O FC Porto está de volta ao primeiro lugar do campeonato. A quatro jogos e 12 pontos do fim, os comandados de Sérgio Conceição voltam a ser os principais candidatos à conquista do ceptro que escapa há quatro longos e fustigantes anos.

Com um plantel dito “curto” e um investimento irrisório no princípio da temporada, o FC Porto foi, aconteça o que acontecer, a equipa mais forte em Portugal ao longo de todo o ano e, mais uma vez, provou-o no passado domingo em pleno Estádio da Luz. Apesar do grande golo marcado pelo capitão Héctor Herrera ao cair do pano ter traduzido essa superioridade em pontos, não era, de todo, necessário o tento do mexicano para que todo o país confirmasse a supremacia portista no que ao jogo jogado diz respeito em relação aos seus rivais. Tanto na primeira volta como na segunda (excetuando, talvez, um jogo mais dividido frente ao Sporting CP no Estádio do Dragão), o FC Porto foi claramente mais equipa nos confrontos diretos com os oponentes da Segunda Circular.

No entanto, apesar do otimismo justificado que reina nos adeptos portistas, o presente artigo destina-se a uma tentativa desconfiada de colocar alguma água na fervura, porque apesar do maravilhoso golo de Herrera são as deslocações a Paços de Ferreira e a Belém que monopolizam o meu pensamento. É imperioso que os erros não se repitam e que os níveis de ansiedade não voltem a disparar para patamares sem retorno. Faltam 10 pontos.

Mas antes de partir para uma suicida tentativa de recuperar alguma da cautela perdida no reino do Dragão nos últimos dias (não me refiro, é importante dizê-lo, a ninguém da estrutura profissional do clube), deixo ainda algumas considerações sobre o jogo de domingo.

Foi um jogo equilibrado. A estratégia de Sérgio Conceição, ainda que mais ousada do que a de Rui Vitória, foi demasiado receosa e não fosse um momento de inspiração de um jogador por quem, é sabido, não morro de amores, mas que tem realizado uma época notável, talvez a mira das críticas da opinião pública e publicada estivesse dividida entre o Norte e o Sul. Marega, não obstante a falta de técnica e o estilo meio “desengonçado” do seu futebol é, por esta altura, o jogador mais preponderante da estratégia que Sérgio Conceição tem para a equipa e o FC Porto sofre, e de que maneira, com a ausência do maliano. As soluções de profundidade, pujança física e capacidade de trabalho que Marega oferece à equipa são fundamentais para o sucesso da presente temporada. Vitória justa da única equipa que fez por merecer o golpe de asa que acabou por acontecer. Obrigado capitão. Chapeau.

De mal-amado a herói. Héctor Herrera decidiu o “clássico” da Luz
Fonte: FC Porto

Apesar das considerações feitas no parágrafo anterior, Sérgio Conceição merece uma palavra especial pelo trabalho que tem desenvolvido e todos os elogios que a crítica especializada lhe tem feito. O FC Porto não é, como já o referi, uma máquina de bom futebol, mas é, sem sobra de dúvidas, uma equipa de autor. A marca do seu timoneiro está bem patente em tudo o que a equipa faz em campo e a forma como este tem sabido gerir os recursos à sua disposição para obter os resultados pretendidos tem sido de uma competência imensurável. Pujança física, busca incessante pela profundidade, largura dada pelos laterais, jogo interior dos extremos, poder aéreo ofensivo e defensivo, rápida e eficiente reação à perda de bola e uma alta rotação constante são tudo impressões digitais de um treinador que recebeu em mãos um navio à deriva e o transformou num porta-aviões. Bravo mister.

Ainda assim, chegados a esta fase e de regresso à liderança, nada está decidido. Quedam, ainda, umas longas quatro jornadas pela frente (360 minutos de futebol) e todo o cuidado é pouco. Foram cometidos erros grosseiros nas últimas semanas que quase hipotecaram uma época que estava a ser brilhante e as hipóteses do FC Porto se sagrar campeão nacional pela 28ª vez quase se desvaneceram. As receções aos aflitos e desesperados por pontos Vitória FC e CD Feirense, bem como as deslocações à Madeira e a Guimarães, serão desafios que não podem e não devem ser desvalorizados, e que têm que ser encarados com a máxima seriedade e com a equipa em estado de alerta. No entanto, a cautela não deve nunca ser confundida com excesso de nervos e níveis de ansiedade apoteóticos. Nervos de aço, concentração, seriedade, tranquilidade e competência é o que se pede e exige a uma equipa (jogadores e técnicos) que, mais do que qualquer outra, merece fechar o ano a festejar todos os seus infinitos méritos.

Em suma, apelo encarecidamente a todo o “universo” portista pela estabilidade emocional necessária para que, no final desta longa e dura caminhada, a exultação de exclamações como “Campeões!” e “Todo o mundo tenta, mas só o Porto é Penta!” possa ser uma doce realidade.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

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Fervoroso adepto do futebol que é, desde o berço, a sua grande paixão. Seja no ecrã de um computador a jogar Football Manager, num sintético a jogar com amigos ou, outrora, como praticante federado ou nos fins-de-semana passados no sofá a ver a Sporttv, anda sempre de braço dado com o desporto rei. Adepto e sócio do FC Porto e presença assídua no Estádio do Dragão. Lá fora sofre, desde tenra idade, pelo FC Barcelona. Guarda, ainda, um carinho muito especial pela Académica de Coimbra, clube do seu pai e da sua terra natal. De entre outros gostos destacam-se o fantástico campeonato norte-americano de basquetebol (NBA) e o circuito mundial de ténis, desporto do qual chegou, também, a ser praticante.                                                                                                                                                 O Bernardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.