hic sunt dracones

Na última semana, Portugal inteiro parou para ver a seleção nacional disputar o apuramento para o Europeu que se realizará na França, no próximo ano. Foram dois jogos, duas vitórias. Ambas pela margem mínima e, quiçá, com exibições além das expetativas. Orientada por Fernando Santos, a equipa das quinas não conhece o sabor da derrota em jogos oficiais. Foram sete jogos e sete vitórias alcançadas pelo “engenheiro do penta”.

Ora, devo confessar que menti no início deste artigo. Não foi Portugal inteiro que parou para ver a seleção nacional. Com conhecimento de causa, foi Portugal menos um português. A seleção nacional joga de uma forma entediante e previsível. Bem, talvez para ser mais correto poderei dizer que joga mal. E por mais orgulho que sinta já se tornou demasiado complicado conceder-lhe toda a atenção durante aqueles 90 minutos. No jogo frente à Dinamarca, fechei os olhos durante 45 minutos para não assistir a tamanha miséria. No jogo contra a Sérvia… tive mais que fazer.

Seleção azul-e-branca Fonte: Goal.com
Seleção azul-e-branca
Fonte: Goal.com

Por outro lado, se me pedirem para ver um jogo da seleção sub-21 sou o primeiro a sentar-me na fila da frente. Longe de querer discutir a transição do velho para o novo, devo confessar que me faz um pouco de comichão ver um conjunto com tanto potencial a jogar tão pouco. E problema é ainda maior do que a óbvia e natural falta de rotinas. Maior ainda do que o modelo de jogo castrador assumido por Fernando Santos. São, no fundo, as individualidades escolhidas por quem ainda vive no futebol dos anos 90. Dá resultado? Vai dando… sempre pela margem mínima e desprezando a espetacularidade que cativa os adeptos.

Chegamos então ao cerne deste artigo. Eu que já tanto “bati” no treinador espanhol, desta vez digo que ainda bem que há Lopeteguis que não têm receio em arriscar em Rúbens Neves ou Ólivers desta vida. E deverá arriscar em outros tantos caso continue no comando do FC Porto porque deverão surgir novos valores da formação a exigir tempo de jogo na primeira equipa. André Silva, Gonçalo Paciência, Francisco Ramos, Rúben Macedo, Podstawski, Rafa…

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Futuros golos do FC Porto já têm nome Fonte: Facebook de André Silva
Futuros golos do FC Porto já têm nome
Fonte: Facebook de André Silva

Já não interessa a idade e não urge aqui dissertar sobre quem fica “queimado” por ser lançado demasiado cedo. Interessa aquilo que podem oferecer, neste momento, à seleção. E há diversas individualidades nos sub-21 que poderiam fazer bem mais do que aquilo que é oferecido, atualmente, na equipa AA. Apreciem-se valores como Rúben Neves ou Gonçalo Guedes que já se mostram como mais-valias na seleção orientada por Rui Jorge e mesmo nas equipas principais dos próprios clubes.

Um jogo não são jogos. Ninguém garante que se jogasse, por exemplo, Rúben Neves na vez de Danilo, a seleção iria ganhar à Dinamarca. Mas de uma coisa tenho a certeza… teria mais probabilidades de o conseguir e com um resultado bem mais avultado. Tal como acontece no FC Porto. Ainda bem que há Lopeteguis para que Rúben Neves tenha tido a oportunidade de subir à equipa principal. E sempre que o “menino” jogar, eu tenho a certeza que o FC Porto está sempre mais próximo de vencer.

O futuro a nós pertence Fonte: Facebook do FC Porto
O futuro a nós pertence
Fonte: Facebook do FC Porto

Sem medos, mister!

Foto de Capa: Federação Portuguesa de Futebol