua técnica espantosa, tem particularidades que, a meu ver, são traços de líder. Para assumir um papel preponderante na equipa, creio que o jogador precisa de mais oportunidades, ou seja, precisa de acreditar que confiam no seu talento para mudar o jogo.

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Claro, atualmente, com a forma de Sérgio Oliveira e Uribe torna-se difícil para o jogador entrar no onze inicial, no entanto, pode ser um substituto direto de Otávio, como extremo que parte da direita, mas que funciona muitas vezes como terceiro médio. O jogador precisa da confiança que tem na Seleção Portuguesa de sub-21, onde soma exibições fantásticas, ou da confiança que teve no jogo contra o Manchester City, onde atuou como titular e cumpriu o papel que lhe foi atribuído.

Foto: Diogo Cardoso/FC Porto

A situação de Romário Baró é idêntica, precisa que lhe deem confiança: nas poucas vezes que entrou nos jogos da equipa principal parecia um jogador apático, sem vontade e com medo de errar. É de certo que a lesão que teve fez com que perdesse espaço na equipa, ficando tapado com a entrada de novos jogadores do plantel, porém, todos nós sabemos, e creio que Sérgio Conceição também, que o jogador é diferenciado. Recordo-me da exibição que fez na temporada 2019/20 em pleno Estádio da Luz: todos nós, ao final do jogo, dizíamos que o jogador ficava por terras portuguesas por pouco tempo, até ser contratado por algum gigante europeu.

Evanilson também é outro caso similar. O jogador tem uma característica ou aptidão que poucos têm: está no lugar certo à hora certa. Sempre que entra dentro de campo marca ou está envolvido em algum lance de golo, exemplo disso foi o golo que fez contra o Nacional na Taça de Portugal, com apenas um minuto em campo, que levou o FC Porto a prolongamento. É oportunista, algo vital num ponta de lança, que se torna valioso e consistente caso tenha mais oportunidades a titular.

Com a entrada destes jogadores nos jogos do Porto B, creio que (e quero acreditar que sim) é uma aposta do FC Porto no futuro. Sabendo que têm talento para estar no onze titular, penso que a direção do clube e os responsáveis técnicos lançam estes jogadores na equipa secundária não só como forma de ganharem alguns minutos, mas também como um modo de voltarem à estaca inicial, fase onde se sobressaíram aos outros e mostraram a vontade e o querer de estar na equipa principal. Eventualmente culpamos o treinador por não dar a confiança necessária a estes jogadores, porém, por vezes, estes próprios precisam de ganhar a garra e a petulância que outrora tiveram por si só, para então mostrarem de facto os jogadores que realmente são.

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