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Esta semana escrevo, em forma de desabafo, sobre o que o nosso Porto tem andado a fazer. Não tanto em termos de futebol jogado, mas também do que se passa ao nível das transferências e da gestão do plantel – é neste segundo aspecto que me irei focar. Depois das saídas de Moutinho e James e da não contratação de um médio e de um ala de categoria mundial (como eles eram), juntaram-se ainda as saídas de Lucho e, mais recentemente, de Otamendi. A de Lucho ainda posso perceber: é um jogador que deu tudo pelo clube, saiu e passados alguns anos quis voltar, abdicando de mais de 50% do seu salário. Ele mereceu ter um “contracto das Arábias” e fiquei feliz por isso ter acontecido (mas não por ele sair…). Já a venda de Otamendi, achei-a aberrante, sem sentido e totalmente despropositada!

Porquê? Ora, vejamos: é um central que poderia jogar em quase todas as equipas europeias, que foi vendido ao Valência por 12 milhões (mais três, consoante objectivos) e que, por complicações burocráticas, só pode voltar jogar na Europa em Junho. Até lá, estará emprestado a um clube brasileiro. Isto tem sentido? Por que não jogar estes últimos seis meses no Porto, ele que nas épocas que fez de dragão ao peito foi sempre dos jogadores mais utilizados por todos os treinadores, e ser vendido depois? Eram seis meses, nos quais ele seria um esteio na nossa defesa e jogaria melhor do que nunca, tendo em vista o Mundial que está à porta… Tenho um ex-colega brasileiro que é “atleticano” fervoroso e que ironicamente me agradeceu pelo Porto ter cedido Otamendi durante estes seis meses; diz que “é o melhor central a actuar no Brasileirão” (claro que isto dito por um adepto do clube pode roçar o exagero)!

 

Otamendi deveria fazer fazer dupla com Mangala  Fonte: fcpnacaoportista.wordpress.com
Otamendi deveria fazer fazer dupla com Mangala
Fonte: fcpnacaoportista.wordpress.com

Não é só o facto de Otamendi ter saído que me entristece, mas sim os problemas que conseguimos criar com a sua (ridícula) transferência! É que a juntar a isto, o Porto faz retornar Abdoulaye, um bom jogador mas que não pode jogar na Liga Europa por já o ter feito pelo Vitória de Guimarães, e ao voltar, torna-se titular no eixo da defensiva, assumindo-se como “substituto” de Otamendi. Escrevo e fico ainda mais confuso com esta gestão… Caso o Porto chegue longe na Liga Europa (espero que aconteça), como lidaremos com esta “dança de centrais” que se irá verificar entre campeonato, taças e competição europeia? Joga Mangala-Abdoulaye no campeonato e jogos difíceis da Taça, Mangala-Maicon na Liga Europa e Maicon-Reyes na Taça da Liga? Por favor, não dêem tiros nos pés! Abanar a estrutura pela base não pode trazer coisas boas! Por que não voltar a apostar na dupla Mangala-Maicon (que são grandes jogadores), deixar Abdoulaye crescer no banco e para o ano, caso decidam, voltar e estar disponível para todas as competições? A nossa equipa já treme demasiado para tanta troca de lugares!

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Fico preocupado com o rumo que o Porto começa a levar. Contratamos Reyes pelos milhões envolvidos e, quando sai um central, faz-se retornar outro? Isso é passar um atestado de incompetência ao “miúdo”. Seria o mesmo que, com a saída de Lucho, não fosse dada uma oportunidade a Carlos Eduardo e a Herrera e se fosse contratar um jogador qualquer. É preciso mudar algo, e esse algo é… A politica de gestão! Sempre tivemos das melhores que existiram, porquê esta mudança este ano? Não estavamos tão bem? Não se percebeu já que por este caminho estamos a oferecer o titulo aos nossos rivais? Precisamos de calma, tranquilidade e, acima de tudo, ORGANIZAÇÃO! Olho para este Porto e não consigo entender “quem é quem”, quem faz o quê… Cabe à SAD perceber o que é melhor para o clube. A nossa SAD sempre equilibrou contas com a necessidade de vencer títulos. Este ano parece que não: vende-se, vende-se, vende-se em nome dos milhões e contrata-se a preços baratos. Não sei o que se espera!

Como digo sempre que falo de forma menos positiva do meu clube: “espero estar errado e que continuemos a ganhar”, mas infelizmente o que vou escrevendo enquanto “analista” vai-me dando razão quando vejo onze jogadores (e não uma equipa) de azul-e-branco a entrar em campo. Existem anos menos bons e este é, de todo, um deles.

Eu acredito no Porto e nas pessoas que o comandam e só peço, enquanto adepto, que me façam voltar a sorrir com o futebol jogado e as brilhantes exibições de outrora, num passado muito recente… Somos Porto, somos os melhores de Portugal e, acima de tudo, o nosso palmarés prova-o! Iremos dar a volta esta situação; espero que ainda esta época!